O burro é mesmo ele

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Texto recuperado de 6 de Junho. Sempre actual.

Se dúvidas houvesse, o onze inicial de Carlos Queiroz dissipa-as.

A opção por dar primazia a atributos físicos na escolha de um onze, nunca é a melhor. Piora, quando quem a faz, é seleccionador num país de jogadores talentosos.

É inconcebível que num jogo desta natureza, em que a selecção portuguesa deveria dar especial relevância à circulação de bola (de corredor a corredor), e à velocidade da mesma, como forma de explorar de forma eficiente o espaço defensivo albanês, Queiroz coloque Pepe como médio defensivo, que abdique da astúcia e talento de João Moutinho e Simão, e que continue, com a bizarra aposta em Hugo Almeida, que somente é útil (e não muito) no momento de finalizar.

Das características típicas da selecção portuguesa da última década (de 96 a 2008) nada sobra. Abdicar do talento, da inteligência e da velocidade de execução, para apostar na força, não só colocará Portugal fora do Mundial, como tornará, esta, uma equipa só de Queiroz e de mais dois ou três mentecaptos.

PS – O jogo está no intervalo e Portugal está empatado. Contudo, o presente texto será válido, independentemente do resultado. Ainda que Portugal vença (nem se espera algo diferente). Mesmo que com um hat-trick de Hugo Almeida.

PS II – A incompetência de Queiroz é de tal forma atroz, que só pelo facto de ter descaracterizado todo o futebol nacional, não deveria continuar no cargo. Nem mais um dia.

PS III – Se quer ir ao Mundial com Queiroz ao leme, e consegue justificar a aposta no músculo em detrimento do talento e criatividade, a caixa de comentários está ao seu dispor…

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3011 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

7 Comentários

  1. Sem esquecer que Queiróz é o mestre das substituições estúpidas. Quando Nani se mostrava o mais motivado dos portugueses, tira-o para colocar Coentrão. Deu que Portugal não mais conseguiu chegar à frente com perigo.

  2. pois, so que ontem o pepe foi o melhor jogador em campo…erro erro seria por o moutinho como tu sugeres, esse nem nos sub21 se ainda tivesse idade tinha lugar

  3. não… não é só ele o burro!

    Estes jogos desta eliminatória não são para se fazerem esse tipo de comentários e análises.

    Isto não faz parte de uma prova de regularidade. Isto é um "bota-fora" e nessa lógica não é para se jogar bem… aliás nem é para se jogar… é para ganhar.

    Numa prova de regularidade o adversário é sempre única e exclusivamente a própria equipa, a sua capacidade para evoluir, jogar com eficiencia e eficácia, ganhando e pontuando.

    Numa eliminatória há um adversário directo… não há margem para erro, não há tempo para recuperar. Numa eliminatória não perder é sempre GANHAR… Numa eliminatória o objectivo é não perder… a eliminatória!

    Há que repensar que nem sempre é tempo de bater nas equipas… mesmo as substituições pensadas na lógica de poupança de energia e gestão para o jogo de 4ª feira… fizeram todo o sentido e com total eficácia.

    Só podemos apontar que Portugal não soube gerir o jogo convenientemente e colocar a Bósnia à distância…. tudo o resto são tretas… ganhamos e não sofremos um golo do melhor ataque da fase de grupos.

  4. Que as coisas não têm corrido bem todos sabemos mas daí a chamar mentecapto ao Carlos Queiroz vai uma grande distância.

    Pela primeira vez discordo com o autor do blog já que reconheço grande capacidade ao nosso actual seleccionador.

    Devemos ter em consideração o momento em que o Prof. chegou à selecção estando esta já completamente descaracterizada e sem fio de jogo.

    O Sr.Scolari após aproveitar o núcleo duro do FCPorto de Mourinho não fez mais do que ir lentamente deixando definhar a equipa.

    A herança é pesada e não ficaria escandalizado se não fossemos ao Mundial…afinal quer queiramos quer não não somos nenhuma potência do futebol mundial…estamos é mal habituados.

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