Rojo e sobretudo Xandão, campeões do chutão.

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Ponto prévio. O Marítimo tem uma equipa cheia de excelentes individualidades. Não é crível que muitas equipas consigam ir vencer aos Barreiros.
A mesma estratégia de Pedro Martins para o mesmo adversário. Não se pode criticar. Havia sido feliz uns meses antes, com a opção dos longos lançamentos directos para as costas adversárias, ou para o espaço do lateral que havia subido no relvado. Aqui e ali foi assustando o Sporting. Todavia, e ao contrário do que havia sido o jogo da época transacta, a dupla de centrais do Sporting revelou-se muito capaz no controlo da profundidade. Teria o Marítimo sido mais feliz se optasse nos primeiros dois terços do jogo por explorar o espaço que resultava do “abaixamento” dos centrais leoninos? Muito provavelmente sim. A partir do momento em que em desvantagem explorou um tipo de jogo diferente foi chegando com aparente facilidade às imediações da área adversária.
Não se percebeu o pontapé de baliza directo para o lateral que ofereceu por várias vezes a bola ao adversário, nem se percebe ainda a vantagem de mesmo nos momentos em que o adversário está remetido ao seu meio campo defensivo, o Sporting continua com cinco jogadores (laterais, trinco e centrais) no seu próprio meio campo. O médio ou laterais “pegam” demasiado cedo no jogo e a situação de jogo passa desde logo a ser de 6×10, sendo que Adrien e Elias permanecem demasiado tempo escondidos. Uma inferioridade muito grande que condiciona desde trás o processo ofensivo. As ideias não abundam e chegar à baliza adversária parece tarefa hercúlea. As situações em que a bola ainda ronda as balizas adversárias, nascem de cruzamentos dos laterais altamente condenados ao insucesso, pela pouca presença (em quantidade e qualidade) na área adversária.
Por vezes parece que é a fé em Carrillo que move o Sporting. O peruano é um jogador bestial. Velocidade e drible desconcertante, conduz sempre na direcção da baliza adversária, jogue em que corredor jogar. É ao momento o único jogador leonino capaz de se superiorizar aos adversários seja pelas acções individuais seja pela forma como interage com os colegas. Temporiza e serve quando assim o deve fazer os seus colegas. Sem ele, ofensivamente não existe Sporting. Pelo menos enquanto não se puder saudar em definitivo o regresso de Izmailov.
Xandão não jogaria no Marítimo. Ou mais do que isso, não jogaria numa equipa de Pedro Martins. Inacreditável a falta de classe do central do Sporting. E Rojo em determinados momentos pareceu querer imitar o colega de sector. Há quem pense assim. Os defesas são para defender, e desde que não cometam “gaffes” a sua exibição é perfeita. O grande problema das equipas que jogam com centrais cuja única opção defensiva é cortar e ofensiva “despejar”, é que passam demasiado tempo sem a bola. E todos sabemos que não ter bola é o primeiro caminho para consentir ataques e situações de perigo. Talvez Sá Pinto deva sentar todo o plantel a assistir à última meia hora de jogo da equipa de Oceano. Depois de estar a vencer o Sporting B revelou uma maturidade que o Sporting de Sá Pinto ainda não atingiu. E talvez não chegue mesmo a atingir. É que a maturidade começou, curiosamente, desde logo na categoria de Llori e Pedro Mendes, os centrais da equipa leonina que rejeitam/rejeitaram o chutão. Na última meia hora em Arouca e depois de estar em vantagem no marcador, só o Sporting tocou na bola e muito se deveu à primazia dada pela posse. No dia em que Llori ou Mendes perderem uma bola em zona proibida, todos estarão prontos para os “matar”. Por aqui, saberemos que só arriscando, mesmo sabendo que aqui e ali um deslize poderá ser cometido, se poderá atingir um nível elevado. E quando o deslize chegar, tudo o que ofereceram para trás já compensou.
Ainda que desfalcados em pontos determinantes (perdido o abono de Vitor Pereira e Jesus que jogará meia época sem meio campo e sem um central de qualidade indiscutível ao lado de Garay), não parece que a luta do Sporting possa ser a mesma de FC Porto e SL Benfica. Talvez uma inesperada (pelo tempo que Sá Pinto já leva de Sporting) evolução e uma resposta categórica daqui por três semanas no Dragão mude opiniões. Mas em Alvalade talvez as atenções devam estar sobretudo focadas naquilo que o Sporting de Braga pode fazer. É que objectivos irrealistas conduzem a frustração. E a frustração conduzirá o Sporting a um lugar ainda pior que o que pode de facto almejar.
P.S. – Poderia o Sporting, de facto, ter chegado ao dois a zero. Em determinado momento tal pareceu possível e expectável. Coincidiu com a entrada de André Martins e sobretudo com o momento em que com mais espaço Carrillo quase resolvia o jogo sozinho. Carrillo. Apesar de tudo, talvez com um jogador igual ao peruano do lado oposto, os três pontos tivessem sido uma realidade.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3404 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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