O segredo de um Porto vencedor

Energia e vontade sem organização e coordenação colectiva é apenas desgaste desnecessário.

A equipa de Sérgio Conceição é composta por um sem número de jogadores bastante enérgicos, energia expressa na forma como não se coíbem de investir também nos momentos defensivos, estando sempre predispostos a aumentar velocidade da passada para chegar rápido, mesmo que seja apenas para trabalho de pouca notoriedade porque defensivo (fechar espaços, impedir portador de enquadrar, encurtar distâncias).

Tal, por si só, é garantia zero de sucesso. Contudo, o treinador do FC Porto trouxe organização para tal energia, e nos dias de hoje, há poucas equipas europeias capazes de condicionar tanto e de forma tão eficaz o jogo ao adversário.

Não é no contexto Europeu, mesmo com os posicionamentos abertos com que trabalha em ataque posicional, uma equipa sequer de nível médio alto ofensivamente, sobretudo lá está, em organização ofensiva, mas porque é formada por diversos jogadores de determinadas características bastante acentuadas do ponto de vista atlético, e porque está bem orientada do ponto de vista colectivo, com uma ideia que aproveita os traços individuais dos jogadores que lhe compõem o onze, o FC Porto de Sérgio Conceição tem tido imenso sucesso perante equipas de nível semelhante.

Controlar – Identificar timing para pressionar – Pressionar – Roubar e sair em Transição.

Ficou a meros dois pontos do máximo possível numa prova da dimensão da Liga dos Campeões. Na Turquia, a sua identidade quase lhe valeu um golo imediatamente a seguir à bola de saída … do adversário!

 

O caminho que percorre a equipa azul, está longe do encanto de um jogo de decisões e criatividade. Todavia, é a prova de que mais do que seguir-se por um determinado caminho, sem ter competências para tal, a vitória está mais próxima de quem é extremamente forte no caminho e nas ideias que preconiza. A um nível Europeu, é um Porto aSimeonizado. Não basta, contudo, mesmo no ideal de Sérgio Conceição querer seguir por ali. Sem jogadores como Danilo, Marega e Herrera, não seria o Porto uma equipa tão competente no cumprir de tal ideal.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3448 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

6 Comentários

  1. E sem um grupo que nem na Liga Europa também. Considero desonesto não fazer este enquadramento. Não sendo a análise essencial, porque é o jogo que importa, eram quatro equipas fraquíssimas. Ao longo de quatro meses, tivemos ali momentos de autênticos solteiros contra casados.

      • O jogo de ontem é que foi um autêntico solteiros contra casados, mas bem, fico-me por aqui relativamente a esse assunto.
        Este Porto teve um jogo que podia ter perdido claramente, não fosse a ineficácia da equipa adversária. Acabou por ser feliz, sendo eficaz nas oportunidades que teve. De referir a utilização de jogadores menos habituais tais como Adrian e Hernani (para além dos suplentes André, Jorge e Chidozie), que efetivamente não são os titulares deste plantel (também não há alternativas a estes, tendo em conta as ausências).

  2. texto espetacular como sempre. opção de hosting de video horrivel como sempre.
    porque não youtube? plataforma com provas dadas em todos os sistemas operativos…

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