Atropelo na Ucrânia – Bem vindo ao restrito lote dos melhores do mundo

Nos dias de hoje ser treinador vai cada vez mais para além do que se consegue fazer em termos de modelo de jogo. Para além da estratégia de cada jogo, há a liderança (e aqui englobando tudo o que tem a ver com gerir todo um grupo, que tantas vezes é o que faz a diferença quando há forças equivalentes), o processo de treino, a comunicação, e um sem número de outras variáveis que contribuirão para um possível sucesso.

Naquilo que nos é dado a observar, isto é, o que se vê no campo, proveniente da ideia e do processo de treino, permitam-me colocar Paulo Fonseca no topo do futebol mundial.

O que a sua equipa faz no relvado é absolutamente sublime em cada momento do jogo. Ninguém no mundo do futebol trabalha no campo melhor que a equipa do Shakhtar Donetsk.

Um jogar soberbo capaz de desmontar os adversários de todas as formas possíveis e imaginárias, e ainda competência total nos momentos em que não tem a bola. Quer nos posicionamentos quer nas abordagens e entendimento dos diferentes submomentos do jogo, bem expresso na forma como passam dos ataques rápidos para o posicional quando adversário restabelece equilíbrios, ou como iniciam transição defensiva no centro do jogo e posteriormente defendem contra ataque, quando tal é necessário.

A Roma foi atropelada em Kharkiv, e só por milagre está viva na eliminatória.

Cada posse da equipa de Paulo Fonseca é uma lição, e embora esteja num clube que lhe permite estar na Liga dos Campeões e somar títulos, o português tem começar a ser olhado, e urgentemente, pelos tubarões do futebol mundial!

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3357 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

5 Comentários

  1. No global já aqui documentado. Excelente trabalho sim.
    Mas não vou nos exageros. Não entro nos arrebatamentos dogmáticos.

    Ontem, epá vejam a primeira parte com olhos de ver.
    Roma condicionou bastante a saída adversária, em pressão alta, logo desde trás. Shakhtar desconfortável e a bater muitas vezes longo. Saltando essa pressão aí sim a meterem velocidade com Bernard e Marlos a irem para dentro criar.

    Roma: melhores sempre quando em pressão. Ao baixar colam linhas atrás, laterais muito dentro, e posicionais demais. Mais estáticos, mais espera, mais olhar.

    2ª parte mais para controlo ainda que com linhas altas. Comem o 1-1 em contra-ataque em falha de Florenzi e depois começam a desunir-se, alongando-se. Uma facilidade gritante do bom para o mau. Mérito para o Shakhtar, claro, finalmente a criar dentro do bloco em sucessivas ondas de choque. Alisson brutalíssimo!

  2. Concordo com o texto! Foi realmente um atropelo. Apenas Alisson e Perotti evitaram que a eliminatória estivesse já fechada. Com El Shaarawy em campo, por exemplo, os Ucranianos tinham ferido muito mais os Romanos.

    O 1-1 não é em contra ataque, é em ataque organizado com um passe brutal do central do lado esquerdo. Lá por queimar umas 4 linhas da Roma não quer dizer que tenha sido em contra-ataque, ou aleatório.

    Se a Roma tem continuado a pressionar alto iria levar mais…Mesmo juntinhos foi o que foi para segurar Marlos, Fred, Taison e Bernand…

    • Mérito do passe sem dúvida no 1-1. Mas falhanço-oferta do Florenzi e consequência da defesa alta. Roma muito pobre em organização defensiva. Baixa e cola mas são linhas apenas. Passiva. Em pressão alta, ainda que instável e desalinhada foi sempre mais protetora trazendo muitas recuperações. Cortou muito da paciência com bola atrás do Shakhtar, claramente desconfortável na primeira parte. Em ataque organizado mais fácil. Acelerou e desuniu a Roma na segunda. Grande mérito mas menos global que o costume. Vão levar com mais pressão em Roma. Muita curiosidade para ver como preparam e reage. As duas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*