“MarsBet”

Bas Dost. Como Jesus o fez crescer. A influência do barulho e o produto final.

Ainda antes de o próprio treinador leonino afirmar que o avançado holandês tinha muitas dificuldades a ligar o jogo, sobretudo porque o pensava numa perspectiva muito individual, e pouco de ligação e participação em outras zonas e momentos que não o da finalização, já o havíamos mencionado por cá.

É um finalizador, um goleador. Vai disputar com outros jogadores o primeiro lugar na tabela dos melhores marcadores da I Liga. No entanto, precisa que o assistam, não é m jogador de ligação. É um bom profissional, que gosta de aprender. Estamos a ensinar-lhe coisas que ele nunca pensou aprender. Temos, ainda assim, de arranjar alternativas. Nos últimos jogos tem sido assim: quem fez golo? Bas Dost. Nas minhas equipas não costumam ser sempre os mesmos a marcar e temos de arranjar outras soluções para fazermos mais golos.

Jorge Jesus

Depois do treinador leonino durante a época se ter referido por diversas vezes à forma como estava a tentar e a fazer crescer o avançado, hoje, Bas Dost dá uma entrevista fantástica, onde aborda não somente essas questões, mas outras também muito por cá abordadas, em como a “cultura” do país traduzida no “barulho” que vem da bancada pode condicionar decisões.

Tive de me adaptar, era o início. Quando cheguei o meu foco era marcar, pois precisava de confiança… depois pude aprender mais como jogador e jogar no sistema da equipa… Mas de início era importante mostrar aos adeptos que sabia e podia marcar golos… por isso precisava de tempo e de início não podia apenas adaptar-me à ideia de jogo da equipa…

A coisa boa que este treinador mostrou-me como trazer essa qualidade para o jogo e para a equipa.

Chamou-me ao seu escritório e mostrou-me as imagens “o que estás a fazer” e depois mostrou-me outras e dizia “é isto que tens de fazer”. Isso ajudou muito.

Bas Dost

As dificuldades porque passa um treinador para moldar exactamente como pretende os seus jogadores, também expressas nas declarações de Bas Dost. Colocar um grupo de mais de vinte personalidades diferentes, com ambições, egos e expectativas muito próprias, a pensar todos em simultâneo e da mesma forma o processo e o modelo é algo inatingível. E é por isso, que o caminho é sempre o do ir modelando. O produto final resulta sempre da ideia do treinador, mas tem sempre o cunho de quem realmente joga. Proveniente das suas qualidades mas também vontade e disponibilidade. Os melhores são os que têm a capacidade de persuadir e conseguem que o produto final não só aproveite o que de melhor cada um dá, mas que também não difere em demasiado da ideia original.

A equipa ajudou-me muito, o treinador sempre disse “coloquem a bola na área que o Bas consegue marcar”. Gelson deu-me muitos golos com cruzamentos, Bruno César, Bryan Ruiz, Podence, Alan, todos jogaram para mim e tenho sorte em jogar ao lado deles

Bas Dost

E a referência a algo também muito mencionado por cá, como uma perda de qualidade ofensiva no modelo de Jorge Jesus, comparativamente aos anos transactos. E também causa do ano com menor produção ofensiva. A facilidade com que Bas Dost chegava ao golo, mas somente após cruzamentos, levava demasiadas vezes o Sporting a não trabalhar o jogo. A procurar a via rápida pelo corredor lateral e terminar todos os seus ataques com bola despejada na grande área.

Nem sempre triunfou no final de cada época. Porém, é inegável que Jorge Jesus liderou sempre equipas com um futebol ofensivamente apaixonante ao longo dos últimos sete anos.

Foram épocas a fio a ultrapassar a barreira dos cem golos. Épocas inteiras com criação de jogo ofensivo quase sem igual. Combinações, ligações, e caminhos para chegar às oportunidades que sempre se sucederam a um ritmo frenético nas suas equipas.

2016 / 2017 traz por agora, a pior versão de uma equipa do treinador leonino. O próprio já o referenciou pós partida com o Feirense quando mencionou a falta de ligação que o seu goleador tem com a equipa, e quando referiu viver tempos diferentes por depender de um único jogador para finalizar as suas jogadas.

Para corrigir seriamente um defeito, primeiro há que sofrer as suas consequências” afirmava Martí Perarnau no mais recente livro sobre Guardiola.

