Temos miúdos!

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Destaques individuais da vitória por um a zero, sobre os Camarões.
Mika. Muito seguro, não largou uma única bola. Muito boa a defesa que na segunda parte evitou o golo do empate dos Camarões. Impressão francamente positiva.
Cédric. Muito bom jogador. Grande capacidade técnica bem visível a cada passe. Muito inteligente quando tem a bola, procura com assertividade os colegas. Participou em algumas das melhores combinações ofensivas de Portugal. Impressionante a forma como jogou a um toque, quando assim se impôs. Será impossível prever o seu futuro. Mas não é heresia afirmar que tem mais potencial que qualquer outro lateral direito da sua actual equipa.
Nuno Reis. Um perfil bastante mais sóbrio que o do colega de posição. Aparentou serenidade e boa cultura táctica. Apesar de substancialmente mais baixo que Roderick, até aí dominou. A rever.
Caetano. Que talento! A forma como foi brindado com uma ovação do tamanho do estádio aquando da sua substituição, demonstra como ficou na retina dos colombianos. Rápido e de boa técnica, tem um potencial imenso. Enquanto teve força dinamizou o ataque português. Desperdiçar tamanho talento pela sua morfologia será um erro. Uma boa campanha portuguesa no Mundial, traduzir-se-à, garantidamente, em assédio ao pequeno grande jogador.
Júlio Alves. O trio de centrocampistas escolhido por Ilídio Vale coarcta o potencial ofensivo da selecção. Ainda assim, Júlio demonstrou qualidade. Mais adiantado do que o habitual no Rio Ave, e mesmo não sendo um jogador criativo, demarcou-se dos colegas de sector por saber entregar a bola. Importante no controlo dos timings das suas acções. Nunca se precipitou e foi um dos responsáveis pelos momentos em que Portugal jogou com maior conforto.
Baldé e Pelé. Não são jogadores de futebol. Autênticos desastres em todas as acções em que contactaram com a bola, valem unicamente pelos atributos físicos. Jogando com adversários com outra idade, dificilmente terão condições para ser bem sucedidos. Se Pelé, por se destacar por correr imenso e não virar nunca a cara à luta, ainda poderá prosseguir carreira em uma qualquer equipa que pratique um futebol bem primitivo, Baldé dificilmente almejará a glória. É que a um avançado, não bastará nunca somente correr. Por mais obsoletas que sejam as ideias dos treinadores com que se for cruzando.
Nélson Oliveira. O melhor para o fim. “He’s absolutely incredible”, exclamou, por mais de uma vez o comentador do site da FIFA. A comparação com Zlatan não tem nada de absurdo. Mais forte e mais rápido que os Camaroneses, demasiadas vezes foi Nélson contra o mundo. Venceu sempre. Impressionante a forma como, mesmo apertado, dominou a bola no peito em inúmeras ocasiões, entregando-a sempre com qualidade. Finaliza com imensa mestria. Facilmente se percebe que tem golos nas botas. Nas duas; e na cabeça também. Tem potencial para ser o melhor avançado português das últimas três décadas, e será surpreendente se no final do torneio não for associado aos melhores clubes mundiais. O Benfica tem em potencial um futuro substituto soberbo para Cardozo. Todavia, não será fácil segura-lo. Assim mantenha ao longo do torneio, o nível a que se exibiu na segunda jornada da fase de grupos.

P.S. – As comparações poderão parecer-lhe exageradas. Recorde, porém, que os atletas estão a jogar com miúdos da sua idade. Bem diferente daquilo que serão os primeiros tempos numa realidade bem diferente. 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2364 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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