All muscle and no brains. Benfica no ataque.

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Bebé, Oliveira, Derlei e Ola John. Foi assim que terminou o Benfica a partida com o Sion. Antes, Jara e Lima.
Retiremos Ola John da equação. Basta vê-lo jogar vinte minutos para se perceber o porquê. Há Lima e Derley também, com perfis muito idênticos. Fazem valer-se das óptimas capacidades físicas. Muita força, alguma velocidade. Mas são também muito bons nas movimentações em ruptura ou apoio, e percebem as suas limitações. Não sendo criativos jogam sempre simples e não condicionam negativamente de forma alguma o jogar da equipa.
Difícil perceber a aposta no perfil de Jara, Oliveira e Bebé. Todos têm características individuais, sobretudo físicas, mas também técnicas, importantes. Porém simplesmente são incapazes de um usar um neurónio que seja. Obviamente que terão sucesso em vários momentos. Afinal não se cansam de tentar, jogando só para si e por si. Qualquer futebolista que em 100 acções procure unicamente a sua notoriedade, ou êxito pessoal, acabará por o obter algumas vezes. A questão é que se nessas 100 acções procurar o que é melhor para a equipa, mesmo que isso seja um simples tocar em quem está de frente, fará com que a equipa tenha os seus êxitos de forma muito mais frequente.
Jara é demasiado mau. Talvez seja injusto apelidá-lo de egoísta ou egocêntrico. Ele é apenas um mau jogador. Não vê nada ao seu redor. E como não vê também jamais perceberá. Há quem goste de ver o estilo de quem pega na bola e avança pelo meio batendo sempre no muro ou na melhor das hipóteses sofrendo faltas que apenas prejudicaram o ataque a quem dela beneficiou.
Veja o golo que marca ao Sion. Nem se pode falar de não perceber melhores opções. Ele nem vê. É um capel do corredor central. É tudo francamente mau no argentino. Futebol da década de oitenta.

Bebé não percebe. Passa-lhe tudo ao lado. Até parece olhar, mas não entende. Não faz ideia para onde ou quando deve soltar. Talvez Jesus o consiga estabilizar e ensinar alguns timings importantes, ou a responder a determinadas movimentações. À data é apenas alguém com traços individuais sem qualquer noção do que é o jogo. É ainda assim, um produto inacabado que urge rever.
Oliveira é pouco dotado cognitivamente e junta-lhe o egoísmo. É uma pena. O que poderia ser o melhor avançado português em muitos anos, porque nos traços individuais é muitíssimo interessante vai deixando passar os anos sem perceber o que deve mudar para se afirmar no futebol.
Apenas dois pequenos exemplos daquele que é sempre o perfil de decisão do avançado

Tocar para quem está de frente e a ver o jogo todo? Nem pensar. É demasiado fácil e as pessoas não tecerão louvores à acção. Melhor sempre fazer uma rotaçãozinha bonita que fique na retina, mesmo que isso retire condições óptimas à situação de jogo enfrentada.

Um lance a mostrar as palavras sobre Derley. Rápido, físico, inteligente a movimentar e simples a jogar. Muito parecido com Lima. E também valerá muitos golos pois é agressivo nas zonas de finalização. E, claro o perfil de decisão de Oliveira. Um misto de egoísmo com incapacidade para fazer / perceber? o que é melhor para a equipa.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3746 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

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