Dificuldades com bola, naturalmente. Benfica na recepção ao Portimonense.

Com a evidente falta de qualidade individual no seu plantel, exceptuando as quatro posições mais adiantadas, muito dependerá do quanto a aleatoriedade lhe possa sorrir, a equipa encarnada para poder ser competitiva na época actual.

Varela, André Almeida, Luisão, Lisandro, Eliseu, Samaris. Dos seis mais recuados da equipa, ou seja, dos seis que mais vezes têm de tocar na bola, apenas Samaris e Almeida o fazem sem se esconder. A má notícia é que tal não é suficiente para se poder apresentar um jogo com qualidade, e se o grego é a fonte de perdas sucessivas, que não só se traduzem em transições ofensivas para o adversário, como impedem a equipa de Rui Vitória de ser dominante, André Almeida nos momentos ofensivos é bastante mais problema, que solução. Sim, marcou um belo golo.

Mesmo com espaço quanto o que há para jogar no Estádio da Luz, quando o nível individual é baixo onde mais importa, dificilmente se consegue consecutivamente ser uma equipa com bola, capaz de invadir as zonas adversárias mais prometedoras, isto é, corredor central, costas dos médios. Pressionados, mesmo que em superioridade numérica, não há confiança para jogar.

A partida na Luz a trazer o que sempre acontece quando se procura vencer, mas não se tem qualidade para pensar o jogo. Cruzamentos dos laterais de todo o lado, procura do choque e futebol de repelão. O Benfica é hoje o que era o FC Porto na temporada passada. Embora na equipa de Nuno Espírito Santo houvessem individualidades para fazer bastante diferente… No Benfica, o plantel parece apenas ter sido pensado da frente para trás, um pouco à semelhança, pese embora as diferenças, do Real Madrid dos Galácticos.

Zivkovic. Que potencial, que qualidade soberba de um jogador genial destinado aos melhores clubes Europeus. Ele e o Jonas, os únicos de nível mundial de todos quanto os que pisaram a Luz na noite de hoje.

Nota final para o jogo fantástico do Portimonense na Luz, uma equipa com vários valores interessantes. O suficiente para vencer num dia normal, mas sem a felicidade nos imponderáveis.

Rodrigo Castro
Sobre Rodrigo Castro 111 artigos

Rodrigo Castro, um dos fundadores do Lateral Esquerdo. Licenciado em Ed física e desporto, com especialização em treino de desportos colectivos, pôs graduação em reabilitação cardíaca e em marketing do desporto, em Portugal com percurso ligado ao ensino básico e secundario, treino de futsal, futebol e basquetebol, experiência como director técnico de uma Academia. Desde 2013 em Londres onde desempenhou as funções de personal trainer ligado à reabilitação e rendimento de atletas. Treinador UEFA A.

18 Comentários

  1. Não sei até que ponto se pode chamar de um belo golo o que André Almeida fez: foi pura sorte, não há nada ali de intenção ou vontade. Suponho que o estádio inteiro se terá levantado, mas se os responsáveis técnicos do Benfica tiverem consciência, irão ver isso como um péssimo momento, em que deixa tudo nas mãos do acaso e da fortuna.

    • Rui Pedro, realmente peca por defeito dizer apenas que foi um belo golo. Penso que foi um extraordinário remate intencional do André Almeida o que não invalida a designação de chouriço que o treinador Vitor Oliveira lhe atribuíu. Em 10 remates iguais dificilmente faria outro mas que houve a intenção de rematar à baliza para mim não existe a mínima das dúvidas.

  2. Ontem foi um festival de passes errados de Samaris (não percebi a ausência do Felipe Augusto) e de Pizzi.

    Que diferença este Benfica para o ano passado. Vamos voltar a “jogar na fe”.

