“Evolução brutal a nível colectivo”

A frase é de Cédric e justifica, bastante mais do que as melhores individualidades, uma diferença abismal de uma época para outra do Sporting.
Houve esta época duas individualidades que constituíram um reforço tremendo de qualidade face à época transacta (Montero e William), uma outra (que havia sido recomendada aqui em Janeiro de 2013, em detrimento do medíocre Joãozinho. Curioso que agora que Jefferson é do Sporting quem tanto criticou a opinião é capaz de concordar…) que acrescentou bastante (o lateral brasileiro, claro) e um outro reforço que foi (é?) bastante eficaz mas que pelas suas características (defeitos e qualidades) não deveria ser tido em conta para mais do que um plano B (Slimani). Na segunda volta emergiu também aquele que é o melhor extremo do Sporting. Carlos Mané. Porque Carrillo não sai do limbo onde se encontra desde que aterrou em Portugal.
Mas foi sobretudo no aumento da qualidade colectiva (que potenciou individualmente alguns jogadores que haviam tido uma época terrível no passado) que o Sporting cresceu. Já tinha crescido na temporada passada com Jesualdo (seis vitórias nos últimos oito jogos (as duas derrotas foram no campo do 2º e 3º classificado), quando antes tinha somado mais derrotas que vitórias), depois das fases Sá Pinto e Vercauteren.
A Jardim cabe perceber que o seu Sporting não é um produto acabado. Colectivamente há que melhorar o controlo dos espaços no meio campo. Apesar da impressionante pontuação, não impressiona o controlo que o Sporting tem sobre os jogos. Depois de ultrapassada a primeira pressão, há sempre imenso espaço para jogar entre sectores e William não recuperará todos os jogos centenas de bolas. 
Curioso que o treinador leonino em todas as épocas da sua carreira fez sempre mais pontos do que a qualidade do seu modelo faria pressupor. Iniciar uma segunda época no mesmo clube onde foi bem sucedido (face à expectativa inicial) será uma novidade numa carreira brilhante em termos de resultados. Veremos uma evolução no seu modelo, ou esbater-se-à o impacto inicial que sempre teve em todo o lado?
A questão de uma época mais carregada com jogos, poderá eventualmente ser prejudicial, mas não em termos físicos. É no retirar do foco e no tempo de preparação para cada jogo que tal se poderá reflectir. Por exemplo, na presente época as unidades de treino da quinta e da sexta feira do Sporting são planeadas e executadas unicamente direccionadas para a especificidade do adversário que encontrará ao fim de semana. O foco e o planeamento serão perturbados. Será diferente estares desde 3a feira a pensar no adversário que enfrentarás e dedicares algumas sessões de treino pensando num momento específico de competição, a jogares,  recuperares e com pouquíssimo tempo de antecedência virares o foco para novo adversário. Fisicamente até será benéfico os jogadores serem obrigados a um estímulo maior. E quão maior será nos jogos do meio da semana, comparativamente aos domésticos. 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2355 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*