Há vida sem Krovinovic? Os cérebros que ligam as combinações, e as mudanças do 433

FUTEBOL - Krovinovic, durante o jogo SL Benfica X GD Chaves, para 19 jornada da Liga NOS 2017/18, realizado no Estadio da Luz, em Lisboa. Sabado, 20 de Janeiro de 2018. (MIGUEL NUNES/ASF) SL BENFICA X GD CHAVES - LIGA NOS 2017/18

Ainda antes da estreia do croata na Liga, referia ao Jornal “A Bola” que o crescimento do Benfica passava pela integração de Krovinovic na equipa.

O croata entrou, e paulatinamente o Benfica cresceu. Foi crescendo sem parar, e hoje vem de uma série de exibições convincentes, como ainda não tinha somado em toda a época. A perda do seu melhor jogador, para lá de Jonas, e recordando o que foi o percurso dos encarnados antes da sua chegada à equipa, poderá fazer temer o regresso ao Benfica amorfo da primeira metade.

Há razões para tal?

Krovinovic provou estar bastante acima, até do que os mais optimistas auguravam. Hoje, a frase de Xavi sobre os predestinados que jogam no meio, faz recordar o jogar de Krovinovic, e a forma como gira com a bola:

De Bruyne y Silva se han adaptado al mediocampo porque son esa clase de jugadores que saben perfilarse en 360 grados, se giran para los dos lados, ven todo el campo… Sané difícilmente podrá jugar por dentro porque no tiene capacidad para driblar o hacer la vueltecita que te da el espacio: ese giro que hace Messi, Iniesta, Silva, De Bruyne, o Gündogan…

Todavia, o Benfica de Rui Vitória cresceu também, e bastante, colectivamente, do ponto de vista ofensivo no seu 433.

A dinâmica ofensiva colectiva que leva a bola a entrar pelas zonas de criação é uma das óptimas ideias, e que tanto volume ofensivo tem permitido ao Benfica ter nas suas partidas.

Para entrar para o espaço entre linhas adversário, a equipa de Rui Vitória cria dois centros cerebrais entre corredor lateral direito e central, e entre corredor lateral esquerdo e central. No seu vértice mais recuado, os pensadores que ligam o jogo por dentro com critério. Pizzi num lado, Krovinovic no outro. A partir dai, a bola chega jogável dentro da estrutura adversária para laterais e alas combinarem. Ou por fora, ou para voltar dentro a solicitar Jonas.

Nada que João Carvalho, não possa no imediato ofertar, pese embora com rendimento possivelmente diferente daquele que era o jogador mais importante dos encarnados, no que concerne a fazer a equipa jogar.

Também a chegada ao último terço sofreu alterações tácticas que tão bem têm resultado. Os alas não atacam segundo poste, aparecem dentro, próximos de Jonas como um segundo avançado, arrastam lateral na marcação e nas costas surge o interior do lado oposto. Foi assim que Pizzi marcou em Tondela por duas vezes e em Moreira de Cónegos. É assim, que o Benfica tem criado indefinição nos adversários quando entra no seu último terço.

A “manta” está, no entanto mais curta do que nunca. A qualidade individual é no somatório do onze um problema se comparado com a dos rivais, no sector mais recuado, e no sector médio, não há mais alternativas credíveis para poderem entrar e manter a equipa encarnada o nível.

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Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

22 Comentários

  1. Vida sem Krovinovic no Benfica atual é como o velho anúncio da então Zon: podia viver sem Zon? Podia. Mas não seria a mesma coisa.

      • Já expliquei na altura, Bouças. Não me vou repetir, até porque podes ir ao arquivo re/lembrar-te. Para além de, mais importante ainda, isso ser completamente irrelevante para o que interessa discutir no momento.

  2. Há várias alternativas, como é óbvio nenhuma tão boa como o krovinovic.

    1) Mesmo modelo e entra o João Carvalho
    2) Entra Samaris/Felipe Augusto/Keaton Parks e passa Pizzi para a frente
    3) Entra Jimenez e altera o modelo de jogo
    4) Entra Rafa a jogar atrás do Jonas

    Espero é que o Pizzi acorde. O Douglas procura dar mais linhas de passe que ele…

  3. Tens alguma opinião sobre os meninos da B? Gedson, Florentino e o João Félix estarão prontos para ir fazendo uns minutos na equipa? Pizzi e João Carvalho não poderão jogar sempre e vão ser necessárias alternativas. E ainda haverá Chrien, se não for emprestado.

  4. nao ha duvida que é uma perda importantissima. Mas penso que o joao carvalho vai dar outras coisas.

    Paulinho no Porto, que achas? o gajo é craque, mas será que vai esstar à altura deste porto? Oliver tb é craque e não joga….

    Montero no Sporting…o regresso de um craque, mas já começam a ser muitos para as mesmas posições, não?

