Em contra transição – O primeiro golo do Tondela na Luz

Sobre o momento de transição ofensiva após a recuperação da posse de bola, diz-nos o nosso Ricardo Ferreira na sua proposta para os momentos e sub momentos do jogo, o seguinte:

Reacção ao ganho da bola: em oposição à reacção à perda da bola, surgem neste sub-momento os comportamentos e acções de quem recuperou a bola, e a procura de sair da primeira zona de pressão adversária. Seja ela realizada por um jogador ou por mais. Se possível, alcançá-la no sentido da baliza adversária, porém, em muitos momentos, esses espaços encontram-se fechados e portanto será necessário garantir outras soluções e uma boa decisão do jogador com bola. A eficácia na reação ao ganho da bola e na saída da zona de pressão influenciará os sub-momentos seguintes da transição ofensiva, que aqui, provavelmente, já não surgem numa lógica sequencial, mas sim como alternativas de decisão.

Na Luz, foi através de uma contra transição que o Tondela chegou à igualdade, o que só por si, demonstra a importância de se decidir bem e manter a equipa segura mesmo instantes após a recuperação da posse de bola, algo que costuma ser hábito nos comportamentos do Benfica neste momento do jogo, mas que neste lance em questão, assim não aconteceu. Ou seja, após a recuperação da posse de bola em zonas mais baixas, o Benfica deu dois passes, sendo que um deles foi errado e os mesmos no mesmo corredor lateral. Após a recuperação, a equipa “assumiu” que iria ficar com bola e começou a ajustar esses comportamentos, tentando a linha defensiva subir e encurtar a equipa, tendo sido surpreendida pela rápida recuperação do Tondela e consequente aproveitar do espaço nas costas da linha defensiva entre central e lateral. Ou seja, no momento da recuperação, a equipa rapidamente mudou a sua postura de uma forma defensiva para ofensiva, mas quando a perdeu novamente, teve dificuldades em reajustar novamente defensivamente.

O lance inicia-se com o Tondela em ataque posicional desde a sua primeira fase de construção com a equipa aberta e posicionada mediante as ideias do seu treinador, com o Benfica preparado para condicionar e sair a apertar se a opção fosse sair de forma curta. A ideia de Jorge Fernandes é explorar a diagonal de Hélder Tavares entre central e lateral, mas sem mover o Benfica, torna-se uma situação fácil de defender por parte dos encarnados. Grimaldo recupera e força pelo mesmo corredor em Cervi com Zivkovic a mover-se em apoio e posteriormente a colocar-se de forma mais profunda, enquanto isso a linha defensiva começa a subir para encurtar a equipa. Ao movimento de Zivkovic, Cervi demora a decidir, permitindo a aproximação de David Bruno (e restantes colegas) que condiciona e bem a opção de passe do argentino. Recuperação de David Bruno e à rápida mudança de comportamento dos jogadores do Tondela, principalmente de Miguel Cardoso que percebe espaço para explorar na profundidade, Douglas demora a reagir, com Luisão a ser ultrapassado em velocidade pela diagonal do extremo esquerdo beirão nas suas costas e Bruno Varela a hesitar na sua acção de saída. O passe de David Bruno é muito bem feito e a execução de Miguel Cardoso é também ela digna de registo.

Vale a pena ver o golo em ângulo aberto.

 

José Carlos Monteiro
Sobre José Carlos Monteiro 47 artigos
Treinador de Futebol, Uefa B, com percurso e experiência em campeonatos nacionais nos escalões de formação. Colaborador como observador e analista em equipas técnicas na Primeira Liga. Alia a paixão pelo treino e pelo jogo à analise de jogo.

2 Comentários

  1. A meu ver,

    Os três grandes jogam muito muito pouco. Um tédio pegado…
    O Sporting quase nunca conseguiu contrariar o Portimonense de jogar no campo todo. A quantidade de vezes que o Portimonense jogou dentro do bloco do Sporting e que teve jogador com bola controlada com fraca cobertura em frente da última linha do Sporting, levam-me a concluir que o Sporting ganhou como podia ter empatado ou perdido. Teve mais sorte que qualquer outra coisa. E assim espreita o segundo lugar…
    O Porto está a viver da garra e alegria que o golo do Herrera na Luz deu. Esta garra disfarça muitas ineficiências coletivas e assim se ganhará um campeonato…
    O Benfica, em sentido oposto ao Porto, entregou a capacidade de camuflar as suas inabilidades quando entrou o Samaris para o lado do Fejsa. Alguns acham que foi azar mas a sorte procura-se. A tristeza e falta de crença contagiou a capacidade. A ausência do Jonas é importante mas acho mesmo que a maior ausência está em decisões chave do RV que, se por um lado deram resultados positivos quando há meses criou os dois triângulos no meio campo (que saudades do Krovinovic…), desde a segunda parte com o Porto tornaram-se um desastre. E assim, haverá capacidade para ganhar alma para o derby?

  2. PS:
    Quando entrou o Samaris para o lado do Fejsa contra o Porto, o Benfica entregou-se à sorte.
    O Tondela, tendo jogado bem e a meu ver isso com o Pepa não é novidade, teve mérito, mas nestas circunstâncias acredito que quase qualquer equipa poderia montar uma estratégia que enervasse o Benfica.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*