No seu modelo de jogo em Alvalade, parece viver algo semelhante. O muito sucesso que Bas Dost vai tendo a finalizar após cruzamentos, parece toldar as decisões de toda a equipa. Hoje, uma equipa totalmente virada para explorar os corredores laterais. Não só perdeu jogo interior, como no próprio corredor lateral, não trabalha cada lance. Raramente traz um terceiro elemento para garantir superioridade e sair em vantagem e em condução com a bola na direcção da baliza adversária. Tudo surge demasiado simples, nada elaborado. Bola no extremo, envolvimento do lateral e em dois contra dois, drible e cruzamento a todo o instante. Deixou a equipa de Jesus de ser uma equipa que joga com o envolvimento, que tem armas e combinações para cada espaço para se tornar numa equipa tão à moda de anos idos, em que cada jogador tem apenas uma ou duas funções específicas, não se ligando à equipa.

Os treze golos nos últimos doze jogos, quase todos por Bas Dost a responder a cruzamentos são um ‘sucesso’ que parece condicionar as decisões e ligações da equipa para procurar caminhos alternativos e perder a previsibilidade.

Pela primeira vez nas últimas oito épocas uma equipa de Jesus chega à décima sétima jornada com menos de trinta golos somados. Tal marca não se pode dissociar das dificuldades que o próprio treinador já referenciou publicamente estar a sentir para ligar o jogo ofensivo da sua equipa.

Escrito em Janeiro de 2017, no Jornal Record aqui.

Aproveitar Bas Dost e ao mesmo tempo ter um modelo mais aprazível ofensivamente, não é cortar o cruzamento, mas procurar que este seja um passe para o avançado. E para isso, há que trabalhar a jogada antes! Enganar a oposição, movê-la. Ir por dentro, ir por fora, explorar vários caminhos.

Primeira jogada do video:
Totalmente diferente ir dentro, desposicionar defesas adversários e terminar à procura de Bas Dost na área, já com boas condições criadas para que possa finalizar, do cruzar a todo o instante com adversários bem posicionados para resolver. (Embora neste exemplo o passe / cruzamento para o holandês não tenha sido bom).

PS – Entrevista completa ao avançado do Sporting disponível para patronos.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2764 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

13 comentários em Bas Dost. Como Jesus o fez crescer. A influência do barulho e o produto final.

  1. ““O conhecimento é o processo de acumular dados. A sabedoria reside na sua simplificação.”, diria Martin H. Fischer. Segundo o autor, quem conseguir armazenar o maior conjunto de dados e utilizá-los de forma prática e simples, estará mais perto da sabedoria, certo? Retenham esta citação na vossa memória ao longo deste artigo.

    Todos teremos, certamente, opiniões diferenciadas sobre o estilo do Treinador que preferimos e temos como ideal. É sabido que o ser humano não é todo igual e que é isso que nos diferencia, como tal, cada um de nós terá a sua preferência no perfil que lhe agrada e na qual deseja seguir, aprender ou idolatrar.

    Por cá, estamos habituados a Treinadores com um perfil mais vistoso, atractivo ao nível da comunicação, vagamente arrogante e deveras confiante em relação ao seu trabalho e com uma imagem de controlo sobre toda a realidade à sua volta, dando a imagem que irá triunfar, isto é, quase de certeza.

    Em sentido contrário, temos uma nova vaga de treinadores a surgir no meio profissional. Low profile e com uma comunicação menos atractiva, mas bastante certeira e direccionada, não dando pontos sem nós. Não assumindo uma arrogância bastante definida aos olhos do público, sente-se a confiança que têm no seu trabalho e dão a imagem que é através do trabalho que o irão demonstrar. É o grupo, um dos factores mais importantes para o caminho a trilhar em direcção ao sucesso. Por isto tudo, são também profissionais que gostam de falar sobre o jogo e percebem o exacto sítio onde erraram (na grande maioria dos casos), conseguindo, de seguida, corrigir e melhorar.

