O Guardião do Faraó e o equilíbrio

Uma era houve, em que os carregadores de piano preenchiam os campos e quase todas as equipas que lutavam por títulos os tinham! Na era dos dez puros, os mágicos, aqueles poucos, que a cada passada desenhavam beleza com a bola colada ao pé e rasgavam sorrisos com passes que apenas eles viam, havia quem lhes guardava as costas acautelando cada perda. Eram os que destruíam, os que batiam a bola no mato quando o jogo era do campeonato!
Actualmente, com a velocidade, a capacidade técnica dos atletas, os modelos de jogo e as estratégias tão bem trabalhadas o caos e a aleatoriedade de uma partida de futebol impõe alguém que a equilibre, por exemplo com bola dando-lhe pausa, ou sem ela protegendo quem está preparado para fazer o que melhor sabe, preocupar-se em apenas desequilibrar na frente. Tudo depende do modelo.
Henderson é o velho batedor de bombo, típico jogador inglês que equilibra o jogo vertiginoso do Liverpool de Klopp, com bola acrescenta pouco, mas sabe ser o ponto de partida para lançar os ataques rápidos do trio da frente. Sem ela a mensagem é simples: “Ataquem sem medo, eu trato do resto”.
Estes pensamentos despertaram algumas perguntas para as quais tenho as minhas respostas, mas gostaria de saber as vossas. Opinem sem assim entenderem.
Porque resultou William e Adrien? Bryan Ruiz resultaria a 8, com William atrás dele?
O Porto com Oliver e Sérgio Oliveira é viável contra o Tondela (com todo o respeito), contra um Braga ser(á)ia ?
Porque está Fernandinho no top dos mais utilizados do City e Casemiro no Real?? Será que Pep não sabe colocar uma equipa a funcionar? Estará errado quem caminha para a terceira final da Champions consecutiva?
Dejan Savicevic
Sobre Dejan Savicevic 86 artigos
Ricardo Galeiras Treinador, apaixonado por desporto, futebol e treino. Experiência em campeonatos nacionais na formação e atualmente ativo no futebol sénior. Colaborador na área de scouting e análise de jogo, com vários treinadores e equipas do campeonato nacional da Primeira Liga. Contacto: galeiras@gmail.com

9 Comentários

  1. Que perguntas tão deterministas… Queres ter razão? Leva já a taça, sem makas. Este Henderson até pode ser importante, tal como a energia de Wijnaldum, por exemplo, acontece que daqui a dois ou três anos ninguém se recorda deles. Porque acrescentam pouco ao jogar e para correr há muita gente disponível. E se houver dinheiro vem já outro para o ano mas em melhor. Eu lembro-me do Guardiola a mudar o mundo com Busquets, Xavi e Iniesta. Tudo jogadores sem dentes. Percebo onde queres chegar e concordo. Só não percebo essa vontade toda de ter razão. Há várias formas de chegar longe, lembram-se?

  2. Eu prefiro um Kovacic, um Verrati ou um Matic a fazer o trabalho sujo mas com qualidade para tudo o que vier. Mas cada um vai à caça com as armas que tem, é uma questão de encontrar o equilíbrio no meio do caos.

  3. Concordo com o Edson e com o Del Piero e acrescento o Xabi Alonso que era um gajo incrivelmente versátil assim como o já citado Busquets que, caso fosse possível, iria jogar no City de Guardiola em vez do Fernandinho. Ou duvidas disso, Dejan Savicevic?

    • Duvida nenhuma! Achas tu que Busquets ou Xabi Alonso num modelo tipo Liverpool teriam sucesso??
      Apenas falo de equilíbrio! E questiono se quem pensa como Guardiola e Zidane poderá estar errado.

      • ….ou, como dançar ballet com uma equipa de Rock n’roll….caminhos hà muitos….cada um escolhe o seu….eu, pessoalmente, prefiro aí os caminhos do Del Piero, mas està mais que visto, que tanto pode ganhar um Guardiola, em breve Fernandinho perderà protagonismo, como um Leicester….a comparação não é boa, mas foi o que saíu 🙂🙂

      • E porque não? Não percebo a hesitação. Os melhores têm que jogar e o modelo de jogo faz-se em função dos jogadores que tens, não o contrário.
        Porque é que eles estarão errados? Por causa das suas apostas nessas posições específicas? Um, perdeu a oportunidade de ganhar a champions league, o outro disse, muito cedo, adeus ao campeonato. Provas distintas, o equilíbrio numa equipa é muito mais que 2 jogadores. O Real Madrid do ano passado ‘ganhou’, por exemplo, esse equilíbrio antes ou depois da entrada do Isco na equipa? É que já lá estava o Casemiro e o Modric e o Kroos.
        Há muita subjectividade nesse tipo de análises. Se o Kovacevic começar a jogar em vez do Casemiro e a equipa ganhar tudo o que é iremos concluir? Qual será a explicação lógica para isso?

  4. Concordo perfeitamente com as dúvidas do autor. A prevalencia por um determinado tipo de jogo e de jogadores não significa que o caminho para o sucesso seja incapaz de perceber que um jogo, uma competição, têm diferentes fases e desafios e características. O Porto é mais forte com Danilo ou sem? 6 como o Fernando, Javi Garcia, etc., jogadores de pendor defensivo importante foram importantes na conquista de títulos. Foram e são. Como provam na champions e em vários campeonatos importantes. No futebol há tudo menos caminhos únicos.

  5. É pena que este autor precise de resultados para emitir pareceres ou opiniões. Provavelmente, se neste lpool os avançados não fossem tão bons que marcassem em todos os jogos, o henderson já não merecia artigo.
    Os mesmos exemplos que oportunamente arranjou para justificar carregadores de pianos, existem para os casos contrários. O comentário acima sobre o real madrid (casemiro e isco) é muito bom e inteligente.

    Hendersons há muitos. Não têm nada de especial. Não são o tipo de jogadores que este blog promove. Cérebro sobre o físico. Bom é o Eustáquio e quem escreveu sobre ele.

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