Condicionar à distância - Transição defensiva

Num lance que, aparentemente, tinha tudo para acabar numa finalização, é a forma como os centrais se comportam que vai garantir o sucesso defensivo.

Welthon vai conduzir por dentro. Pela velocidade com que o faz, no início do lance, existem duas ameaças exteriores. Samaris fica de fora da jogada com uma facilidade que já não surpreenderá os nossos leitores. Lindelof e Luisão, decidem controlar as opções exteriores, deixando o portador conduzir por dentro. Welthon conduz de forma rápida e, a determinada altura, para ligar em passe, só sobra o jogador à esquerda do portador. O que faz Luisão? Continua a orientar o portador para dentro mesmo que isso abra possibilidades a um remate exterior. Quando Welthon decide arrancar, de forma a ultrapassar os dois centrais, por dentro, já sem opções de passe, Luisão aproxima e faz o desarme.

Conscientes de onde estavam as ameaças, os centrais do Benfica nunca se deixaram atrair. À medida que se iam aproximando da baliza, foram também diminuindo o espaço entre eles. Condicionaram as opções exteriores e na hora certa, fecharam o caminho para a baliza. Não há regras no futebol. Por principio, fechar o meio até poderá ser a prioridade mas a verdade é que nem sempre o é. Entender o contexto específico de cada situação é fundamental para decidir com qualidade.

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 56 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

11 comentários em Condicionar à distância - Transição defensiva

  1. Parece.me que o avançado do paços, podia ter tocado na esquerda e receber mais à frente de primeira. Isso iria tirar o luisao da jogada e iria obrigar o lindelof a encostar mais ao centro, abrindo espaço ao centro para o terceiro jogador do paços.

  2. Mérito para o Luisão. Mas é uma má decisão do avançado do Paços. Pausem aos 8 segundos e vejam. Não tinha de fazer um passe para o espaço. Passe no pé do jogador à esquerda e este tem finalização em frente ao GR. O Luisão esteve bem ao criar dúvida no atacante, mas a forma como tinha o seu corpo orientado não lhe permitia recuperar se o passe saísse para a esquerda (volto a dizer, para o pé e não para o espaço).

    • Aos 8 seg o condicionamento do Luisão no corredor esquerdo faz com que o passe à esquerda só consiga sair muito atrasado, no pé. É este condicionamento que o autor refere. Ele podia ter passado antes, mas o Luisão não seria retirado do lance nesse caso.

    • Claro que é mal feito pelo avançado. Está 3×2 com bola e espaço no corredor central. O que o Bruno diz é que o avançado é bem condicionado e a sua decisão dificultada ao máximo por um excelente comportamento dos centrais.

  3. Para já, nunca esteve 3 contra 2. No maximo 3 x 4. Se a bola entra na esquerda, o Luisão pega nele, o Lindelof pega o do meio e o Eliseu pega no outro. Ficaria livre o que vem na direita, mas só se tivessem feito um compasso de espera. A abébia do Samaris andava lá a ver se a bola ia ter com ele por um mero acaso.

  4. Samaris não criou o equilíbrio defensivo no miolo. Luisão criou a dúvida ao portador da bola, temporizando o reposicionamento da equipa. Se a bola entrasse na esquerda, também não havia problema, Luisão ficava na esquerda, Lindelof cobria o anterior portador da bola e Pizzi/Semedo fechavam a zona interior.

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