    Independentemente do gosto e da preferência de cada um de nós, é para mim importante referir que quem gosta realmente do jogo e da modalidade conseguirá entender o que de melhor cada um desses Treinadores têm e saber apreciar e aprender com o que nos podem transmitir e ensinar com esses valores. Quero com isto dizer que tanto é possível gostar de Guardiola ou Bielsa, como de Conte ou Simeone! São várias as filosofias e nenhuma delas é a mais correcta. Aposto (e é sabido em alguns casos), em como os nomes citados anteriormente também teriam as suas referências e retiraram um bocadinho de cada uma delas até chegarem à sua perfeição e à sua visão sobre aquilo que deve ser a pintura das suas telas.
    Se sábio é aquele que simplifica os dados acumulados, como citado no início do artigo, é dentro da opinião dada anteriormente que apreciei Rui Vitória na última temporada e naquilo que se foi jogando nas Conferências de Imprensa do Mercado de Verão da época actual.
    “Se tu conheces o teu inimigo e te conheces a ti próprio, não precisas de temer o resultado de cem batalhas. Se tu te conheces, mas não conheces o teu inimigo, em cada vitória ganha sofrerás uma derrota. Se tu não conheces o teu inimigo nem a ti próprio, perderás todas as batalhas…”, segundo Sun Tzu.
    Era certo e sabido que iria ter várias perdas de peças-chave do elenco passado, depois de uma aposta maior na temporada anterior e, apesar de tudo, Rui Vitória continua com o mesmo discurso, que chega até a causar algum constrangimento aos adeptos benfiquistas. Com serenidade, olha para dentro da sua casa e não dá nem nunca deu sinais de estar com dúvidas em arrumá-la. É possível afirmar que Rui Vitória conhece-se a si próprio e procura conhecer o seu adversário ao pormenor.
    É perceptível que o Futebol praticado pela turma benfiquista não é o mais brilhante a que assistimos nos últimos tempos, mas é um Futebol algo simples e bastante experiente dentro da realidade nacional. É, na minha opinião, visível a experiência que o timoneiro benfiquista já detém e a confiança que consegue transmitir à equipa apesar da imagem que, por vezes, transparece na Comunicação Social.
    Que Rui Vitória não é considerado o Melhor Treinador da Liga Portuguesa entre os vários adeptos, é algo que nem merece grande discussão. O Futebol não é vistoso, não deslumbra e até carece de um grupo que tem de ser o mais forte possível para resistir aos momentos de fraqueza em alguns jogos. Tudo isto não seria possível se não estivéssemos a falar de vários jogadores com experiência de campeão e um grupo alargado de jogadores que já tiveram o prazer de experienciar essa situação.
    Apesar de não trazer grandes novidades ou inovações no Modelo de Jogo que nos é apresentado, é visível o rigor no trabalho e o valor que é dado a elementos como a concentração, o querer, a fé e o acreditar até ao final de que tudo será possível.

    É neste sentido que vejo o sábio Rui Vitória a simplificar o conjunto de dados que adquiriu ao longo dos anos e a colocar em prática de uma forma simplista. Quero com isto dizer que é possível retirar do jogo a olho vivo que não há fórmulas sistematizadas, mas sim, que o Treinador procura ensinar várias situações e deixar que os seus jogadores decidam qual a melhor solução para cada momento (do jogo). Apesar de não ser tão mecanizado, é bastante visível a simplicidade de processos ofensivos a que recorrem os jogadores benfiquistas. Um rasgo de magia deste ou daquele jogador e não é recorrente ver o Treinador gritar ao longo da linha a dizer para fazer isto ou aquilo. É uma aprendizagem para cada um de nós, cada um com a sua ideia e linha de pensamento.

    Com a quantidade e qualidade de atletas na frente de ataque, o sábio retira o melhor de cada um deles, depois de ter adquirido um conjunto de dados suficiente para perceber que quanto mais simples lhes conseguir transmitir certos valores, mais facilmente eles irão colocar o seu melhor jogo em prática.

    E, com isto, torna-se possível retirarmos alguma aprendizagem sobre aquilo que o Treinador benfiquista coloca nos seus processos, não? Pode não ser o Melhor Treinador de Portugal, nem tão deslumbrante no perfume que coloca no seu jogo como, por exemplo, Jorge Jesus, mas também é possível gostar do estilo do benfiquista.

