Mil e uma decisões para estragar ataques

Benfica's Franco Cervi (L) vies for the ball with Fenerbahce's Eljif Elmas (R) during UEFA Champions league third round second leg qualifying football match between Fenerbahce SK and SL Benfica on August 14, 2018 at the Fenerbahce Ulker stadium in Istanbul. (Photo by OZAN KOSE / AFP) (Photo credit should read OZAN KOSE/AFP/Getty Images)

Na Turquia, o Fenerbahce demonstrou o que havia sido em Lisboa. Uma equipa desorganizada com poucos princípios comuns. Em Portugal fala-se tanto em processo ou princípios e sua ausência, seria importante para quem pretende conhecer um pouco mais do jogo, seguir estas ligas periféricas onde ainda não chegou o jogo colectivo, para se perceber diferenças sobre o que é ou não é trabalho colectivo.

Da bagunça táctica do Fenerbahce, resultou mais de uma dezena de possibilidades para o Benfica na sua transição ofensiva chegar ao golo. Espaço, boas relações numéricas. Enormes condições para uma goleada histórica. Ao invés, um chorrilho de péssimas decisões que inviabilizaram o sucesso a cada ataque rápido.

Se tais ataques se treinam? Claro que sim. Exige-se muito melhor definição e conceitos simples como o ir provocar adversário para libertar colegas podem e devem ser trabalhados. Mas, houve na Turquia, também bastante de falta de capacidade cognitiva para resolver lances, porque não sendo lances padrão, exige-se mais inteligência a jogadores de nível Benfica!

Por isso se dizia que Krovinovic, Zivkovic e Jonas são tão superiores aos colegas de equipa que jogaram na Turquia.

Um autêntico compêndio do disparate e do mal decidir. Foi assim:

 

 

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3358 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

5 Comentários

  1. E Rafa? Felix?
    Deixa me propor te uma coisa Maldini. Tu, que cada vez mais começas a ser mais reconhecido no desporto rei.
    Qual seria o teu 11 para a maior parte dos jogos do Benfica?
    Como assíduo leitor do vosso blog desde embrião diria:
    Odiss
    Almeida Jardel ruben Grimaldo
    Gerson fejsa kriv
    Zivko ferreyra Jonas
    ?
    O grande potencial de Rafa ainda tem como saltar para aí?

    Um grande obrigado por todas as aulas.

  2. Mais uma bela análise.
    Acrescentaria apenas que existem falhas que são fruto da inexperiência, quer na decisão final quer na gestão física, do Gedson, mas isso é compreensível em função da sua idade. Do lado esquerdo muitos erros sucederam porque me parece existir uma falta de apoio central para ligar a ala esquerda ao jogo central. Essa ligação atualmente é dada por Gedson e Ferreyra, os quais naturalmente ainda não estão totalmente entrosados.
    Quer os erros do Gedson, quer a incapacidade da ala esquerda para ligar com o jogo central, poderiam ser corrigidos, no primeiro caso, com Krovinovic pela sua maior maturidade e assertividade e, no segundo caso, com a presença de Zivkovic e Jonas porque o primeiro tem maior tendência e facilidade em derivar para o centro e no caso do Jonas a leitura tática é tão evoluída que ele consegue posicionar-se no sítio e momento certo para ligar e fazer fluir as jogadas.
    Atualmente o Benfica não tem nenhum dos três o que significa que é necessário acelerar a evolução tática do Gedson e Ferreyra e na ala esquerda variar entre Cervi com Zivkovic, embora o Grimaldo se sinta mais à vontade com Cervi.

  3. Isto é doloroso de ver. O que raio andam estes gajos a fazer nos treinos? Desaprenderam? Isto era uma das maiores armas do Benfica nos últimos anos…

  4. Grande vídeo… Passados dois dias, acho que foi um jogo muito mau do Benfica, nojento mesmo. Valeu a inépcia do adversário e a maior qualidade individual. Vocês dizem que não são jogadas padrão mas neste vídeo eu identifico claramente “pensamentos-padrão”:

    – A construção é sempre por fora, independentemente do contexto (na senda do “se fosse fácil não era para nós” ou do clássico “quem tem cu tem medo”);

    – No corredor central só há ordem para progredir com ela no pé, se for em passe já não pode ser;

    – A posse de bola serve para passar o tempo e não para destruir/ofender o adversário. As transições devem ser feitas com a máxima segurança possível, mesmo que isso implique dar um charuto para onde for preciso.

    Estes jogadores podem dar muito mais. Mas muito mais! Não há paciência para um futebolzinho deste calibre. Meh.

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