A percepção de Guardiola. A qualidade ou falta dela no processo. Que leva ao resultado e não o contrário.

É uma equipa que não deixa espaço entre linhas… é complicado fazer golos” Guardiola sobre os méritos do SL Benfica de Rui Vitória.
Já por aqui antes se havia reconhecido que quando decide juntar linhas, com um bloco médio – baixo, tal como fez em Braga ou Alvalade, é praticamente impossível jogar dentro do bloco do SL Benfica. Não é contudo no processo do Benfica tão elogiado por Guardiola que se pretende centrar este texto.
Mas antes no que Guardiola identifica como condição importante para uma equipa competente.
“Não deixar espaço entre linhas!”
O que nos faz recordar o texto anterior sobre o Belenenses de Velásquez, fundamentado com algumas imagens (não todas) referentes apenas aos primeiros vinte minutos do jogo, enquanto o foco estava elevado pelo empate no marcador.
“Só nos primeiros vinte minutos, para além da mão cheia de lances de golo criados pelo Sporting, o que chocou bastante mais, foi a incapacidade para travar construção e criação leonina. A cada posse o Sporting chegava ao espaço entre sectores do adversário, mesmo partindo de construção. Mesmo que a bola se iniciasse nos centrais, com todos os jogadores do restelo atrás da linha da bola, a facilidade para chegar aos tais espaços mais prometedores, perante menos oposição foi algo que ainda não se tinha visto por cá (e se tantas vezes partiu da construção, nada terá a ver com a forma como o Belenenses ataca!) E não saber condicionar linhas de passe, saídas para o ataque e fechar espaços nada tem a ver com qualidades individuais. Surgem fruto de um modelo muito fraco que por opositor encontrou um modelo cheio de virtudes, capaz de desmontar com incrível facilidade todos os modelos que não têm a minima noção de como controlar espaços. 
Não foi portanto de espantar que o primeiro golo do Sporting surja precisamente numa das “milhares” de vezes que os jogadores leoninos receberam e enquadraram entre linhas.”
Portanto, é importante que se perceba que a critica ao jogar do Belenenses incide sobre o seu processo. É um mau processo (não se podendo dissociar o que tenta (umas vezes com sucesso, outras com insucesso) fazer bem em alguns momentos do que faz bastante mal noutros) que naturalmente leva a maus resultados. 
Naturalmente que se a crítica fosse centrada no resultado (que foi bastante lisonjeiro, diga-se) no passado fim de semana alguém com melhor fez pior no Estádio da Luz. Ainda assim, saiu louvado por todos. Tantas são as vezes em que o resultado não corresponde ao processo. Não se pode é esconder um mau processo apenas porque se gosta de uma parte do todo. Ou porque há de alguma forma uma afinidade escondida.
Podemos então concluir, que apoiado numa série de jogadores de mais valia (e com um perfil técnico e de decisão muito aprazível) para aquela que é a realidade da Liga portuguesa, o Belenenses procura impor um estilo de jogo que ofensivamente o aproxima do sucesso. Todavia, o facto de sem bola ser extremamente desorganizado acaba por envergonhar todos os defensores do estilo. O que é obrigatório referenciar é que tentar-se ser de decisões, de manter a posse e de fazer a bola chegar em melhores condições a melhores espaços não se relaciona directamente com maus processos defensivos e com um risco óbvio de a cada momento se poder sofrer um golo, como parece demonstrar o Belenenses! Se tal é vísivel no Belenenses é porque é uma equipa mal preparada para jogar futebol. E isso poderá acontecer com qualquer outra, independentemente do estilo. Se mudasse o seu estilo e passasse a bater na frente sem critério, a equipa azul não melhoraria o seu jogo. Pelo contrário, seria ainda pior!
Marco Van Basten
Sobre Marco Van Basten 83 artigos
Licenciado em Desporto, treinador Uefa Pro pela FA. Desde cedo partiu para terras de sua majestade. Experiência como professor e treinador numa Academia no Reino Unido.

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