Hoje metemos o coração em campo

LIVERPOOL, ENGLAND - DECEMBER 31: (THE SUN OUT, THE SUN ON SUNDAY OUT) Jurgen KLopp Manager of Liverpool with Josep "Pep" Guardiola during the Premier League match between Liverpool and Manchester City at Anfield on December 31, 2016 in Liverpool, England. (Photo by Andrew Powell/Liverpool FC via Getty Images)

Desde o início do “Lateral Esquerdo” que se passou a pouca importância para o resultado final, de uma das principais causas invocadas pelo público em geral para o insucesso: A falta de atitude ou de compromisso.

Se uma equipa com melhores jogadores, ou de maior dimensão perdia para uma teoricamente inferior, tudo era explicado pela falta de atitude ou de correria dos melhores. Quem lida ou lidou com atletas, reconhecerá que não há quem entre em campo para perder. Quase tudo se pode explicar pelo comportamento táctico, erros individuais e uma aleatoriedade que está sempre presente no jogo. Muito mais do que uma maior ou menor vontade de vencer.

 

Recordo o livro do Xesco Espar: “Joga com o coração, a excelência não é suficiente”. O autor dá uma imagem muito interessante. A emoção é um multiplicador. Se não tens nada, ou o tens mal trabalhado… então multiplicas por zero e o resultado será zero. A emoção é importante, se junta a outras coisas que são fundamentais. Se trabalhas bem, se os jogadores sabem o que hão de fazer em campo, se estudaste a fundo o teu adversário, se tentaste controlar a ansiedade dos teus jogadores, se tens um plano de jogo… A emoção é importante… mas tem de vir aliada a ideias. Mas ter regularidade e efectividade, as emoções têm de ser trabalhadas de forma coordenada com os restantes factores de rendimento…

Júlio Garganta

 

Uma das “pequenas” coisas que aprendi na passagem pelo futebol foi precisamente que é verdade que não perdes por falta de vontade ou atitude, mas que é possível mexer com as emoções. É possível aumentar a adrenalina e com isso aumentar o foco e a concentração, e ficar portanto aquele um por cento mais próximo de vencer do que antes de tocar nas emoções.

O futebol é um jogo de organização e de talento. A experiência prática trouxe-me a percepção clara de que é ainda mais do que isso. Por ser um jogo jogado por humanos, tudo o que somos conta. Ser inteligente o suficiente para também manipular a emoção para proveito próprio será sempre uma vantagem. Sem nunca esquecer o que refere o professor Júlio Garganta: É um multiplicador. E se não há nada para multiplicar, nada muda.

Mas colocar emoção e coração em cima da inteligência, organização e talento, será sempre um caminho óptimo para o sucesso.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3013 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

11 Comentários

  1. Boa noite. Que bom é continuar a aprender convosco e que bom é a referência ao Xesco, que foi meu Professor no Mestrado de Treino de Alto Rendimento na Universidade de Ed. Física da Cataluna. Que grande Homem. Jogar com el Coraçon continua a seguir-me no meu humilde trajeto. Continuação de bom trabalho!!!

  2. Nao saberei se foi um multiplicador e na minha pregunta tambem queria saber, com a tua experiencia, se os laços de amizade eram fortes a nivel profissional.
    Posso estar enganado mas temo que o futebol infantil com o desaparecimento da espontaneidade ligado à pratica na rua, que era uma escola de vida para o Alberto Camus, venha a ser somente uma academia de aprendizagem e de especialisaçao.

  3. Adorei a ideia de Bielsa de contruir alojamentos de madeira no campo de treino do Lille para os jogadores conviverem muito tempo juntos durante a pré época. Pena minha, com o fracasso desportivo do Lille, é uma multiplicaçao a zero por enquanto…

  4. Eh,eh,eh. Acho que nunca ninguém em Portugal – em Espanha e Inglaterra é diferente, claro: muitos passam a vida a humilhá-lho porque há mais inteligência e tomates – se atreveu a afrontar publicamente Zequinha Tradutor. Mas, cuidado, olha que o Fraudinho é vingativo.