  3. Muito boa apreciação. Permita-me apenas acrescentar algumas ideias:
    – Fase final do jogo, com o portimonense com menos um a encostar o benfica atrás! Parecia o benfica uma equipa pequena e jogar em casa a defender o resultado.
    – Zivkovic, ainda que com muita qualidade e técnica individual, não o vi a acrescentar muito à equipa, quando poderia ter partido para cima do adversário muitas vezes, dado que estava sozinho de um-para-um.
    – Seferovic já foi neutralizado pelos defesas adversarios. De momento o jimenez dá mais à equipa.
    – Estilo de jogo que necessita de desequilíbrios dos laterais a dar largura no jogo e não acontece. Não percebo porque joga o cervi tão por dentro, quando contra equipas que defendem muito têm se se proporcionar os desiquilibrios individuais na linha para alterar as marcações.
    – Ainda que numa altura de desnorte tactico gostei do f.augusto a fazer aberturas longas de modo a variar o jogo.
    – Por último, a linha defensiva do benfica, incluindo o trinco, é uma vergonha e não vai permitir vitorias decisivas! Penso que o Samaris e Lisandro são vitimas do sistema de jogo e dos colegas, onde se tornam jogadores medianos.

          • Ultima Epoca de Jesus no Benfas:

            Samaris 37 jogos

            Fejsa 6 jogos.

            (Faltava esta parte para ser verdade)

          • Vá… conta lá a verdade toda. Tu até és capaz.

            A última época de Jesus foi 2014/2015. Em junho de 2014 Fejsa foi operado ao ligamento cruzado e esteve 282 dias parado. Regressou a 11-03-2015 num jogo da B contra o Feirense e à equipa principal precisamente um mês depois, tendo marcado um golo, em casa, à Académica.

            Teria sido difícil ter tirado o lugar ao Samaris lesionado, embora, na verdade, a diferença de rendimento não fosse muita.

  4. Os erros vistos no jogo contra o Rio Ave continuaram e isso impediu uma vez mais que a exibição fosse como deveria ser. Esta equipa quase não pressiona na saída de bola adversária e tem uma completa obsessão quase doentia pelo “atravancar” no jogo interior. Bem sei que isso em grande parte se deve à falta de capacidade dos laterais em dar a profundidade e soluções necessárias… mas é uma miséria.
    E, sempre que uma equipa joga com as linhas juntas (como aconteceu nos últimos jogos) esta equipa do Benfica parece uma equipa dos distritais a trocar a bola… apenas o faz na linha defensiva e depois é bola para a frente à procura do primeiro toque o Seferovic. Se ele fizer um bom primeiro toque então as coisas correm bem, mas se o primeiro toque for mau a equipa já está desposicionada e proporciona contra ataques constantes às equipas adversárias.
    Para jogos como os de ontem, Douglas e Grimaldo serão fundamentais. Porque, por muitas dificuldades que tenham no momento defensivo isso será compensado com o aumentar e muito no que a soluções no momento ofensivo diz respeito.

    Quanto a Zivkovic… é um tratado de bola. E jogando à direita é quando mostra toda a sua qualidade!
    A ver vamos como as coisas correm daqui em diante.

  5. Com tantos comentários, não vejo ninguém a pôr em causa a (in)capacidade física do Luisão que coloca os seus colegas todos em dificuldades e desequilíbrios posicionais para compensar as debilidades deste. É verdade que é uma voz de comando, tem experiência, tem boa leitura tática, mas quando se joga contra equipas que, na maioria das vezes, vão tentar desequilibrar o Benfica pelo contrataque, era fundamental ter centrais rápidos. O ano passado muito do sucesso do Benfica na defesa passou pela capacidade do Lindelof e do Ederson para compensar as debilidades do Luisão. Muitos falam do Lisandro, mas ele muitas vezes vê-se obrigado a desposicionar-se por causa do Luisão. Não quero beliscar a importância do Luisão na história do Benfica, mas sinto que esta época vamos ver muitas falhas a surgirem na defesa devida à crescente incapacidade física do Luisão…

