Génios à solta

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Fraco, ainda, o colectivo do SL Benfica. Apenas o tradicional 4+1 defensivo demonstrou eficiência. O que não deixa de ser de se louvar, se pensarmos que Garay tem dois dias de trabalho com Luisão, e Emerson é também um novato.
A ligação com a restante equipa continua insuficiente. Particulamente nos momentos em que a fadiga se instala. Ontem, a partir de determinado momento, a equipa voltou a partir-se ao meio. Nota-se, também, uma nova tendência em Jesus, diferente do que o levou ao sucesso em Belém, em Braga e no Benfica. Parece agora consciente, que a aproximação ao trinco deve ser feita pelo número dez, e não pelos interiores. Onde no passado se via Amorim, Alan, Peixoto, Ramires e Di Maria, preocupados em fechar dentro, agora parece existir um novo conceito. É o dez que baixa, para um 442, não clássico porque Javi continua a ligar os sectores. Uma nova tendência que francamente, não parece trazer nada de benéfico em relação ao passado, mas, que com um jogador do nível elevadíssimo de Witsell, pode poderá perfeitamente funcionar. Particularmente na realidade da liga portuguesa, claro.
O entrosamento ofensivo foi praticamente nulo, e ajuda a explicar os poucos lances de finalização que o Benfica teve, especialmente se nos lembrarmos da qualidade individual que abunda como nunca.
Dificilmente tal entrosamento não chegará. No passado, Jesus já demonstrou competência, e até excelência nesse campo, e seguramente que o entrosamento chegará, e que no Estádio da Luz será possível assistir a exibições entusiasmantes e a golos sem fim. A questão é se tal acontecerá em tempo útil. Tal foi o tempo desperdiçado na pré-época.
Destaques individuais
Enzo. Aqui foi comparado a Simão. No jogo com os turcos, voltou a demonstrar o porquê dessa comparação. Não sendo um jogador de classe, como nunca foi Simão Sabrosa, é um atleta de rendimento. Muito rápido, boa técnica, é um verdadeiro desequilibrador. Ao contrário de outros colegas, aparentemente mais talentosos (Gaitán, à cabeça), parece garantia de maior regularidade, sempre a um patamar de rendimento elevado. Não engana, paulatinamente perderá a timidez e será um jogador de futuro imenso num Benfica que se pretende muito forte.
Garay. Novamente a um nível elevado. Imponente fisicamente, intransponível no ar e rápido sobre o portador da bola, tem tudo para marcar uma era no Benfica. A qualidade técnica é um extra muito apreciável, que se revelará importante na saída de jogo dos encarnados.
Gaitán. Génio! Mas, tal como tantos outros, é displicente e irresponsável. Difícil confiar no argentino. Dribla quando não deve (em momentos em que não há um apoio atrás capaz de sair para pressionar rapidamente o portador da bola, quando o drible é mal sucedido), e passa imenso tempo longe do jogo. Numa perspectiva de talento bruto e creatividade é inegavelmente dos jogadores com mais classe que já passaram pelos relvados portugueses. É um sonho para todo o adepto de futebol, mas não necessariamente para qualquer treinador.
Nolito. Não se pode concordar quando Jorge Jesus garante que Nolito joga de forma demasiado individual. Não foi esse Nolito que vimos nos primeiros jogos. Quem vimos, responde e procura a tabela, solta a bola e joga para a equipa. Teme-se, porém, que o continúo estatuto de suplente possa alterar o seu jogar, na tentativa de maior notoriedade. Impressionante a forma como recebeu, enquadrando com a baliza, no meio de dois turcos, momentos antes de soltar em Aimar, na jogada que terminaria com a bola ao poste de Saviola. Joga e faz jogar, é um caso de sucesso rápido.
Witsell. Nota-se que ainda não está bem enquadrado e que procura, com a ajuda dos colegas perceber que espaços ocupar. Mas, também se adivinha uma qualidade ímpar. Extraordinário do ponto de vista físico, tem grande mais valia técnica e sabe definir com muita categoria os lances. É o provavel titular na posição à frente de Javi Garcia, e é também um dos grandes candidatos a jogador do ano em Portugal.
Emerson. A primeira impressão foi horrível. Porém, o jogo de ontem mostrou outro Emerson. Aparentemente melhor do ponto vista das capacidades condicionais e tecnicas do que, o que a primeira aparição fazia antever. A rever.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3329 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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