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A armadilha do fora de jogo - O exemplo do Rio Ave

Há já muito tempo que se abordam, por aqui, as questões relacionadas com o controlo da profundidade. A forma como a linha defensiva controla o espaço existente entre si o seu guarda-redes, é fundamental.

Não havendo pressão no portador da bola, existe a possibilidade de ela viajar para as costas dos defesas. Sabendo dessa possibilidade e observando indicações corporais no portador que traduzem a vontade de jogar longo, os defesas devem preparar-se para correr, orientando bem os apoios e baixando a altura da linha. Desta forma, estarão a controlar esse espaço através de uma ação que antevê a procura da profundidade, por parte do adversário.

No entanto, a questão da bola coberta e descoberta, associada à leitura corporal, não é um método exclusivo para controlar as ameaças à profundidade.

Em determinadas situações, a armadilha do fora de jogo pode ser uma ferramenta extremamente útil, no controlo desses movimentos. Mas quando é que faz sentido o adiantamento da linha para colocar um adversário em fora de jogo?

Imagem.1

Na imagem 1, podemos ver que o portador da bola se encontra sem pressão. O único jogador que ameaça a profundidade encontra-se a uma distância que permite o avançado da linha defensiva, antes da realização do passe. Quando isto acontece, a utilização da armadilha do fora de jogo, pode funcionar.

Em situações em que os únicos jogadores capazes de ameaçar a profundidade se encontram “ao alcance” da linha defensiva, a opção pode passar por dar um passo em frente. Obviamente, que o nível de proximidade tem de ser o suficiente para que os defesas possam deslocar-se em sentido contrário, deixando o adversário em fora de jogo, antes do passe se realizar. Por vezes, travar o recuo é suficiente.

Isto exige um alto nível de coordenação e percepção do momentos.

Imagem. 2

Esta ação deve ser coletiva. O alinhamento pelo jogador que define a altura da linha é essencial.

Imagem. 3

Na imagem 3, existem três jogador a ameaçar a profundidade. O portador não dá claras indicações para onde vai libertar o passe. Faz sentido travar o recuo da linha? No meu entendimento, não. Ainda que o adversário mais avançado esteja ao alcance dos defensores, os restantes não estão, o que significa que a armadilha de fora de jogo não eliminará todas as ameaças.

Em Tondela, o Rio Ave sofreu imenso neste tipo de lances. Em 15 minutos, a equipa já estava a perder e jogar com um jogador a menos. A forma como controlaram a procura da profundidade, por parte do adversário, foi uma das causas para esse péssimo arranque. Para além das falhas de coordenação, existiram problemas nos timings de execução e também na análise das situações.

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 57 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

5 comentários em A armadilha do fora de jogo - O exemplo do Rio Ave

  1. É de facto um dos pontos onde muitas equipas que até têm boas ideias defensivas falham.

    A meu ver, o principio inicial a incutir numa equipa é a mesmo a questão da bola coberta subir e pressionar, bola descoberta proteger a profundidade o mais possível( com a possibilidade de por exemplo quando a linha tem 4 elementos a recuar( em algumas situações mesmo com 3) sair um ao portador.

    Isto acho que é o chave e acho que numa fase inicial numa equipa se deve mesmo ignorar a questão da armadilha do fora de jogo, porque é demasiado complexo e pode correr mal em muitas situações. Apenas quando a equipa estivesse com a questão mencionada atrás perfeitamente trabalhada e percecionada, e achando que tinha defesas que soubessem ler bem o jogo,
    é que tentaria introduzir a questão da armadilha nas situações que referiste, porque os ganhos que ele traz quando não está muito bem trabalhada e quando os jogadores não a sabem usar são muito inferiores à situações de 1×0 concedidas.

  2. Aí está… como referi ontem no comentário ao post “do dia perfeito…” são estas análises do Bruno que gosto de ler…

    Apenas uma pequena chamada de atenção que não retira qualquer mérito ao post.
    Na imagem 3 refere que são três jogadores a procurar a profundidade. No video, para a mesma jogada refere apenas dois (porque o terceiro é tapado pela legenda).

    Cumprimentos

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