O controlo da profundidade na “Era da Estratégia”

A observação do adversário tem um papel relevante na estratégia a adotar durante o jogo.

Há muito tempo que por aqui se fala de controlo da profundidade. Já escrevi sobre o assunto, apresentando duas formas de controlar o espaço existente nas costas da linha defensiva:

” A questão da bola coberta e descoberta é importante mas não me parece que seja suficiente. Para evitar baixar sem necessidade, acredito que os jogadores devam estar focados na leitura corporal do adversário. Faz sentido preparar os apoios para correr quando a bola está descoberta mas só fará sentido diminuir o espaço existente em profundidade, quando o portador revelar intenções de colocar a bola nas costas da linha defensiva.”

“(…) a questão da bola coberta e descoberta, associada à leitura corporal, não é um método exclusivo para controlar as ameaças à profundidade.
Em determinadas situações, a armadilha do fora de jogo pode ser uma ferramenta extremamente útil, no controlo desses movimentos.”

“Em situações em que os únicos jogadores capazes de ameaçar a profundidade se encontram “ao alcance” da linha defensiva, a opção pode passar por dar um passo em frente. Obviamente, que o nível de proximidade tem de ser o suficiente para que os defesas possam deslocar-se em sentido contrário, deixando o adversário em fora de jogo, antes do passe se realizar. Por vezes, travar o recuo é suficiente. “

No entanto, e porque o jogo evolui, para ganhar vantagem sobre o adversário, a análise dos comportamentos padrão do nosso opositor pode ser fundamental.

Imbuídas num futebol apoiado, assente no passe curto e na viagem conjunta, são várias as equipas que optam por não apresentar ataques à profundidade em zonas de construção. Muitas delas, quando o fazem, utilizam apenas um elemento fixo, ou seja, só esse jogador fica responsável por atacar o espaço em profundidade. Isso já poderá trazer consequências mas o maior problema surge quando as equipas estão de tal forma rotinadas nesse jogo que não vislumbram a necessidade de atacar o espaço nas costas da defesa adversária. Nesses casos, a equipa ficará ainda mais exposta.

Ao observar um adversário que, quando a bola está nos centrais, não coloca alguém a ameaçar profundidade, não poderá a equipa adotar uma postura mais agressiva, mantendo a sua linha defensiva alta? Qual a necessidade de retirar profundidade, se sabemos, através da observação, que não existem movimentos de rutura quando a bola está nos centrais. Obviamente que a observação nunca nos garantirá, com certeza, que o portador não procurará outras soluções. Ainda assim, vale a pena consciencializar a equipa. Se os centrais raramente lançam longo, a linha defensiva não tem a necessidade de oscilar com tanta intensidade como se estivesse a enfrentar uma equipa em que os centrais, com bola descoberta, tendem a lançar sempre.

Nos casos em que apenas um elemento tende a atacar a profundidade, trabalhar a armadilha de fora de jogo pode ser extremamente útil.

Existirão muitas mais informações importantes na forma como se comporta a linha. Um exemplo, será a velocidade de quem costuma atacar o espaço nas suas costas.

Todos sabemos a importância de manter a equipa curta no momento de organização defensiva. Um metro mais acima poderá fazer a diferença. Utilizar pormenores da observação para gerir a forma como se controla a profundidade pode ajudar a ganhar vantagens importantes sobre o adversário.

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 75 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

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