Falemos do Liverpool

A inconsistência ao nível dos resultados tem sido o factor mais apontado, neste início de época, para afastar a equipa de Klopp do grupo de principais candidatos ao título. Mas a verdade é que se há equipa que tem apresentado regularidade são os Reds. Tendo em conta o calendário que enfrentou, o Liverpool tem um aproveitamento de muito bom ao nível pontual; que poderia ser perfeito retirando o atípico jogo contra Burnley.

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Klopp já enfrentou os três primeiros classificados da época passada (Leicester, Tottenham e Arsenal), e agora o Chelsea. Sendo que apenas jogou, até ao momento, um jogo em casa. Ou seja, o grau de dificuldade de quatro dos cinco jogos que já enfrentou não se pode comparar ao dos outros candidatos ao título. Se é verdade que todos os jogos valem os mesmos pontos, não menos verdade é que será sempre mais difícil garantir um volume de pontos considerável nos jogos onde o adversário não é claramente inferior.

Sobre o pobre jogo de hoje, pouco a dizer. Um jogo com muito poucas situações de golo criadas pelas duas equipas, onde o factor sorte pendeu para o Liverpool. O Liverpool ainda não tinha tido, este ano, um jogo a criar tão pouco. Mas também não teve um jogo em que permitiu tão pouco. As contingências do jogo ditaram que, numa situação de bola parada, e num lance que não é grande ocasião de golo, o Liverpool ficasse na frente do marcador e a partir daí se limitasse a controlar o adversário com bola (na primeira parte) e sem bola (na segunda). O melhor lance do jogo acaba por ser da equipa de Conte, numa grande acção individual de Matic. A Conte, falta-lhe gente com capacidade para chegar e criar porque apostar tudo na inspiração dos extremos e nas bolas para Diego dentro da área é muito pouco. Klopp quis controlar o jogo e não se desequilibrar para não permitir transições a um adversário muito forte nesse momento. Daí os raros movimentos de ruptura tão habituais na dinâmica ofensiva do Liverpool. Sendo que acaba por ter a sorte do jogo, pareceu a equipa que mais fez por isso e depois jogou com a vantagem.

Blessing
Sobre Blessing 88 artigos
Treinador de futebol, de momento na formação. Experiência como Treinador Adjunto no escalão de seniores masculino e feminino, tendo esta época culminado com a conquista de todas as provas nacionais em disputa. Desempenha também funções como Scout para 1ºLiga. Criador do Blog Posse de Bola

7 comentários em Falemos do Liverpool

  1. Antes do jogo comentei com um amigo que eram 2 dos melhores treinadores do “contra-ataque” e que ia ser giro ver o que iam fazer em atq posicional por forma a não permitir ao adv ser tão perigoso nesse momento. Não vi o jogo… vou ver agora à noite…

  2. Bom jogo do Liverpool. Com os jogadores que dispõe, o trabalho de Klopp sobressai ainda mais. Muita qualidade na construção e até na criação. Falta alguma clarividência no aspeto defensivo mas quem tem Milner e Lovren em simultâneo não se pode pedir muito mais.

    Quanto ao Chelsea, poucas ideias. Incompreensível a permanência de Kanté, a quem reconheço algumas qualidades, durante os 90 minutos. Com bola, oferece muito pouco, isto juntando a dois centrais que, por algum acaso, são agora laterais.

    De resto, se Klopp gerir bem o plantel creio que será o principal adversário de Guardiola na luta pelo título. O que já é dizer muito da sua qualidade, tendo em conta os jogadores que dispõe.

    ps: JJ nesta liga, caso não existisse a barreira da comunicação, dava festival.

  3. “Sobre o pobre jogo de hoje, pouco a dizer. Um jogo com muito poucas situações de golo criadas pelas duas equipas, onde o factor sorte pendeu para o Liverpool.”

    Discordo em absoluto, só vi a 1º parte e por isso só posso falar dela mas foi uma 1º parte de grande domínio do Liverpool, de pressão alta bem feita, de transições ofensivas rápidas e eficazes, onde foram claramente superiores. Foi uma 1º parte ao estilo do Manchester United – Manchester City, tendo o Liverpool representado o City.

    • “Discordo em absoluto, só vi a 1º parte e por isso só posso falar dela mas foi uma 1º parte de grande domínio do Liverpool”

      Podemos discordar, mas para mim ter bola não significa dominar. É preciso ter bola, e causar dano ao adversário. O Liverpool teve bola, na mesma medida do Chelsea na segunda parte. E nenhuma das equipas conseguiu criar situações de golo, por isso o Liverpool controlou com bola na primeira parte e depois sem bola na segunda.

