Um Benfica europeu

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Jesus numa visão “Fergusiana”. Um 4x4x2, bastate próximo do que caracteriza o United. Perante adversários mais poderosos, a solução terá de passar sempre por um “falso” segundo avançado. Ferguson usou Kagawa. Jesus, Gaitán. 
Ajuda a fechar um pouco mais o corredor central e ganha mais dinâmica e qualidade na saída para o contra-ataque.
Matic e Enzo enormes no meio campo. Agressivos defensivamente, sempre no espaço certo e sempre capazes de sair para o ataque com bola. A lesão de André Gomes terá ajudado de sobremaneira ao sucesso final. O português não tem a minima agressividade defensiva (chegar rápido diferente de bater). Move-se lentamemente para os espaços que deve ocupar, e ofensivamente não acrescenta nada. Muito pelo contrário, as suas perdas na primeira parte foram o principal alimento do ataque do Leverkusen.
Bastante forte defensivamente o SL Benfica de Jesus, sempre que assume uma postura de organização defensiva. Mesmo que seja importante recordar que o Leverkusen sendo uma equipa de nível Europeu em organização, individualmente é uma equipa onde o talento escasseia. Tudo muito rotinado, pouca criatividade, e portanto passível de ser controlado por bom cohecimento e organização. Os extremos a acompanharem individualmente as subidas dos laterais adversários. Os médios sempre em constantes compensações (quem sai, quem fica?) e a linha defensiva extremamente assertiva (que jogo sublime defensivamente de André Almeida). A excepção terá sido o último lance do jogo. Melgarejo evitaria o empate, sobretudo porque quando Luisão disputa a primeira bola no ar, ao contrário do habitual, Matic não baixou para a linha defensiva.
Destaques individuais:
O quarteto defensivo. Todos a um nível elevadissimo. Surpreendente o nível a que Almeida se tem exibido. Posicionalmente há muito que controla a largura. Sem falhas na profundidade há vários jogos.
Matic. Sempre o melhor do Benfica. Escasseiam palavras para descrever a sua qualidade. Criatividade, inteligência, capacidade técnica, física e táctica. Depois de James é o melhor jogador do campeonato português. A Alemanha ficou a conhecê-lo depois de mais uma exibição tremenda em todos os momentos, em todas as fases.
Enzo. No corredor central, não tem a aura nem a classe dos médios de nível europeu ou mundial. É todavia bastante agressivo e inteligente na ocupação do espaço, além de que pela boa capacidade técnica encontra sempre forma de dar saída aos ataques da sua equipa. Num modelo desgastante com apenas dois médios, é o homem certo no lugar certo. Defensivamente e ofensivamente. É um dos insubstituiveis no SL Benfica.
Gaitán. É ali que o seu talento explode. Com dois centrocampistas nas costas preparados para reagir às suas perdas, a equipa está preparada para o “arriscar” do seu maior talento. Move-se a toda a largura e a sua qualidade técnica vai desviando adversários do caminho. Todavia precisa de melhorar na forma como define alguns lances. Contra o FC Porto, depois de deixar cinco adversários para trás, em situação de 2×1 com Cardozo, explorou a profundidade do paraguaio e perdeu-se um ataque de potencial perigoso enorme. Hoje, em nova situação de superioridade numérica impunha-se que conduzisse até bem próximo do adversário, o fixasse e soltasse em Ola John, isolando-o. O passe saiu cedo de mais e Ola John não ficou na cara do guarda redes, no lance que poderia ter ditado mais um golo na Alemanha.
Voltaremos com lances concretos da segunda vitória em terreno alemão do SL Benfica.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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