Danilo, Iturbe, Rodrigo, e sobretudo Óscar!

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Curtas individuais do Mundial de sub 20, que vai decorrendo na Colômbia.

Danilo. Passada muito larga e velocidade assinalável. Num instante percorre o campo de área a área. Pela preponderância que assume nos momentos de transição, percebe-se o potencial e a comparação com Ramires. Ao contrário deste, é todavia bastante mais forte do ponto de vista físico. Menos ágil, claro, e essencialmente menos culto na ocupação do espaço defensivo. As suas lacunas posicionais são notórias e bem preocupantes. Dificilmente entrará de imediato na equipa do FC Porto. Porém, pelo seu potencial físico, assim que perceba como se deve relacionar com os colegas de sector, será o principal candidato a ocupar a posição de defesa direito. Para quem gosta de comparações rápidas, e mesmo correndo o risco de mudar de opinião mais tarde, Danilo assemelha-se a Bosingwa.
Iturbe. Craque! Uma velocidade de execução estonteante. Rápido na passada também, o argentino é uma futura estrela do futebol mundial. Impossível não dar certo. As comparações com Messi, mesmo que exageradas, devem ser compreendidas. O estilo é bem próximo. Iturbe agita o jogo como ninguém. Finta curta, excelente recepção e remate fácil. O futuro do futebol mundial, também passa por Portugal.
Rodrigo. Avançado centro interessantíssimo. Rápido e com um remate fantástico, Rodrigo é também um jogador com uma técnica assinalável. Morfologicamente bastante diferente do que por cá, se tem por hábito admirar, é um avançado na linha daquilo em que o futebol espanhol se tem tornado, com os resultados que se conhecem. Primazia pela técnica e velocidade de execução, sempre ao serviço do colectivo. Pela concorrência, poderá demorar a conquistar o seu espaço. Será, contudo, e seguramente um jogador importante no futuro do Benfica. A menos que seja transferido.
Curtas referências para:
Juan, central brasileiro dotado de boa técnica, passada larga e imensa força. Um potencial imenso, até pela vontade de jogar, assim evolua na vertente táctica. Casimiro, médio direito da selecção canarinha. Um falso lento, com uma qualidade técnica muito assinalável. Levou os austríacos à loucura, com tanto túnel. Jogador de classe, cujo futuro dependerá do enquadramento que tiver. Pode ser prejudicado por não primar pela intensidade e pelas loucas correrias, tão apreciadas por tantos. Coutinho, número dez brasileiro. Um tecnicista que privilegia o colectivo. Roberto Pereyra, argentino, tantas vezes dado como potencial reforço de Sporting e Benfica. É o habitual extremo esquerdo do River Plate. Porém, foi a ocupar a posição de médio centro na selecção da Argentina que demonstrou imensa categoria. Verdadeiro líder, é possível observa-lo a ajudar os colegas a tomarem as suas decisões. Muita classe no contacto com a bola, capacidade para a colocar à distância, e decisões simples. Tem um potencial incrível. Contra a Inglaterra, teve momentos em que fez lembrar Lucho. Impressionante, para um habitual extremo. Lamela, número dez das selecção das pampas. Menos em jogo que o que seria expectável, percebe-se a cada toque na bola que há algo de diferente dos demais. Muita criatividade, e excelentes pés. Com mais maturidade, acabará por se impor na Europa. Pezzella, defesa central do River, e capitão da Argentina. Interessante tacticamente, pela leitura das diversas situações defensivas que foi encontrando, impressionou pela primazia que sempre deu à tentativa de, mais do que matar as jogadas adversárias, procurar recuperar e sair a jogar.
Referência final para o mais impressionante jogador do torneio, do pouco que me foi possível observar.
Óscar. Jogador do Internacional de Porto Alegre, a pouco mais de um mês de completar vinte anos. Impossível não dar certo! Classe, classe e mais classe. Impressionante capacidade técnica e velocidade de execução. Fantástica a forma como vai progredindo no campo com a bola controlada, como oferece linhas de passe e apoios perto do portador da bola, e como mesmo no corredor central, recebe sempre com categoria, e consegue encontrar soluções. Joga de cabeça levantada e tem imensa criatividade. Ainda que tenha sido apenas um jogo, impossível não encontrar em Óscar semelhanças com aquele Kaká do AC Milan, que deslumbrava todo o mundo.

P.S.-  Reafirmando. As comparações podem parecer exageradas. Pretendem reflectir sobre o potencial dos atletas, agora que pela última vez defrontam adversários da mesma idade. Há, porém, pós Mundial um longo caminho (seguramente mais longo para uns, que para outros) a percorrer. Os talentosos irão lá chegar.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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