Quando marcar (também) não chega

Seria impensável prever que Bruno Lage tivesse a ascensão meteórica que fez o Benfica terminar a época passada a festejar no Marquês. Dentro da mesma linha seria impossível adivinhar que depois de terminar a 1ª volta com somente três pontos perdidos, Bruno Lage tivesse que lidar com um descalabro pontual que, com 8 jogos por disputar, o fazem tremer num lugar que de interino passou a seu por direito próprio. Mas da chama vitoriosa que catapultou a equipa depois do fim de ciclo de Rui Vitória restam agora as cinzas. Cinzas essas bem semelhantes às que o seu antecessor espalhou no mesmo estádio em que, nesta noite, o campeão nacional se viu, como já vem sendo norma, empatado.

E se, na passada semana, a finalização subiu ao trono da culpa, desta feita, e sem muito fazer por isso, as águias ‘apanharam-se’ a vencer sem, em abono da verdade, fazer muito por isso. Não houve o forcing que se esperava, como não houve o domínio e o controle que há muito se perderam sempre que os encarnados sobem ao relvado. Assim, são já imagem de marca os longos momentos em que a equipa de Lage vê o adversário jogar. O real problema é que contrastando com a sólida organização defensiva da passada época (e que garantiu que as más exibições não beliscassem o fabuloso registo pontual de Lage) nesta época, a estratégia de baixar (porque poucos duelos a águia ganha e porque a sua pressão é praticamente ineficaz) o risco de o ver jogar é bastante mais elevado que noutras luas mais favoráveis a jogar de águia ao peito. Um risco que, apostamos, só não foi maior na 1ª metade porque o Portimonense usou dos largos minutos que teve a bola para a pontapear, sem critério, para o meio-campo contrário. Ideia essa que impossibilitou que os algarvios pudessem sequer esboçar reação a dois golos sofridos por displicência na meia-esquerda defensiva.

Algo que mudou na etapa complementar quando Paulo Sérgio ordenou uma construção mais ligada e que permitiu finalizar jogadas. Ainda que não redundando em golo, a mudança de ideário permitiu aos alvinegros passar mais tempo na metade ofensiva, algo que não só criou os pontapés-de-canto que originaram os dois golos, como deixaram o Benfica a quilómetros de encontrar o terceiro golo. Algo que, obviamente, mudou depois do empate, com os encarnados, finalmente, a fazerem algo parecido com o que se esperava no final da partida. E aqui Lage terá de fazer ver aos seus que os resultados não mais virão de encontro ao Benfica, sendo que a atitude passiva e tranquila de esperar que a superioridade colectiva e individual se faça sentir, terá de dar lugar à procura constante de ter o jogo preso por total controlo, por total protagonismo, por total desejo de ser campeão. Porque uma coisa é querer, ou pensar que se tem de ser por direito próprio, outra coisa será sê-lo passando uma época inteira com uma qualidade de jogo (ofensiva e defensiva) a roçar o sofrível.

Portimonense-Benfica, 2-2 (Pizzi 18′ e André Almeida 31′; Dener 66′ e J. Tavares 76′)

7 Comentários

  1. É confrangedor ver o Benfica jogar.
    Joga por fora de forma inconsequente ou joga por dentro de forma atabalhoada, e, sempre que o faz, a perder o equilíbrio.
    Confesso que me lembro muitas vezes (e já nas últimas jornadas da época passada, também) da descrição que foi aqui apresentada, antes do primeiro jogo davera Lage, das ideias de jogo base que o caracterizariam. E bate certo. Equipa demasiado aberta e a jogar por fora é a ideia confortável para a equipa, tudo o resto é desequilíbrio.
    Só com Felix/Jonas não foi assim e não me parece que não haja qualidade suficiente no plantel para fazer bem mais atualmente neste aspeto.
    Claro que houve esta pausa enorme, mas antes já assim era.
    Será que o Lage vai conseguir dar os passos necessários?

  2. Até concordo com o texto. Mas se não tivesse havido as 2 lesões na defesa, que intranquilizou e desconcentrou a equipa, o Benfica tinha ganho o jogo e a conversa era diferente.

  3. Uma solução simples é saírem Almeida e Pizzi, a equipa melhoraria muito. Um é bastante limitado tecnicamente, o outro fisicamente, o que faz o Benfica perder muitas bolas. Além de serem eles quem está a minar o balneário, mas isso é outra conversa

    • Nao concordo. Sobre o balneario é especulaçao e isso pode destruir. Sobre o pizzi e o almeida serem os eles mais fracos tambem nao concordo pois nao existem melhores. Existe problema de intensidade, controlo de jogo, profundidade. Nao se ve nenhuma ida à linha de fundo e cruzar! Em pressao interior junto à grande area adversaria nao se remata ou tabela e procura-se o jogo lateral contribuindo para acalmar e atrasar!! Muito passe sem objectividade e sem controlo do adversario.

