Quando jogam os melhores a Manta não é curta

O Feirense de Nuno Manta fez o seu segundo jogo num dos campos dos grandes e, uma vez mais, sai com razões para acreditar que a sua equipa pode atingir um nível muito mais alto. Ainda assim, os primeiros 45 minutos foram oferecidos ao adversário, sendo que, da mesma maneira que no Dragão poderia ter sofrido vários golos durante esse período, em Alvalade o 2-0 com que ia perdendo parecia pouco para a produção permitida ao Sporting.

O jogo do Feirense mudou quando a equipa fogaceira fez duas substituições de uma assentada, com as entradas de Tiago Silva e Karamanos, aos 60 minutos. Por um lado, a entrada de melhores jogadores para interpretar o jogo de surpreender Jorge Jesus, como Nuno Manta tinha prometido na antevisão do encontro. Por outro, situações de jogo mais complexas, a deixar entender que há um treinador em formação em Santa Maria da Feira.

Tiago Silva ofereceu, no imediato, maior qualidade à circulação de bola a partir de posições mais recuadas, permitindo, ao mesmo tempo, situações de maior mobilidade à sua equipa. A faixa esquerda passou a ser, então, o recreio dos meninos que equipavam de azul, com Vítor Bruno, Fabinho e Etebo a criar muitos problemas ao Sporting. Foi de lá que saiu o golo, e foi de lá que, a partir do minuto 60, o Feirense colocou os leões em sentido.

Nas duas imagens, é a mobilidade de Etebo a largar  a sua posição na faixa para terrenos interiores que abre espaço para o ataque do Feirense. Na primeira imagem, Vítor Bruno tem todo o espaço para, junto à linha, aparecer em superioridade. Na segunda imagem, é Fabinho quem se encosta na linha lateral, com Vítor Bruno a correr para ocupar a posição de extremo e Etebo a descer para médio-interior. Posicionamento em busca de qualidade ofensiva, sempre com segurança defensiva.

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Na faixa direito, fruto de menor capacidade de Barge para participar no momento ofensivo, Platiny mostrou atributos para ser um extremo-quebra-cabeças na Liga NOS, surgindo, no duelo individual, com muito mais qualidade a partir da faixa do que posicionado no centro do terreno.

Outro dos aspetos que o Feirense mudou, a partir desse minuto 60, foi na subida da sua linha de pressão para dentro do meio-campo leonino. No caso da terceira imagem, percebe-se o posicionamento adiantado dos interiores Tiago Silva e Fabinho, enquanto Platiny e Etebo dão cobertura nas faixas.

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Mas também na reposição de bola, o Sporting foi obrigado durante meia-hora a colocar com passe longo, em lugar de sair a jogar. Obrigado a gerir a vantagem, foi um Sporting pior, pela quebra dos seus jogadores, mas muito, também, pela forma como o Feirense mostrou que a Manta não é curta para abordar a segunda volta do campeonato.

Sobre Luís Cristóvão 69 artigos
Aluno de Mestrado em Treino Desportivo, comentador na televisão e rádio. Mais informações em luiscristovao.com ou, no twitter, em @luis_cristovao.

13 comentários em Quando jogam os melhores a Manta não é curta

  1. Mas que passe longo aquela pressão (img 3) obriga? Com facilidade era posta a bola no meio, estava batida a primeira linha de pressão havendo ainda fortes possibilidades de enquadrar.

  2. “Ainda assim, os primeiros 45 minutos foram oferecidos ao adversário”

    Ofereceu como quem diz, não é amigo Luís? Nunca gostei desse tipo de frase a favor de um grande, então a favor de um pequeno, ainda soa 100 vezes pior.

    Ontem só vi a 1º parte e hoje já revi os primeiros 15, 20 minutos (da 1º parte novamente) e o Sporting trabalhou muito bem o jogo exterior, muitas vezes conseguindo superioridade e definindo com critério, foi a chave dos 2 golos, por exemplo.

    Quanto à 2º parte, não faço ideia do que terá mudado no jogo mas o Sporting parece ter um problema qualquer psicológico quando o Adrien se ausenta, não sei…

  3. Caro Cristovão, desde já enaltecer a sua evolução ao longo do tempo que escreve neste espaço. Porém, desta vez estou em desacordo consigo. Passo a explicar.

    Vi o jogo. A equipa do Feirense foi uma equipa muito mal preparada em todos os momentos do jogo. Linha defensiva mal organizada, muito espaço entre-linhas para se jogar (Adrien e Alan Ruiz apareceram aí imensas vezes, aliás, tantas vezes apareceu o Alan que o 2º golo é prova disso mesmo). Para além disso, o Sporting conseguia sair à vontade desde trás, apenas com alguns erros provocados pelo Beto e sua menor qualidade no jogo de pés. Facilmente se chegou a uma vantagem confortável de 2 golos e a equipa abrandou. O golo surge num cruzamento que poderia ser inofensivo, não fosse a desatenção da defensiva do Sporting, em concreto do Bruno César.
    Ora este momento foi crucial para dar a ideia de que o Feirense realizou um jogo aceitável em Alvalade… A equipa do Sporting tem vindo a passar uma má fase e esta época já sofreu vários late goals e resultados indesejados nos últimos minutos porque não soube gerir o jogo com bola. É óbvio que isto afecta a moral de qualquer equipa. E isso é uma das coisas que se passa actualmente. E este golo do Feirense acabou por relançar minimamente o jogo precisamente por isso, porque a equipa acusou a pressão e teve medo de sofrer novo golo, somando a isto o facto de quando tentava gerir a posse de bola, controlando o jogo, o público de Alvalade assobiava (incompreensivelmente diga-se)todo e qualquer passe para trás/lado. Assim, o ligeiro ascendente do Feirense nos instantes finais da partida deveu-se a uma quebra anímica e crescente nervosismo previsível por parte do Sporting em resposta a um golo sofrido num lance que poderia facilmente ter sido anulado pela defensiva Sportinguista. Não vejo qualquer mérito ofensivo nem defensivo por parte do Feirense. Estivesse o Sporting animicamente melhor e facilmente tinham goleado.
    E até sou um gajo que simpatiza com o Feirense por nos terem dado um dos melhores jogadores que já vi no meu clube: Rafa (sou do Braga para quem não tenha percebido).

    • A excelente exibição do Sporting na 1ª parte não está em causa e, sem dúvida alguma, sempre que Adrien não está em campo o Sporting é outro.

      Mas isso não significa que as mudanças operadas pelo Feirense não sejam dignas de nota, pela forma como testemunham um aumento da qualidade de jogo da equipa.

      • Mas é precisamente isso que estou a dizer. A exibição do Sporting na segunda parte só piorou a partir do momento do golo que surgiu de “para-quedas”… As alterações pouco resultado prático tiveram. Não foi mérito do Feirense.

  4. Acrescentemos que os entristas têm muitas vezes tendência a tornar-se mutantes. Submetidos à dupla lei newtoniana da atracção universal e darwiniana da adaptação ao meio, eles assimilam-se ao corpo que seria suposto subverterem.

  5. Eu gostava era de ver frames das bolas longas do Feirense com o Paulo Oliveira muito atrás da linha defensiva. Parece que está em todo o lado (para os comentadores do jogo) mas está a dar facadas constantes em toda a organização. Consegui contar pelo menos uns 4 exemplos na segunda parte.

    Jesus deve ter ficado doido.

  6. Só vi a segunda parte e gostei do Feirense, em particular do Silva que é do Belenenses.

    Acho muito bem que se dê destaque às equipas pequenas quando praticam bom futebol, continuem com o bom trabalho.

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