    Mas afinal, o que é ser o Melhor Treinador? Do seu jeito, será aquele que conseguir colocar a sua visão do que é o melhor Futebol para a equipa, de uma forma simples e prática. Aquele que conseguir ter os jogadores a perceber as ideias pretendidas e que os faça caminhar atrás de si, sem qualquer medo. Nesse sentido, deixo-vos esta pergunta:
    Afinal, quem é ou quem são o(s) Melhor(es) Treinador(es) para o Leitor?”
    …retirado do blog Futebol Apoiado…isto tudo para dizer que continuo a não perceber a mestria do Mestre, e para mim a grande incoerência do LE… assim como o tema do Patreon, com a falta de cultura desportiva que há neste País estarem a elitizar a vossa excelente informação (a maior parte da vezes) devia ser considerado crime….
    …e agora mostro-vos o porquê de eu achar que o RV não tem paralelo em Portugal:
    http://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/benfica/detalhe/samaris-ensina-ruben-dias.html
    …futebol entregue aos jogadores….
    …ao contrário do Mestre, que já depois de ter tido a ousadia/crime de ter dispensado o Bernardo, agora faz o mesmo com o Geraldes….cada vez mais, acho que são estas mestrias (que eu não entendo) que matam o Futebol…

    • Francescoli, respeito a tua opinião, mas discordo. Acho que não há incoerências nos autores do blog (atenção que eu não sou um deles).

      Os autores defendem a qualidade técnica e a qualidade da tomada de decisão como os principais atributos para a qualidade de um futebolista.
      Eu concordo, desde que este esteja com níveis físicos minimamente decentes para competir numa primeira liga (acredita que isso também é necessário – metes um rapaz de 18 anos que treina pelos júniores de repente a jogar na equipa A, não aguenta os 90 min com qualidade).

      Eles defendem isso, mas o JJ não, ou melhor, não tem a mesma visão do jogo do que eles. No seu modelo, nas posições 6 e 8, têm que ser jogadores fisicamente fortes:

      – o 6 tem que ser alto e forte, mas também capaz de ter qualidade técnica, ligar o jogo da equipa (William, Javi García, Matic)

      – o 8 tem que ser alguém capaz de romper linhas, de abafar a transição do adv., de chegar forte à área para finalizar, o que implica normalmente serem jogadores que normalmente são designados de “jogadores rotativos” (Enzo, Adrien)
      (Nota: não acredito muito nessa treta do rotativo. Eles correm +/- o mesmo que os outros, mas simplesmente são inteligentes nos espaços que percorrem)

      Como podes observar, este não é o perfil do Geraldes, pelo menos neste momento. Aliás, se o Adrien sair, quem mais se aproxima deste perfil é o Battaglia, não o B. Fernandes.

      Isso não significa que não se possa defender o JJ. O homem revolucionou o futebol português! Vê quantas equipas agora jogam em 4-4-2, ou têm dinâmicas muito parecidas às do 4-4-2 na primeira liga. E compara com há 6/7 anos atrás. Nem tem comparação!

      O JJ sabe muito bem o que quer, e sabe operacionalizá-lo muito bem também. Acho que o RV só não está nesse patamar relativamente a estes aspetos porque tem menos 20 anos de experiência, que faz uma diferença enorme!

      Quanto à liderança, obviamente que a maioria se identifica mais com o RV, que com uma liderança tranquila e mais democrática consegue gerir uma equipa de grande dimensão.

      Mas o JJ, ao seu estilo, também o consegue.

      E ambos o conseguem, porque têm ambos o que os jogadores mais apreciam: coerência e competência.

      Quanto a esse blog, apesar de terem boas intenções, não gostei dos textos, porque apenas aprofundam os assuntos um pouco mais que pessoas que vejam de forma +/- imparcial o futebol.
      São capazes de criticar o JJ (como o fizeram nesse texto, só não vê quem não quer), mas de seguida elogiam o Conte ou o Sérgio Conceição, que têm estilos de liderança mais parecidos com o Jesus do que com o RV.

    • Não me leves a mal, até porque tens um grande nick, mas o grande, sábio, calmo, etc treinador do Benfica tem uma linha média e avançada de 100 milhões de euros, entre titulares e suplentes.

      Tinha obrigação de fazer muito mais.

      Chega para a liga Portuguesa? Chega, claro que sim.

      Mas é pobre?
      É, claro que é.

