Os Fura-Linhas: o Trapalhão e o Quarterback

Com um registo imaculado no Boxing Day (cinco vitórias e dois empates) José Mourinho, e os seus Spurs, chegaram ao emocionante 26 de dezembro vindos de uma derrota caseira frente ao Chelsea de Lampard, que confirmou as carências de um Tottenham assolado por um início de época totalmente castrante. E com um perigoso Brighton pela frente, sem Son e com Eriksen no banco, cedo se confirmou a falta de criatividade de um ‘duplo-pivot’ que guiou, durante largos minutos, a falta de ideias do Tottenham.

Winks e Sissoko foram a imagem de um jogo aos repelões, e de um Tottenham que nunca conseguiu congelar totalmente um oponente que fazia uso quer da posse-de-bola no meio-campo defensivo, quer do poder aéreo, para tentar que os seus intentos materializassem algo parecido com o resultado da 1ª volta. E tal qual ‘seagulls’, foi pelo ar que conseguiram com que os Spurs não saíssem do registo mental da partida contra o Chelsea. Para isso seria necessário outro plano: partir o tal duplo-pivot e quebrar as linhas bem juntas que Potter desenhou para a 2ª metade.

E como sabemos, há várias formas de as furar. Mas sendo que a trapalhada de Lucas Moura – que deu origem ao golo do empate – não é o método mais eficaz na maioria das vezes, o recurso ao paciente Rei da Dinamarca teria que ser assinado por José. E como que por magia, após a entrada de Eriksen, tudo mudou. Fixando-se na zona central, a bola deixou de queimar para passar a ser endossada com a precisão de um Quarterback de elite. E sendo que a nova aposta da saga All or Nothing tem sede em White Hart Lane, talvez Christian tenha seguido as emocionantes temporadas onde brilham os Arizona Cardinals ou os Dallas Cowboys. Talvez seja isso ou somente o talento puro de alguém cuja situação indefinida pode fazer perigar o estatuto e plano de Mourinho contra equipas cada vez mais bem organizadas defensivamente e bem perigosas ofensivamente. Pede-se mais a Sessegnon, espera-se mais de Lo Celso, doseia-se mais a falta de temporização de Kane e clama-se por mais companhia para Alli e Son. E estes são só alguns dos problemas/soluções que em 5 meses que lançarão as bases para uma equipa que terá forçosamente de ser mais sólida para conquistar o que augura. Mas esse é um sólido que prescinde de duplos-pivots que não criam e estão demasiado desposicionados para destruir. Passará por outro recurso a ‘sorte’ de Mou no Norte de Londres, sendo que o paradigma para proteger a equipa neste mau momento terá de ser totalmente diferente daquele que se viu em Old Trafford. Em White Hart Lane sobra o feeling que a equipa terá de ser desamarrada e não o contrário.

Tottenham-Brighton Hove&Albion, 2-1 (Kane 52′ e Delle Alli 73′; Webster 37′)

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