Ribeiro. Após 100 jogos na Liga.

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Parece incrível como após 100 jogos na Liga, Jorge Ribeiro ainda não tenha aprendido a ocupar o espaço defensivo. É certo que ter em Jaime Pacheco uma referência, nunca é um bom pronúncio. Contudo, mais de meia época volvida, com Quique, é confrangedor perceber que Jorge Ribeiro não evoluíu nada. Ao contrário de todos os seus colegas de sector.

O não cumprimento de Leo com as ideias de Quique (não abdicava de dar profundidade no corredor lateral. Quique pretendia, em muitos momentos, que servisse somente de apoio ao ala, portador da bola) conduziu Jorge à sua estreia em Paços, numa exibição horrososa.

Batido em quase todas as situações. Umas fruto do seu mau posicionamento (sempre muito afastado de Sidnei, consentido as diagonais do extremo adversário), outras por ser driblado (essencialmente por más abordagens aos lances). Na Mata Real valeu Sidnei, autêntico pronto-socorro, sempre muito forte nas coberturas, a páginas tantas, parecia ser o defesa esquerdo.

Contudo, a sensivelmente 15 minutos do término da partida, Ribeiro, num momento de inspiração, fruto da sua melhor característica (o bom pé esquerdo), obtém um golo notável. Seguem-se Sporting e Nápoles, equipas que habitualmente não jogam com extremos, que pudessem explorar a grande lacuna de Ribeiro (o deficiente posicionamento). o Benfica vence, Ribeiro ganha confiança e vai somando jogos. Mais do que aqueles que a sua qualidade fariam supor.

Porém, uma volta volvida, o mesmo Paços de Ferreira volta a colocar bem latentes, as fragilidades de Jorge Ribeiro. Que vão bem para além da sua lentidão de processos.

No primeiro momento, o seu erro tipico. Permance demasiado sobre o corredor lateral, mais afastado de Sidnei do que o que seria expectável. Erro que permitiu ao Paços solicitar uma diagonal do extremo. Num segundo momento, enquanto Sidnei realiza a contenção, preocupa-se erradamente com uma linha de passe e não realiza a cobertura defensiva, que lhe teria permitido, sair para a contenção, ao autor do golo.

P.S. – Bom jogo do SL Benfica, em termos de segurança nas transições ataque-defesa. Tirando um ou outro deslize (que terminaram invariavelmente em ocasião de golo, ou golo), pareceu ser o jogo em que o Benfica menos ataques e remates consentiu. Apesar dos dois golos sofridos.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3011 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

3 Comentários

  1. Concordo que o Benfica tenha estado relativamente bem na componente transicional.
    Mas, ao contrário, quando o processo ofensivo do Paços se dava através de ataque organizado, as linhas do Benfica nunca conseguiram ser suficientemente eficazes.

    Para isso obviamente contribuiu Jorge Ribeiro. É claramente o jogador menos deste Benfica. Aí concordo com o que referes. Principalmente pelas suas clamorosas dificuldades de aproximação ao central.
    Léo também tinha as mesmas dificuldades.

    E parece-me que na próxima época, JR não terá grande futuro na Luz.

  2. “No primeiro momento, o seu erro tipico. Permance demasiado sobre o corredor lateral, mais afastado de Sidnei do que o que seria expectável. Erro que permitiu ao Paços solicitar uma diagonal do extremo. Num segundo momento, enquanto Sidnei realiza a contenção, preocupa-se erradamente com uma linha de passe e não realiza a cobertura defensiva, que lhe teria permitido, sair para a contenção, ao autor do golo.”

    Concordo especialmente com o segundo momento. No primeiro, não é tanto o estar afastado do meio, mas mais o estar demasiado subido em relação à restante linha defensiva. Agora, no segundo momento é anedótico. Não estava a fazer nada ali e permitiu que se criasse uma linha de passe para Ferreira finalizar.

  3. Concordo. Tal como apontei a Maxi no princípio da época estes mesmos erros e que deram vários golos dos adversários. Nesse caso, não foste tão cáustico. Enfim, o olhar tem sempre algo de parcial, quer queiramos quer não.

    O Ribeiro, como defesa-esquerdo, não tem hipótese neste Benfica. A única forma de ter alguma (se é possível ter alguma) é mais à frente: seja a extremo (passando Reyes para a direita), seja a interior, num losango. Claro que estas alternativas seriam para jogos de menor dimensão. Como o Benfica já não terá desses jogos, o melhor é mesmo ficar sentadinho. No banco, não faz disparates.

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