Jogar o que o jogo dá. Lopetegui.

“Republicar” o texto de há 7 dias atrás, com a frase do novo treinador do FC Porto.
“Que uma equipa queira ter a bola não significa que não possa jogar em contra ataque quando o adversário deixa espaços. Nesses casos podemos fazer transições rápidas, com amplitude e velocidade” Lopetegui
“A boa tomada de decisão é jogo de posse? O futebol que deve ser preconizado.”
Ponto prévio. Falarei apenas por mim. Partilhar a minha visão, sobre o que penso interpretarem mal quando se defendem determinadas situações.
Quem nos visita tem sempre a interpretação de que sou defensor de um estilo. E que quando me refiro a boas decisões essas são sempre condicionadas ao estilo que prefiro. Na verdade não é nada disso.
Ser da boa tomada de decisão não é ser de posse ou de contra ataque.
É ser de posse quando o adversário está organizado e o espaço escasseia e é ser de contra-ataque quando há espaço e situação numérica para tal.
Exemplo demasiado óbvio para se perceber exactamente o que pretendo transmitir. Recupero a bola e tenho situação de 3×1+GR. Em função da situação de jogo, e é disto que depende a boa tomada de decisão, impõe-se que o portador o mais rápido possível, para não deixar chegar mais oposição, progrida na direcção da baliza, fixe o adversário e solte num dos colegas livres. Passando do 3×1 para um 2×0. Como é óbvio não se espera que a equipa com bola a prenda permitindo a organização adversária.
A situação de jogo descrita é demasiado óbvia para que o exemplo se perceba facilmente, mas não significa naturalmente que só em situações óbvias se deva investir em velocidade no ataque à baliza adversária. Tudo depende do número de adversários atrás da linha da bola, do seu posicionamento e do espaço.
A confusão talvez esteja na forma como ao se ler elogios ao Barcelona e pensando-se numa equipa que exacerbava a posse. Fica a sensação de que se é defensor de um estilo. Mas, a verdade é que não era por exarcebar a posse que o Barcelona não era também a melhor equipa do mundo a sair em transição. Nenhuma outra equipa em muitos anos deve ter somado tantos golos a sair em contra-ataque depois de recuperações. Reveja por exemplo o 5 a 0 em Camp Nou com o Real e perceba-o. E referindo que apenas falo por mim. Sou defensor da boa decisão. Boas decisões em cada momento do jogo. Organização e Transição. E agradam-me as equipas que jogam o que o jogo dá. O Barcelona saía como ninguém em transição. Mas quando as boas possibilidades de se ser bem sucedido se esgotavam, sabia como ninguém perceber que era hora de organizar.
E é essa uma crítica a tantos treinadores. Nos quais incluo agora Mourinho, outrora o maior ídolo, como nas etiquetas se poderá perceber. Relembre como recentemente Tiago disse que Mourinho simplesmente não quer ter a bola. Oferece-a para depois recuperar e sair em transição. É essa a crítica que faço. Na minha opinião os melhores jogam em todos os momentos e não apenas em alguns.
Portanto o meu estilo não é posse ou contra-ataque. Organização ou transição. Portanto, Vitor Pereira e Jorge Jesus são hoje treinadores mais fortes do ponto de vista táctico que o outrora melhor de sempre José Mourinho.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3331 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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