  5. Para aproveitar esse artigo que fala do aspecto humano, tao pouco evocado por aqui, e que na pratica de treinador vem a ser muito importante, queria acrescentar mais reflexao sobre essa dimensao.
    Eu li algures que um antigo jogador do Chelsea Mourinho/primeira época, de quem ja nao me lembre o nome, queixava se do seu novo clube porque nao havia amizades entre jogadores e relembrava os tempos do Chelsea e dos amigos que deixou là; ele agradeceu os colegas/amigos pelo prazer que foi jogar com eles e acabou a anedota elogiando Mourinho porque obrigou os jogadores a conviver uns com os outros.
    Depois de ler esse artigo, relembrei me do Chelsea que ganhou a liga dos campeoes sem o Mourinho e com um treinador ( Di Matteo) que mais ninguem se atreviu a rever. Paolo, falavas de organisaçao e talento a multiplicar com um humano e isso nao està longe disso pensando que, com outra organisaçao sem relevancia, os mesmos jogadores ganharem ao grande Barcelona. Ninguem duvide da superioridade gritante desse confronto a favor do Barça_ diferença individual e coletiva_ mas se havia uma oportunidade de ganhar: era manter a melhor organisaçao defensiva possivel e ganhar os duelos para algumas jogadas mais com o coraçao que com os pés e cerebro.
    Para manter uma organisaçao baixa com o Barcelona é preciso de muita coragem, concentraçao e solidariedade e para ganhar jogadas ofensivas é preciso transcender se fisicamente. Quer isso dizer com qualidades humanas extra futebolisticas puras (Hoje, no Marselha/PSG, o Rabiot, que jogou muito bem, perdeu um duelo facil perto da grande area que apanhou de surpresa a retarguada parisiense e deu o golo marselhese na ultima jogada do segundo tempo deles).

    Esse Chelsea ganhou graças à parte humana acrescentado à organisaçao defensiva; nao é de certo a melhor equipa a jogar, esse tipo de jogar tem muita imprevisibilidade, so se consegue ganhar poucas vezes e de certo nao é um hino ao futebol; mas esse feito do Chelsea vem a demonstrar que mesmo se a parte emocional é a menos importante comparando com o talento e a organisaçao, quando ja nao hà mais nada a esperar com um desequilibrio de superioridade gritante para o adversario , esse aspecto é tambem uma possibilidade para vencer.

    Essa componente do futebol que muitos consideram injusta porque nao ganha a melhor equipa é um piquante a mais desse desporto porque o irracional està sempre presente e dà uma imprevisibilidade possivel a qualquer jogo, e em vez de queixar nos, deveriamos inclinar nos diante das equipas campeas desse desporto tao dificil.

    PS: José, nao entendi tudo o que tu dissestes.

  6. Miguel, já eu entendi nada do que tu escreveste.

    Bem, mais a sério: este post é a primeira crítica pública, embora de forma velada, feita em Portugal às limitações futebolísticas e manobras de diversão do impagável Zequinha Tradutor aka Fraudinho aka Mourinho aka Llourinho. Não por acaso, surge logo após o celebre jogo Huddersfield, 2 – Special, One. A desculpa que o nefasto personagem usou para justificar esse resultado foi aqui desmontada. Capisce?
    Sábado, a desculpa, para justificar o banho de bola que Zequinha irá levar de Poch, será? O Pai Natal? As alterações climáticas? Trump? Aceitam-se apostas.

    (O United ficou conhecido nos anos 50 do século passado como o clube dos Busby Babes; hoje, graças ao talento da fraude de Setúbal, há já quem lhe chame o clube dos Bus Babes – é Zequinha Tradutor a deixar a marca do seu (incomparável) génio por onde quer que passe.)

  7. Não me admira – não foi a primeira vez que o tradutor do United usou essa desculpa quando não ganha. Aliás esse texto, mas melhor, anda a ser escrito em Inglaterra, desde 2004, e em Espanha, desde 2010, vezes sem contra.

  8. E, Paolo, não é preciso detestares estragares-me a opinião – detesta antes o logro que é a massa ignara considerar que um treinador dos regionais tem nível para treinar o Unided. Isso, sim, é detestável.

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  1. Aboubakar – O esforço é inegociável – Lateral Esquerdo

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