      ” de transições ofensivas rápidas e eficazes”

      Consegues exemplos dessas transições eficazes? eficaz, no limite, significa que acabaram em finalização. Eu não me lembro de nada disso.

      “onde foram claramente superiores”

      Foram claramente superiores na gestão que souberam fazer das contingências do jogo. Ao nível de jogo a superioridade não foi assim tanta. O facto de eu preferir os processos de Klopp não vai daí que esses processos tenham sido melhores nesse jogo. Foram tão eficazes quanto os de Conte, com a diferença do pormenor na bola parada, e num remate que se ele fizer mais 50 vezes não volta a marcar um golo. Foi o jogo mais fraco do Liverpool ao nível da criação, de muito longe.

      • Para mim ter bola também não significa dominar, até porque gosto cá pouco de tiki-takas e prefiro mesmo um estilo de jogo mais vertical e de pouca posse. No entanto não sei onde viu no meu post eu a dizer que o Liverpool teve bola… Muito menos que isso significa dominar, ainda assim sair a ganhar 0-2 em Stamford Bridge ao intervalo, não deixa de significar domínio (no caso do jogo de ontem em específico).

        Em relação á 2º parte não posso mesmo falar porque não vi, acredito que o Liverpool tenha tido menos bola, tenha baixado as linhas e protegido mais a vantagem já conseguida.

        Em relação ás transições rápidas e eficazes, a nível defensivo o Liverpool esteve exímio, quer em transição defensiva quer em organização, em relação a transições ofensivas tiveram jogadas interessantes, muito rápidas, com boas movimentações e explorando bem os espaços… Se você não viu isso, ok. Se quer considerar como transições eficazes apenas algo que dê golo, na minha óptica o 2º golo do Liverpool pode entrar no seu leque: perda de bola num lançamento/pressão imediata (transição defensiva) que obriga o jogador do Chelsea a errar e golo.

        Acredito que tenha sido o jogo mais fraco a nível de criação do Liverpool, não vi a 2º parte nem o jogo com o Burnley, mas perante um Chelsea (de Conte) e fora é perfeitamente normal que o tenha sido.

        Podemos falar que o Remate que dá o 2º golo, que em 50 não marcava mais nenhum, mas e a transição defensiva do Chelsea aí? Como esteve? O jogador mais perto do homem do Liverpool estava a quantos metros? (má ocupação de espaço). Ainda que não concorde consigo na percentagem de acerto a remates destes e a Premier League seja um fartote em quase todas as jornadas 😀

        • “sair a ganhar 0-2 em Stamford Bridge ao intervalo, não deixa de significar domínio (no caso do jogo de ontem em específico).”

          Ah, dominou no resultado. Concordo.

          “em relação a transições ofensivas tiveram jogadas interessantes, muito rápidas, com boas movimentações e explorando bem os espaços…”

          quais? algum exemplo? Eu só me lembro de uma. Uma, num jogo… bem.

          “Se quer considerar como transições eficazes apenas algo que dê golo”

          Você falou em eficácia. Eficácia significa que teve resultado prático. Resultado prático para mim é terminar com finalização (remate); último passe.

          “perda de bola num lançamento/pressão imediata (transição defensiva) que obriga o jogador do Chelsea a errar e golo.”

          Que lance foi esse? O lance foi lançamento, corte horrível do Cahill que vai parar aos pés do Henderson, e golo. Não houve transição ou pressão que tivesse obrigado ao erro, houve um corte horrível, e um grande golo do Henderson que duvido que volte a repetir.

          ” mas e a transição defensiva do Chelsea aí? Como esteve?”

          Mas houve alguma hipotese de transição defensiva ou ofensiva? Como? Se o Chelsea nunca teve a bola?

          “O jogador mais perto do homem do Liverpool estava a quantos metros? (má ocupação de espaço).”

          A sério? Gostava que me explicasse no pormenor, ou se conseguir carregar uma imagem com o posicionamento que considera correcto.

          há mérito do Liverpool na forma como consegue vencer o jogo. mas há coisas que não têm nada a ver com mais do que pura sorte.

          • Você pegou em muita coisa piciunhas, eu para lhe dizer os minutos exactos tinha de rever o jogo, coisa que não tenciono fazer.

            Posso argumentar tudo o que você disse, que para lhe dizer a verdade nem tem muito nexo, respondendo só à ocupação de espaços do Chelsea no 2º golo: na minha óptica de treinador de bancada, pois sou apenas isso, em qualquer lance de bola parada mais lateral, seja canto, livre ou lançamento, uma equipa deve colocar 1 ou 2 homens à entrada da área, para se a bola por algum motivo for parar a essa zona, poder encurtar ao máximo o espaço e pensamento do(s) jogador(es) adversário(s).

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