  5. Pese embora a má sorte do Krovinovic que tanto merecia levar a época até ao fim a brilhar, vai ser interessante ver como reage o RV, como reage o João ou outro jogador escolhido caso se verifique provável substituição direta e como reage a equipa em transição e organização ofensiva.
    Se o Benfica conseguir manter o nível das últimas 4 jornadas, para mim o RV fica muito bem na fotografia.

    • Não percebeste…
      É um típico extremo que é melhor a receber a bola só com a linha por trás. Recebe sem pressão e encara o jogador de frente. Tipo Ronaldo. Também é melhor na finta em velocidade. Parado com o defesa pela frente é mais dificil. Normalmente finta em velocidade, usando a rapidez mas nem todos os extremos são assim, obviamente. O Figo era o Rei das simulações e do engano; preparava como poucos os adversários para o momento da finta, quando os deixava para trás. Muitas vezes esperava pelo segundo adversário, preparava-os, e lá vai ele.
      Se estiver no centro do terreno tem uma pressao muito maior vinda de todos os lados. Tem de ter a tal visão (ou percepção do que se passa à volta) de 360 graus e a agilidade, toque curto, capacidade de simulação e de esconder/proteger a bola, a qualidade de passe ao primeiro toque (embora, como tudo, haja um momento para jogar ao primeiro toque e outro para ter a capacidade de reter a bola uns intantes, para dar tempo ao colega de estar em melhor posição).
      Não é à toa que os melhores de sempre usavam o 10 nas costas… e o Ronaldo não entra nesse grupo.

      • O que ali diz é que não sabe driblar, nem receber e virar-se e discordo totalmente disso, o que tu disseste foi outra coisa totalmente diferente e também discordo disso. Vejo o Sané facilmente a sair de espaços apertados com bola, a virar-se, a tabelar com colegas em progressão ou até a desencantar bons passes no meio, simplesmente rende mais na linha porque adiciona a isso tudo uma velocidade que só ele e o Sterling têm no City, mas isso está longe de querer dizer que não tem o resto.

        O próprio Ronaldo já teve fases em que jogava numa posição próxima à de um 10 e também não se saía nada mal, essas ideias “fixas” de que um jogador a jogar em posição X ou Y tem de saber fazer A e B e não C e D é que não dão com nada.

        • Podes ter razão no que concerne ao Sané. Não o conheço assim tão bem. só vi meia duzia de jogos dele e gostei bastante. Tomei como boa a análise do Xavi, mas muitas vezes nem acho grande piada ao que ele diz sobre futebol.
          Puxou a brasa à sua sardinha, a dos medios centros (medios ofensivos e segundos avançados incluídos — os que jogam maioritariamente dentro do bloco). Ele diz que não sabe driblar mas a seguir junta-lhe a voltinha, o resto penso que ficou por dizer – definir os tempos de jogo, etc.
          Quanto ao resto, um 10 para mim é um play-maker e isso o Ronaldo nunca foi. Não me vou alongar sobre isto.
          Também acho que não são ideias fixas sobre o que um 10 necessita saber fazer, é a realidade. A ver se me consigo exprimir melhor: No inicio do Guardiola no Barça, imagino que adorasse jogar em contra-ataque. Com o Messi, Henry, Etoo, etc, se as equipas dessem espaço os jogos acabavam 10 a 0. Ora, as equipas adversárias começaram a meter gente lá atrás e tentar jogar no erro do Barcelona, na saída. Por isso nasceu o Tiqui-taka, como o Guardiola já explicou. O Mourinho foi o que melhor contrariou o futebol do Messi e do Guardiola. Como o fez? meteu a equipa dele toda entre o Xavi e o Messi. Tentava pressionar alto mas mal a bola passava a primeira linha, recuava imediatamente toda a equipa para trás da linha da bola. Nesses casos, o 10 tem de saber jogar da maneira que eu digo. O problema do Messi/Guardiola era que ele jogava a falso 9 (um 9 que recua quando necessário para jogar a 10, como faz o Jonas agora). Aliás, o primeiro a meter o Messi a jogar no meio foi o Maradona, no Mundial. Até lá jogava na linha, à boa maneira do Barça. Finalmente, nos ultimos tempos tem jogado a 10. Antes tambem o fazia, houve até um momento em que jogava livre, em todo o campo, que é, na minha opinião, como os génios do futebol devem jogar.
          Será a única maneira de ultrapassar defesas que povoam o centro? Não, enquanto houver imaginação as possibilidades são infinitas, desde que funcionem na realidade. Não vai por dentro, vai por fora. O Real do ano passado fazia-o muito bem, jogava no campo todo. Não ia por baixo, ia por cima. E é também por isso que o Ronaldo é tão valioso. Com o excelente jogo aéreo que tem, a bola pode muito bem ir por cima. mas na minha opinião o centro do terreno é a parte mais importante, a que está mais perto de udo e ds balizas, que tambem estão colo9cadas ao meio. É o centro das operaçoes. Um bocado como o Xadrez.
          No entanto, o Ronaldo está mais dependente da equipa do que o Messi, embora todos estejam em certo grau. Ninguem joga sozinho. O Riquelme explicou bem quando disse que o Messi não tinha os apoios necessarios na seleçao, os tais com que contava no barça.
          ja vai longo …