      • Gonçalo, essas palavras valem também para o JJ, porque as únicas vezes que foi campeão as suas linhas médias e avançadas também tinham esse peso monetário….mas isso só vem de encontro ao que tento dizer, ainda ontem o Mourinho disse” Interrogado sobre o que o Manchester United precisa de ter para ganhar assim, como o Real Madrid, José Mourinho respondeu: “Tem de ter jogadores como eles têm. O Real Madrid tem alguns jogadores que não existem em mais lado nenhum”, sustentou, citando Modric, Kroos e Isco.”…até o Especial já percebeu que quem joga o futebol, quem toma as decisões, são os jogadores, o treinador dá-lhes ferramentas, orientação, coordena exercícios para que os jogadores evoluam as suas valências, mas lá dentro, só há um agente activo e decisivo, que é o jogador, e o Mestre nunca entenderá isso, facto mais que comprovado nas suas várias declarações a exigir o centro do Universo para si….
        Blog de Portugal, a incoerência, até vem demonstrada no slogan do LE “a predominância do cérebro sobre o físico até no Futebol” e depois vais “idolatrar” um treinador rígido que está durante o jogo a corrigir os milímetros errados dos seus jogadores, um treinador, que dispensa quase tudo o que é inteligente, Geraldes mais uma vez emprestado, já depois da excelente meia época no Moreirense, já nem falo do Bernardo, pôr o Brian a treinar à parte???, este homem gosta de jogadores telecomandados, tudo o que aparecer, com inteligência a “contrariar” a sua Mestria, é posto de lado….mas lá está isto são opiniões, e eu acho o RV, muito superior ao JJ, como acho o Guardiola, muito superior ao Mourinho, e isto justamente graças ao LE, a quem estou muito agradecido, mas um pouco desiludido, de momento, com isto dos patreon (já perdi certamente grandes posts) e agora parcerias publicitárias, é o Mundo Moderno Capitalista, com prioridades retorcidas, eu compreendo, mas não estou de acordo.

        P.s.: as constituições tácticas já foram inventadas há muito tempo, a não ser que venha alguém a jogar num 2-2-6, o Homem pede o centro do Universo, mas a minha incompreensão vai para o facto de “nós” lho darmos.

        • Até posso concordar contigo quando dizes que o Benfica também gastou dinheiro com o Jota ao volante (discutível, mas aceitável), no entanto, não vês nenhuma diferença entre o futebol jogado pelo Benfica de Jesus e o actual?

          Quanto à história do Geraldes e do Bernardo, francamente já me chateia, ele aposta se lhe der garantias, o Podence dá, o Geraldes não lhe dá. Fácil.

          Quanto ao Bernardo, Santa paciência, ele não era presidente do Benfica, era o treinador, e o presidente do Benfica decidiu vender o Bernardo, por 15 milhões, e foi isso que aconteceu.

          Tudo o resto é mito urbano.

          Não invalida que ele cometa diversos erros.

          Essa do Bryan, então…. Ele é que o pediu, está na cara que existem divergências entre o rendimento dele e o salário,pois está no topo salarial e isso é uma decisão do presidente, não dele.

          • “Obrigado ao City por ter contratado Bernardo Silva. Adora futebol, passa 24 horas a pensar sobre o jogo. É muito inteligente!” – Pep Guardiola… a inteligência só não dá garantias ao Mestre, e eu percebo, porque a inteligência ofusca-o….vamos estar atentos ao Geraldes este ano, numa equipa superior ao Moreirense, onde já brilhou.
            …Gonçalo, pelo que tu dizes o JJ tem então pouca palavra na elaboração do plantel, é isso??…então não foi ele que fez um grande forcing pelo telecomandado Coentrão?…mas pronto, isto é uma discussão de surdos/mudos, falamos, falamos e não se conclui nada, e não passa nada, é o esgrimar de opiniões diferentes, de visões diferentes, de filosofias diferentes…eu gosto mais do RV, e acho-o um treinador muito subvalorizado (por isso me meto nestas discussões), mas acho-o um treinador com uma visão muito abrangente, que centra muito o jogo no jogador e num jogar predefinido, onde o jogador é parte activa e integrada do processo, até no treino, como comprova (pelo menos para mim) aqueles 5 minutos de conversa, depois do treino aberto, entre Samaris e Ruben….o outro, na minha opinião, é o oposto disto tudo, e eu não gosto, e tenho o direito a tal, tal como vocês que gostam, têm o direito a tal….
            …daqui a uns anos, cá estaremos, para ver onde anda o JJ, e onde anda o RV….
            Bem haja LE, e a sua comunidade!!!!!

