Corinthians, o líder do Brasileirão.

A equipa de São Paulo, orientada por Fábio Carille tem tido uma temporada soberba em termos de resultados. Lidera o Brasileirão com uma percentagem esmagadora de vitórias e na Sudamericana cedeu no campo dos Patriotas da Colômbia os primeiros pontos.

Com o crescimento da selecção nas mãos de Tite, a curiosidade para perceber como vão crescendo internamente as equipas de um dos campeonatos com maior talento do mundo.

Desilusão grande na observação ao último jogo do líder do Brasileirão.

Se defensivamente já se notam conceitos mais próximos dos que tornam uma equipa mais segura, nomeadamente a relação zonal na última linha, a preocupação dos laterais fecharem espaços e não ficarem longe da protecção da sua baliza para marcar adversário directo, ofensivamente, naquilo que é colectivo, uma diferença gigantesca de qualidade entre o que o Corinthians apresenta e aquilo que por cá vem sendo defendido há imenso.

Ainda de um ponto de vista mais geral, um jogar de outras décadas na Europa. Jogadores cujas tarefas são sobretudo defensivas e outros que sobram para atacar. Equipa que se parte em dois blocos distintos. Seis mais preocupados em defender e depois de recuperar passar a bola lá para a frente para os quatro mais preocupados em atacar, e sem grande responsabilidade defensiva.

A distância entre os dois blocos é enorme. Os jogadores mais recuados não acompanham a subida da bola, para juntar a equipa para a transição defensiva. Os jogadores mais adiantados, não se preocupam com a transição defensiva. Defender é para os seis de trás. Eles que recuperem e passem para que se resolva lá na frente.

Em suma, um jogar onde nem todos têm as mesmas preocupações. Onde ofensivamente se está completamente limitado à qualidade individual dos mais avançados, porque irão sempre enfrentar situações com menos apoios. Com maior oposição para menos colegas, para que se possam resolver problemas de forma conjunta.

O líder do Brasileirão e talvez a equipa com mais impacto à data no país onde mais talento há, tem um jogar quase primitivo. Incrível como a qualidade dos brasileiros não encontrou ainda a organização desejada que os permita crescer para níveis incrivelmente superiores. E tudo está na capacidade para se posicionar ofensivamente, e tomar decisões que não procurem acelerar sempre o jogo. Embora, se o portador já sabe que quem está atrás por lá irá continuar e que as opções ofensivas não vão surgir por mais que guarde a posse… a verticalidade seja o caminho.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2941 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

7 Comentários

  1. Salve MALDINE, – esses jogadores são a maioria supletes,o time considerado titular é um bom time, feito esse ano, tem seis meses q se conhecem e diferente da EUROPA pouco treinam, aqui no BRASIL são muitos jogos por ano, e quase não há espaço pra treinos… é provável q no meio do ano agora q estão se conhecendo, se adaptando a forma de jogar… metade do time vá pra EUROPA… 😉

  2. Esse jogo é pela sulamericana, e o corinthians já vinha de duas semanas jogando quarta e domingo com grandes viajens e foi a primeira vez q jogaram juntos defesa e ataque… não justifica mais explica… valeu 😉

  3. O time jogou na quarta com uma escalação mista após um jogo decisivo contra o vice-lider no domingo, também vale destacar os mais de 2300 metros de altitude, a viagem também foi consideravelmente cansativa, horas e horas de vôo e depois mais horas num ônibus. O time treinado por Carille costuma ser bem diferente, abusa das triangulacoes, possui meias que afundam para armar o jogo e laterais que ampliam o campo, o jogo citado foi exceção.

  4. Muito mau… Mas acho que o Corinthians não tem plantel para jogar assim. Estão em primeiro agora mas arrisco dizer que não vão chegar em cima no final do campeonato. Dentro destas características, há outras equipas com melhores valores individuais.

    Acho que algumas coisas estão a mudar no Brasil e o Tite é um exemplo fixe. Mas ainda são muito poucos os exemplos positivos pela diferença.

    Por exemplo, tenho acompanhado com muita atenção a estreia do Rogério Ceni no São Paulo. Tinha lido que depois de se retirar o homem andou a pensar o jogo, a estudar, a conhecer outras realidades. Fiquei curioso.

    Começou muito bem, a jogar com três defesas, muita envolvência entre todas as fases do jogo, zero chutões, muita gente projectada e outros a vir no espaço, uma pressão total, alta, a reagir sempre com muita rapidez. Claro que tinha sérios problemas de organização defensiva e sofriam muitos golos, mas as ideias-base eram boas e se sofriam também se fartavam de marcar golos. Tinham tudo para evoluir e melhorar com aquela base.

    Ele lançou uma série de miúdos – um deles é muito interessante e já foi vendido ao Lille, chama-se Luiz Araújo e merece uma olhada -, fixou o excelente Rodrigo Caio a central apesar de não ser fisicamente forte, mas o que aconteceu?

    Aconteceu que vieram as derrotas… A pressão dos directores, adeptos e jornalistas. Instalou-se a desconfiança dos próprios treinadores e jogadores em relação às ideias iniciais. No Brasil, perder uma ou duas vezes significa um risco enorme para o treinador, então se forem jogos decisivos! Neste momento, o São Paulo joga num 433 com a mesma dinâmica do Corinthians. Borrado de medo.

  5. Em todas as entrevistas coletivas do treinador Carille o que mais se escuta é o famoso saber sofrer… soubemos sofrer…mas analise o Grêmio se possivel. O vice líder que joga um futebol mais acadêmico por assim dizer.

    • Tem ideias interessantes no ataque mas é muito fraco em quase tudo o que seja defender… Já é interessante ver o Renato Gaúcho a evoluir um pouco, mas no Brasil continuam a não entender que marcar alto e fazer pressão não é uma atitude individualizada. Há uma série de equipas a fazer pressão alta e a não encurtar o campo, sequer! Linhas afastadas, equipa estendida no campo e dois ou três marmanjos a correr atrás de um adversário… Só que quando a bola passa os dois ou três aquilo parece a Avenida Paulista. Bom, é só um exemplo. Neste sentido, A. Mineiro (muito bom plantel) ou A. Paranaense também têm ideias semelhantes ao Grémio, Flamengo, S. Paulo, Corinthians.

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