  6. Na minha opinião o João Carvalho pode dar a assertividade de decisão que o Krovinovic vinha dando. Tem técnica e visão de jogo para isso. Talvez ele e Keaton Parks sejam os jogadores mais parecidos ao Croata que o Benfica tem, pese embora claro algumas diferenças.

    O Croata já vinha demonstrando um certo entrosamento e intensidade que vai demorar um pouco ao seu substituto a ganhar.

    Para alem destes dois jogadores Rui Vitória pode também apostar em Rafa e Zivkovic. Tem criatividade velocidade e qualidade técnica que até podem dar mais alguma coisa ofensivamente. Seram talvez as melhores opções para ficarem ao segundo poste quando o extremo junta a Jonas.

    Será bastante interessante perceber como Rui Vitória vai trabalhar esta situação.

  7. E o Porto emprestar o Oliver, como já foi sugerido num blog Benfiquista? =P

    Por acaso concordo com o Ricardo, claro que se pode jogar sem Krovinovic, mas não é a mesma coisa. Como não é a mesma coisa o City jogar sem De Bruyne, o Barça sem Messi, o Real sem Kroos (ande sói óni, ande sói óne…).

    Penso que, pelos comentários recentes, está aberto o espaço para João Carvalho começar a somar minutos. O que por outro lado poderá abrir uma vaga nos treinos para o Chrien (ou um dos putos da B). Zivkovic parece não contar (nem ao banco vai). Uma alternativa mais exótica poderia ser a entrada do Rafa para a esquerda, com o Cervi a jogar mais dentro.

  8. É a primeira vez que comento, mas sou um seguidor atento. Sou benfiquista, mas leitor atento de todos os post’s porque aqui fala-se do que realmente interessa, futebol! 🙂

    Maldini, concordo em absoluto com a análise. Este Benfica em 4x3x3 parece-me claramente outra equipa de jogo para jogo…e nos vários momentos do jogo. Até aquela “permeabilidade” inicial no corredor central na pressão à saída do adversário parece ser cada vez menor. Acredito que isso terá a ver com o maior entrosamento entre o Pizzi e o Krovi.

    Mas agora tudo muda…sem Krovi a única opção viável para o lugar será o João Carvalho. Acompanho-o desde sempre na formação do Benfica e até acho que o “salto” para sénior lhe trouxe algo que ele não tinha, que era uma consciência de equipa completamente diferente. Já parece ser um jogador permanentemente interessado no jogo, no entanto, é um jogador com uma intensidade diferente do Krovi.

    No que achas que o Benfica poderá ficar “não tão forte” com esta previsível alteração?

    Obrigado!

  9. Krovi é crack, qualquer equipa sentiria a sua falta, o que não invalida que a vida e o futebol continua sem Krovi, e a continuação da excelência de futebol apresentada contra o Chaves, também se manterá, até porque não é uma andorinha que faz a primavera, entre João Carvalho, Keaton, ou até mesmo puxar um Ziv ou um rafa mais para o centro….não, meus caros, contra o vosso desejo a excelência continuará….
    …vá, e um post sobre a excelência do trabalho de Rui Vitória? Rui, tens que ser mais agressivo, a malta não curte gajos educados…agora post’s sobre JJ o Pavão, são muitos e com adjetivos que até o Guardiola deve invejar….
    RV, é um bonzinho, Aproveitador (de trabalhos dos outros), se não fosse o Luisão aquela defesa era uma treta, vive da qualidade dos jogadores que tem (isto quando corre bem, quando corre mal são todos uma treta) etc, etc….. Haja paciência Patron!!!

  10. Krovi é um jogador do caraças e que apesar da lesão anterior entrou muito bem na equipa e demorou pouco tempo a deixar um grande impacto. No entanto, considero os adjectivos ao plantel do Benfica exagerados pela negativa. Há alternativas credíveis, seja na equipa A ou na equipa B. E mesmo sem recorrer à equipa B há coisas boas para retirar dos jogadores, como demonstram os últimos jogos. O plantel do Benfica sempre valeu muito mais do que tinha demonstrado até há um mês atrás. Jogadores como Zivkovic, Seferovic, Jimenez ou Rafa têm pouquíssimos minutos, já para não falar no João Carvalho. Com apenas uma competição para jogar até Maio não há motivos para se falar em falta de opções.

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