O SC Braga de Jorge Simão na Madeira

Vai começando a desenhar-se, aquela que deverá ser a ideia de jogo de Jorge Simão para o Sporting de Braga.

O treinador dos minhotos afirmou, no final do jogo, que a equipa se encontra “num processo de consolidação de processos”. É natural que assim seja.

Foram muitas as mudanças sofridas em relação à época passada e, a recente mudança de treinador, também terá implicações na forma como a equipa adquire novos hábitos.

Fui espreitar o jogo frente ao Nacional. Na Madeira, encontrei uma equipa que se revelou incapaz de criar situações de finalização, tirando uma ou outra situação.

O processo de construção ofensivo esteve, quase sempre, entregue aos médios centro, que se revelaram indispensáveis, nesta fase do jogo. Partindo sempre dos corredores, nunca foram capazes de construir ou criar por dentro. As intenções também não parecem ser essas.

Destaque, ainda, para a falta de complementaridade existente entre médios centro e, sobretudo, entre os avançados.

A rever.

 

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 36 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

3 comentários em O SC Braga de Jorge Simão na Madeira

  1. Muito bom, Bruno.

    Não vi o jogo e ao ver o vídeo a ideia que dá é de uma equipa demasiado estática e previsível.

    Quando o Braga foi jogar a Alvalade com o Sporting, já se sabia que o Marco ia assumir o comando da equipa mas nessa altura estava provisoriamente com Abel… então comentei com o meu pai (com 0-0 e o Braga já a mostrar bons apontamentos) “e se o Braga vencesse 3-0 com Abel?” Não me acreditava muito nisso, mas por 1, 2, pelo que se estava a ver do jogo não surpreenderia nada e foi o que aconteceu. A minha pergunta foi mais no sentido do adepto… os adeptos bracarenses após verem uma bela exibição em Alvalade, que deu inclusive vitória ao Braga não estariam interessados em ver a continuidade de um trabalho de Abel? Isso não condiciona o trabalho do Marco? Não retiraria imensa pressão ao Marco se o Braga tivesse levado 3 ou 4? Quase que passo por maluco ao lançar estas questões pois quase toda a gente pensa “és maluco, ganhar em Alvalade, assume a equipa logo com outra estabilidade” mas a verdade é que para o Marco acho que lhe colocou mais pressão.

  2. O Braga da Madeira foi mais ou menos igual ao de toda a temporada. Resumindo, não joga nada. E não acredito que venhamos a ver melhorias significativas durante esta temporada, ao nível da qualidade de jogo. A qualidade individual que ainda vai tendo (embora longe do que já foi) vai dando para o gasto. Até ver. Mas é só.

    Sendo honesto, tenho de dizer que não percebo rigorosamente nada de treino mas custa-me compreender como irá uma equipa alterar/criar uma nova ideia de jogo a meio de uma temporada, sem espaço para deixar de ter resultados. Afinal, é para isso que servem as pré-épocas. Talvez numa equipa que lute por objectivos menos ambiciosos, em que duas ou três vitórias consecutivas possam fazer a diferenca, a mudança de treinador possa ter algum efeito psicológico. Mas ao Braga isso já não basta. Isso são, no entanto, contas de outro rosário. Peseiro nunca teve grandes condições para trabalhar nesta segunda passagem por Braga e só um lunático poderia ter pensado que as teria; não devia ter sido convidado a reressar e a sua saída era pouco menos do que inevitável. E saiu porque a própria reeleição do presidente começava a estar em causa.

    Dito isto, o onze que actuou na Madeira tinha algumas limitações: só estava apto um dos centrais do plantel principal (e com algumas limitações físicas), tendo actuado um miúdo da equipa B (Artur Jorge, que não acho particularmente promissor); Vukcevic, o único médio “defensivo” do actual plantel (é mais do que isso) não pôde jogar por castigo; e só havia um avançado de raiz disponível (de modo que até jogou um que acabara de ser dispensado pelo Tondela). De qualquer maneira, independentemente das limitações, este Braga (e eu não faço ainda qualquer destrinça entre o Braga de Peseiro e o de JS) é muito limitado em termos de ideia de jogo. É uma equipa sem capacidade de circular a bola, com pouco jogo interior, muito curta em organização ofensiva e que joga muitas vezes com a equipa demasiado estendida no campo, com os sectores muito afastados uns dos outros. Se o JS não traz novidades neste capítulo? É possível. Não o sei dizer, não vi o suficiente das suas equipas para ter uma opinião. O que duvido é que vejamos ainda nesta temporada uma equipa realmente dele.

    Quanto ao que diz acima o Nuno, o Abel está muito bem onde está. Ganhou capital de simpatia com a vitória em Alvalade (um jogo lançado em bases tácticas muito diferentes das que o Braga habitualmente enfrenta). Se tiver de ser aposta, que o seja com pés e cabeça, partindo para uma época de início e fazendo as suas escolhas. De outro modo, corria o risco de “se queimar”, pegando numa equipa que é uma manta de retalhos com o comboio em andamento, numa fase ainda precoce da sua carreira. Esse é, aliás, um risco que Jorge Simão corre, ainda que este já tenha um pouco mais de currículo.

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