        • É giro ver estes manos a falar de orçamentos… Ao que chegámos! É que nem esta desculpa serve mais, sendo que o Sporting vai a caminho do maior orçamento do campeonato português. E tem um treinador a quem paga 8 milhões por ano. Sim, 8 milhões de euros por ano. É o dobro do Tuchel no Dortmund. E sete vezes mais do que o RV ou o Sérgio Conceição. Portanto, é fazer as contas!

        • É giro ver estes manos a falar de orçamentos… Ao que chegámos!

          É que nem esta desculpa serve mais, sendo que o Sporting vai a caminho do maior orçamento do campeonato português. E tem um treinador a quem paga 8 milhões por ano. Sim, 8 milhões de euros por ano. É o triplo do Tuchel no Dortmund. E sete vezes mais do que o RV ou o Sérgio Conceição. Portanto, é fazer as contas!

          Sobre o modelo de jogo do Vitória actualmente as características são estas: equipa muito subida em organização defensiva, pressão forte e organizada (ainda que existam equipas mais bem trabalhadas neste momento), toda a gente a movimentar-se em conjunto/zona e com hierarquias definidas (bola, baliza, adversário); raramente leva bolas nas costas da defesa. Em posse a equipa começou por ser muito mecanizada na constante procura pelos corredores e pela velocidade para ser agora uma equipa mais pausada, com fortes mudanças de velocidade e muita gente a procurar espaços interiores (extremos e laterais também). O jogador mais preponderante do RV é o Pizzi no corredor central, jogador que com o JJ e na mesma posição não assumia tanto protagonismo (andou lá perto e com o tempo iria lá chegar certamente). Isto são características de equipa grande, de equipa que assume o jogo e que vai para cima do adversário, de uma equipa que sofre poucos e marca muitos (equilíbrio que o JJ nem sempre consegue encontrar). São factos!

          Depois podemos discutir se as ideias são devidamente operacionalizadas (não tenho como analisar isto) ou se o grau de complexidade poderia ser aumentado em certas fases do jogo, sobretudo em posse e tendo em conta alguma qualidade que o Benfica tem disponível – que agora diminuiu na vertente ofensiva com a saída do Lindelof, por exemplo. Eu concordo com estas críticas que são mais evidentes quando o Benfica defronta equipas com mais valor individual e colectivo. Só que também acho que para algumas pessoas não convém mudar de opinião sobre os assuntos, claro, vai lhes estragar as narrativas e as clubites agudas.

          RV é o meu treinador preferido? Nunca mais… Se tiver de fazer uma lista o nome dele nem me passa pela mente. Mas acho que é preciso ser justo e concreto e objectivo. Continuam a olhar para o RV como o artolas que veio do Guimarães, como se a vida fosse estanque e as ideias também, especialmente para um treinador com praí 20 anos de carreira pela frente. Felizmente, o homem tem vindo a melhorar a forma como vê o jogo.

          Portanto, em termos de ideias não sei bem onde o RV precisa de mostrar muito mais. Muito mais em quê, é para os manos lhe elogiarem o cérebro? Não, isso só vai acontecer no dia em que o RV colocar umas sandálias verdes, conduzir um Ferrari verde-alface e jurar amor eterno debaixo da porta 10-A. Até lá estará sempre debaixo de uma chuva de fezes e muita parvoíce. Como o caso JJ bem exemplifica: detestado pelos actuais correlegionários e agora 90 por cento parece um repetidor de JJas. Um gajo que é fantástico no trabalho colectivo, prático, no campo, mas que é uma besta incompetente em tudo o resto. Este é que é o granda treinador? Que mandou renovar o contrato do horrível Schelotto em Dezembro para o dispensar em Maio? Para contratar o Piccini e o Ristovski? Só o Gato Fedorento pode resolver isto de forma honesta.

          • Optimo!

            “Como se a vida fosse estanque ”

            Muita gente que aprendeu muito aqui ficou parada ha 5 ou 6 anos atras…e nem o notam…

          • Olá Edson,

            Felizmente que não temos a mesma opinião, senão este espaço não existia.

