A Infelicidade de Pensar Demasiado

Quanto mais conhecimento temos, melhor preparados estamos para tais situações. Certo? Mas não podemos deixar o excesso de considerações afetar as ações realizadas.

“Raciocinar demais diante das situações é uma tentativa de dominar todas as possibilidades e efeitos das nossas decisões. Só que, com isto, diminui a nossa capacidade de ação e podemos ter dificuldade para encontrar soluções criativas” – diz a psicóloga Elisa Vilela.

Pensando no nosso Desporto, os pesquisadores Jackson e Beilock realizaram um estudo com jogadores de futebol de alto nível – estes foram solicitados a realizar dribles entre uma série de cones, mas deveriam prestar a atenção no lado do pé com o qual eles tocavam na bola em cada movimento. A intenção era atrair a atenção do jogador para a realização destas ações de uma forma que não acontece normalmente. Como resultado, a execução do drible foi pior (mais lento e com mais erros) quando os jogadores tiveram de prestar atenção nas ações quando comparadas com a condição em que driblaram sem qualquer instrução.

Trazemos então ao mundo dos pênaltis, pois é quando o jogador tem mais tempo para pensar positivamente ou negativamente.

Como não recordar o Mundial de 2010, onde o bicampeão do mundo Uruguai enfrentava a seleção de Gana que estava com muita energia para ser o primeiro país africano a chegar em uma semi final do torneio.

Com a partida nos segundos finais, Luís Suarez impede o gol africano com a mão e é expulso, era o que todo o continente africano queria, o pênalti seria o último lance do jogo. Foi para a bola o artilheiro da seleção o centroavante Asamoah Gyan que em toda sua carreira (contando até hoje) teve 36 pênaltis à sua disposição, convertendo 31 e errando apenas 5, ficando com uma média de pouco mais de 86%. Um desses poucos erros seria aquele dos instantes finais (seria então seu segundo erro na carreira).

No mesmo jogo então, fomos para as disputas de pênaltis, e podemos ver o outro lado da moeda, a responsabilidade celeste foi deixada ao El “Loco” Abreu, o centroavante bateria o 5° e último pênalti da série, mesmo diante de toda a pressão o uruguaio fez o gol com uma “cavadinha” no meio do gol.

Outro exemplo que trazemos é de Roberto Baggio, que em toda sua carreira teve 113 pênaltis batidos, 97 convertidos e apenas 16 errados. Era então a final da Copa do Mundo de 1994 que até hoje é a única da história das copas sem gols no tempo normal, foi se à disputa de pênaltis. O camisa dez italiano que era também o cobrador oficial de sua seleção foi deixado para o último instante, com o 5° pênalti.

Para a alegria dos brasileiros, Baggio chutou por cima da trave e ficou ali estático vendo os rivais comemorar (O italiano estava com uma contratura muscular na coxa, o que dificultava a tarefa, mas não a ponto de fazê-lo chutar tão mal). Anos depois em uma entrevista o italiano admitiu nunca ter sentido uma pressão tão grande como aquela passada no Estados Unidos.

“Quanto ao pênalti, eu não quero me gabar, mas só errei alguns na minha carreira. E eles foram porque o goleiro chutou, não porque eu errei o alvo. Só para que você entenda que não há explicação fácil para o que aconteceu em Pasadena.” – Roberto Baggio escreveu em sua autobiografia “Uma Porta Nel Cielo” (Um gol no céu).

A solução, portanto, não é deixar de pensar antes de agir, mas, na medida do possível, conciliar impulsividade e raciocínio. Na hora de decidir também vale tirar proveito da intuição.

“A intuição é a habilidade de processar informações inconscientemente, sem a intervenção do raciocínio lógico. Ela se desenvolve por meio de experiências e memórias acumuladas no decorrer da vida” – define a psicóloga Katia Rech.

Referências:

Hagi
Sobre Hagi 19 artigos
Leonardo Charamitara - Estudante de Educação Física e do futebol, tenho 20 anos, administrador da página @analisedefut no Instagram e o perfil pessoal como @leo_charamitara

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