    • O Lisandro não precisa de ninguém para se desposicionar, ele faz isso sozinho. Tens que ver jogos do Benfica sem Luisão e com Luisão para perceber a importância que ele tem. Ainda mais quando olhamos para o resto da defesa…

      • O Pedro Silveira têm razao, e tal como disse no post em cima, o lisandro e o proprio Samaris ficam muito expostos pelas lentidão e falta de tecnica individual para segurar bola da restante defesa. A defesa do benfica não consegue ter posse de bola e tecnica para resistir a pressão adversaria. Sendo assim só resta o pontapé para a frente e o samaris fica exposto às piscinas e desiquilibrios adversarios. O lisandro por sua vez, acusa falta de ritmo e posicionamento dado que não joga. Quando é chamado a intervir é como “bombeiro” e os erros ficam visiveis. Quando têm bola os colegas escondem-se e arrisca (erradamente) a sair a jogar sozinho onde a perda de bola é suicidio.

          • Caro NSC

            Mas Ruben Dias, Kalaica e Ferro brincam muito nas selecções, já Lisandro está sempre disponível para ser utilizado pelo treinador tanto nos jogos como nos treinos e, por isso, come de cebolada os miúdos.

          • Essa tese da «brincadeira nas selecções» faz lembrar o materialismo dialético.
            Constrói-se uma teoria e depois vão-se procurando factos que a confirmem. Se alguns factos a contradisserem é óbvio que os factos estão errados…

          • Desculpem a intromissão, mas estou 100% de acordo com NSC. Lisandro é, de longe, o central mais débil do Benfica. A capacidade que revela nas bolas paradas ofensivas não é suficiente para esconder as dificuldades gritantes de posicionamento. Na verdade, os (bons) atributos de Lisandro vêm normalmente ao de cima por força dos erros que comete, sendo depois forçado a compensar com velocidade de reacção. Para além disso, é confrangedor o número de erros que comete na saída de bola, defeito que ultimamente tem escondido abdicando de correr riscos, como os demais companheiros de sector.

  6. Desculpem lá, o lance do Golo do Portimonense é um exemplo claro do que é excesso de confiança por parte da linha defensiva do Benfica. Tecnicamente o jogador do Portimonense é irreprensivel, mas sejamos sinceros tudo feito em câmara lenta, o Luisão a seguir com os olhos é certo, mas onde estava o colega para dobrar? ou seria que o Ederson sofreria aquele golo o ano passado?. Com isto do Ederson não quero dizer que a culpa do Golo é do B.Varela, mas é a diferença entre ter se um fora de série na Baliza e um jogador que nesta fase é mediano, para os próprios colegas isso faz a diferença.
    Em todo o caso, o péssimo jogo do Benfica se é verdade que deve-se em parte à defesa não dar soluções de saída de bola em condições, também jogar com o Samaris sem ritmo de jogo (o próprio jogador tem um acto a pontapear uma bola perto da 30m da 2 parte que e um exemplo de descontentamento com a sua exibição)a ver-se constantemente exposto ao erro e o que dizer do Pizzi ? não foi a seleção por se encontrar lesionado e desculpem lá mas serei o único que ficou com a sensação que jogou lesionado, sem explosão para acompanhar o ritmo dos adversarios e claro pior ainda ao nivel do passe todas as suas acções feitas em sofrimento. Claro alguém aqui vai dar como exemplo o passe para o Salvio, mas na minha opinião foi quem contribui e muito para o jogo previsível do Benfica.

    O Seferovic após jogo da seleção uma nódoa, o Jimenez também com o desgaste das viagens não poderia ser titular, mas nesse jogo provavelmente teria apostado no Rafa na Frente, pois penso que lançar logo o Gabriel Barbosa também não transmitira os melhores sinais para o plantel e para o próprio jogador que veria-se com o brinde de jogar após meia dúzia de treinos insuficientes para estar entrosado com as ideias da equipa.

    Saudações

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*