            Em primeiro lugar, sim, falo de dinheiro sim e prefiro pagar 8 milhões a um grande treinador do que um milhão ao Vitória, ao Vercauteren ou ao Domingos.

            Segundo, o dinheiro investido em jogadores e salários vale muito sim, e o Sporting, por muito que tenha aumentado a massa salarial não consegue competir com anos e anos de investimento por parte do Benfica. Até deu para roubar o melhor jogador do Sporting, vê lá tu.
            E não falei nisso numa óptica de crítica, falei porque é factual, não tem mal nenhum e faz parte das regras do jogo. Agora, achar que isso não tem influência, quando se torra 15 milhões em Pizzi, 22 em Jimenez ou 16 em Rafa… Enfim, estamos conversados sobre a diferença a que me estava a referir.

            Quanto a esses princípios de jogo que referiste em RV, vais aceitar a discordância e até posso exemplificar.

            Esse conceito de não levar as bolas nas costas e de jogar com a defesa subida é apenas treta, vai lá ver os jogos a sério, aqueles de aperto (até contra o Guimarães… Já para não falar de Nápoles, Borussia, etc…) e fala-me da defesa subida.

            Conceito estanque é ter ouvido o Guardiola dizer que a defesa do Benfica era Top e agora achar que isso é verdade, pois para mim, foi apenas boa educação e polimento.

            Tiraste de lá um centralão e agora jogam com Lisandros e a famosa defesa parece um queijo Suíço.

            E porquê? porque uma coisa é a valia desses jogadores outra coisa é o que RV efetivamente treinou e definiu para eles.

            E o que RV definiu? Nem defensiva, nem ofensivamente há um trabalho que digno de nota, porque assim que retiraste jogadores de grande qualidade, ficaste dependente da boa vontade dos jogadores, não de conceitos pré-definidos. Porque, caso contrário, até o Lisandro, Pedro Pereira e o Buta iriam demonstrar alguns desse conceitos que referes, apesar da sua menor valia. Isso, definitivamente, não acontece.

            O que vemos, hoje em dia, é um Deus nos acuda, ainda tens a múmia paralítica do Luisão a tentar tapar todos os buracos que deveriam ser resolvidos como um colectivo. Um gajo com 35 anos pensa mais rápido e executa melhor do que todos os outros.

            Comparando com JJ, é só ver o salto qualitativo de Adrien, um gajo que é bruto todos os dias e que agora até parece jogador de equipa grande.

            O gajo tem uma OCD alucinante com os posicionamentos, mas o que achas mesmo que vai ser o futuro no Futebol?
            É o treino obsessivo dos posicionamentos, e quanto a isso nada contra, dá gosto ver as equipas dele serem mais do que uma soma de 11 matraquilhos lá para dentro.

            Era válido no Benfica como no Sporting.

            Posto isto, volto ao ponto que referi ao Francescoli, serve para o campeonato? Claro que serve! tem Jonas, tem Pizzi, tem Seferovic (boa surpresa), Rafa, Zivkovic, Carrillo, etc….

            Podia ser mais bonito e mais estético? Claro, os olhos também comem.

            Podia ser melhor? Sim, muito melhor, mas ainda bem que não é, porque se fosse muito melhor, o Benfica ganhava isto a brincar, com a qualidade individual que detém.

            Quanto às Sandálias verdes e Ferrari verde-alface, pois não sei, tu é que levaste isso ao clubismo, não é para mim. Se calhar vieste de outros sítios que também frequentas e decidiste adotar o discurso que tens lá. Aconselho-te a rever isso, faz-te a bílis ácida.

            Para finalizar, mano, no meu caso, usa-se Mano, já que é o meu apelido. Eu também te trato por Edson, com E maiúsculo.

            Um abraço,

          • Gonçalo, já te esqueceste que estás em Portugal? Um Homem como JJ, que vem da Amadora e só tem a quarta classe, é, para mim, o melhor treinador português da actualidade e dos melhores do Mundo e com bastantes títulos dói a muita gente. Dizer isto e ser imparcial, sou Benfiquista, é difícil. No País das invejas é assim. O JJ revolucionou o futebol português, para aí 10% das equipas do campeonato jogavam em 4-4-2- há 8 anos, hoje mais de 3/4 joga em 4-4-2 e tem comportamentos defensivos da última linha, seja nas referências zonais ou nas formas de reagir às situações próprias do jogo, todos, maioria, dos treinadores em Portugal foram influenciados por este Homem com bastantes defeitos mas com uma experiência prática e autodidacta que poucos tem. O JJ já merecia estar no FC PORTO há algum tempo, o Sporting continua com uma estrutura deficitária e um Presidente que não garante estabilidade emocional a equipa nenhuma, afinal, as estruturas também ajudam a ganhar campeonatos normalmente. O Jorge que continue a ser a personagem que incendeie este burgo, quando se reformar até os trolls de serviços vão ter saudade.