  4. Isto é a prova final da qualidade do Benfica nesta época, no jogo anterior jogou e dispôs de oportunidades para fazer um bom resultado passado uma dias faz um jogo fraco a deixar a cru todas as lacunas. Uma equipa de topo não pode nem de perto ser tão irregular.
    Lage teve todo o tempo do mundo para preparar esta volta final o que quer dizer que ou falhou na preparação dos jogadores ou falhou na preparação da época toda porque não formou a equipa que devia ter formado , isto apesar de dispor do orçamento que outras equipa não têm nem de perto.
    Falhou e seja qual for o resultado final , o Benfica é uma sombra daquilo que já representou recentemente. Mal de mim estar a declarar o Lage como um mau treinador ( talvez tb está a fazer o seu caminho e a aprender) , simplesmente no Benfica não se vive de empates e a pressão de ganhar com boas exibições é altíssima por isso é que não é para todos, é só para os melhores.

  5. O problema de ontem foi a lesão do Jardel (nunca pensei dizer isto), a entrada de ferro nas bolas paradas e um problema porque todos os lances são cruzamentos para a sua zona e raramente ganha uma bola. Se Jardel é limitado na saída de bola face ao ferro da outras garantias no jogo aéreo porque não tem medo de se expor fisicamente (daí as inúmeras lesões de choque de cabeça com cabeça em que sai todo amassado). E que dizer do Gabriel e aqueles seus passes picados que tiram um treinador do sério …. o querer jogar bonito da asneira na maioria das vezes. Um elemento chave como o samaris faz falta porque era um jogador o ano passado que com todo aquele pendor ofensivo da equipa matava as jogadas com faltas logo no meio campo adversário, o que temos hoje e as jogadas a serem mortas perto da área que depois em termos de jogo aereo e tudo jogado pra zona do ferro umas vezes da logo em golo outras e na continuação das jogadas. O lage desiludiu é muito está temporada ….

  6. Não vi o jogo, quer dizer, vi a segunda parte e mal vista, por isso não tenho grandes comentários a fazer.

    Os problemas de organização colectiva do Benfica são antigos e já tinham dado um ar da sua graça no ano passado (Portimonense em casa, todos os jogos da Liga Europa tirando na Turquia, entre outros). Só que, se por um lado a equipa estava com muita confiança a partir das primeiras vitórias e o João Félix, sim, o Félix é único e por isso foi vendido por 120 milhões, também o treinador estava e continua a estar em aprendizagem, desenvolvimento. Por isso eu esperava que, nesta senda, o homem continuasse a evoluir as suas ideias, a sua liderança e que fosse capaz de negociar, digamos assim, um plantel de qualidade para a época 19-20.

    Acontece que hoje, mesmo com todas as reviravoltas que o mundo deu, nenhum destes dois pressupostos foram cumpridos: nem o treinador mostrou evolução no seu trabalho (pelo contrário, tem-se agarrado com unhas e dentes à mesmice, a um futebol de baixa qualidade colectiva, a equipa joga by the book sem qualquer rasgo físico, técnico ou outro), nem o plantel tem a qualidade individual e a pedalada que se pretende.

    Não sei, por várias razões (desde logo porque não estou lá para ver, ouvir e sentir as pessoas e as suas opiniões), se a dispensa do treinador é a solução para um problema mais complexo. Até porque nesta fase, depois de três meses sem competir e treinar em condições, é complicado retirar grandes conclusões. Até ao fim do campeonato teremos muitas surpresas.

    Mas sobretudo urge afinar a política desportiva e contratar outro tipo de jogadores, especialmente do meio-campo para a frente (não vale a pena agora olhar para o Boto como o salvador, gosto muito do que conheço do senhor mas ele trouxe o Seferovic, por exemplo, portanto não há figuras sem auto-golos marcados).

    Há ali muita tralha banhada a ouro com pepitas de chocolate. É preciso coragem para tomar decisões e dizer ao Jardel, Rafa, Gabriel, Almeida, Pizzi, Seferovic, Ferro, Samaris e outros que ou aceitam um papel menos importante ou então é melhor partirem para uma realidade diferente. São bons jogadores mas não passam da mediania.

    Sobre as alternativas, algumas estão dentro do clube: Florentino, Tomás, Dantas e outros miúdos que conheço mal (Bernardo, Rafael Brito, por exemplo) devem fixar-se no plantel principal enquanto opções concretas. Para além do Pedrinho, talvez exista espaço para Krovinovic (nunca compreendi a falta de cuidado do treinador com este atleta), mesmo assim a próxima época necessita de talentos evoluídos – o Luis Diaz custou apenas 10 milhões – e de um ou outro jogador com andamento e potencial físico (para central, por exemplo, um ou outro extremo/avançado com este perfil: Diogo Gonçalves?, é um exemplo, julgo que seria uma boa opção para dar andamento e concorrência ao corredor, seja a extremo ou a lateral).

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