  2. Interessante a parte do 1o tinha de marcar para agradar aos adeptos e só depois integrar no que pede treinador … interessante porque me lembro do choro que houve nos posts do bas dost quando vocês disseram o que mais tarde Jesus e o próprio Bas viria a dizer!

    Para um treinador tAmbém não deve ser fácil… ter de construir um caminho e os nabos dos adeptos mesmo sem terem noção a criar dificuldades!

    Grande posta! O que voces fazem aqui é ouro… dar.nos a conhecer o jogo e o que pensa quem está mesmo no jogo, e não as habituais opiniões de taberna toldadas pela doença da clubite…

    Obrigado por isso!

  3. Sobre a entrada e o Bas Dost:

    Este texto anda desde ontem a remoer as minhas ideias… Fiquei sem perceber bem o que está aqui escrito. Falamos sobre a evolução do BD nas mãos do JJ, certo?

    Sim, evoluiu. Nem que seja no sentido de perceber que não joga sozinho e que para marcar aqueles golos todos é bom que se envolva um bocado com a equipa, em vez de ficar constantemente nas costas à procura de um rebuçado. Ok mas isto é básico e se nunca lhe tinham ensinado aí está uma justificação para ele andar no Sporting e não noutro clube mais visível.

    Para mim, o JJ tem mérito em lhe ter ensinado o básico e ele tem mérito em ter percebido e ter aplicado algumas coisas.

    No entanto, como também está no texto, não se pode dizer que o BD tenha grande influência na forma como o Sporting chega às zonas ofensivas. Pelo contrário, o Sporting da época passada foi a equipa do JJ mais repetitiva que me lembro e que praticamente só marcava de uma forma – com charutos lá pra cima para o BD aproveitar o que pudesse.

    1º – Porque é o que o modelo do JJ lhe pede… Sim, o JJ gosta de BD’s e Limas e Cardozos porque toda a equipa trabalha para colocar lá a bola. As equipas do JJ tendem a abusar da profundidade e dos corredores, apesar de terem melhorado bastante a este nível, facto que limita a participação activa dos pontas-de-lança na construção. Mesmo com muita correria, as equipas do JJ trabalham bem esta fase do jogo, tirando uma época ou outra (como a passada) e também por culpa do treinador (ao desconhecer as regras básicas de um bom scout e por não querer trabalhar com ninguém que lhe possa ensinar/ajudar a formar o plantel).

    2º – Os movimentos que o BD faz fora da área são quase todos muito básicos e de um tipo apenas: mostra-se para tocar, para segurar um pouco, para esperar uma aproximação e largar curto noutro colega mais habilitado. Não lhe peçam para transportar, encarar o adversário, cair nos corredores ou fazer algum passe mais complexo. Até o Cardozo tinha um passe e uma decisão mais evoluída. Não se pode dizer que seja uma contribuição de grande criatividade, de grande qualidade, que desorganize muito o adversário com esses movimentos. É giro (pela mudança em algumas decisões e pela ajuda que dá à equipa, pela abertura à evolução) mas está muito longe de ser um atleta com diferentes recursos. BD tem um perfil semelhante ao Soares, por exemplo. Ao Mitroglou ou Aboubakar. Tanto Seferovic como Jimenez são bem mais completos do que estes todos. Aliás, o Jimenez na selecção não é o homem mais avançado e nem por isso é o pior em campo – que deveria ser, segundo a vossa lógica de que o mexicano fora da área não dá para nada. O problema principal do Jimenez, na minha opinião, está naquilo que ele pensa que pode fazer mas não pode (o rapaz tem a tendência de se achar o Messi do Pacífico). Porque de resto tem características que o BD nunca teve e nunca vai ter. Sendo que dentro da área são muito fortes, de nível semelhante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*