Agora Com Ronaldo

A extraordinária exibição da selecção nacional contra a Croácia fez reabrir uma discussão antiga. Estaremos mais perto ou não de vencer jogos sem Cristiano Ronaldo?

A resposta terá sido dada na Suécia pelo próprio Capitão que não precisou sequer de esperar pela criação de excelência dos colegas para resgatar o resultado para Portugal.

Não acredito que algumas discussões, pura e simplesmente não se devem ter, nomeadamente quanto se procura projectar a selecção nacional sem Cristiano. Curiosamente, em tempos idos, Cristiano em plena transformação de Criador / Finalizador para Finalizador, nem sempre decidia bem por querer mostrar algo que já tinha ido. Por querer fazer ainda mais do que o que deles esperávamos.

Hoje mais do que nunca Cristiano encontrou o seu espaço. Sabe onde faz a diferença e… fá-la!

Notas de mais uma vitória lusa:

  • Organização Defensiva novamente de nível mundial – Enorme o trio central – Pepe, Rúben e Danilo, fecham todo o espaço central e não permitiram, uma vez mais, qualquer possibilidade de finalizações aos adversários, mas também a forma como a linha média fechou as possíveis entradas da Suécia por dentro da estrutura lusa se revelou determinante para um jogo tranquilo;
  • Bruno Fernandes a realizar um dos melhores jogos ao serviço de Portugal – Com pouquíssimo erro mesmo tomando decisões que visaram acelerar o jogo quando o espaço abria. Assertivo no passe e na tomada de decisão, foi o médio criativo que a selecção necessitava;
  • Mais uma exibição tremenda de João Felix – O que cresceu e o que mostra hoje, também no momento defensivo tornam-o mais completo do que nunca – Quantos jogadores com tamanho talento se dão à sua equipa quanto Felix fez nestas duas partidas? Tal como com os críticos de Cristiano está a ficar difícil não reconhecer o rendimento de João Felix. A qualidade em todas as acções que tem com bola, seja recebendo para servir ou para partir para a finalização demonstram bem o nível diferenciado a que já se encontra;
  • Portugal partiu da excelente organização colectiva para um jogo que voltou a fazer emergir os seus talentos individuais e cumpre duas partidas de elevada dificuldade a um nível elevadíssimo e ainda obtendo dois excelentes resultados.

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13 Comentários

  1. A primeira parte da selecção é mais fraca do que contra a Croácia.
    Bolas longas disparatadas, alguns cruzamentos pelo ar em manifesta inferioridade perante um adversário muito forte fisicamente e agressivo nas segundas bolas.

    Cancelo e Guerreiro menos afoitos, mas porque houve menor qualidade no envolvimento técnico com bola. Muito pouco conforto em controlar. Gostei de Moutinho adiantado na pressão, mas preferia ter visto nesse papel o Bruno Fernandes. Muito bem Danilo e Pepe, sempre seguros e concentrados. As saídas para contra-ataques não foram muito bem executadas, Gonçalo Guedes não tem perfume para ser titular, e Jota tem muito maior clarividência a atacar o último terço.

    Ronaldo fez um jogo em que aparece para decidir. Infelizmente, não vamos ficar a reflectir no decréscimo de qualidade da selecção (basta comparar as primeiras partes), que tanto nos fez sonhar. Por ventura, ficará apenas para alguns jogos, contra algumas equipas… Também gostava de ver Guerreiro e Bruno Fernandes a bater mais vezes os livres directos.

    • É impossível tu fazeres uma comparação justa, dizendo apenas: “Viram? a 1º parte contra a Croácia foi muito melhor sem Ronaldo do que a 1º parte contra a Suécia com este”…

      É que quem percebe minimamente de futebol viu que não há comparação possível entre o que foi a Croácia a defender (0 intensidade) do que foi a Suécia, com uma bruta força física, um fecho de espaços impecável, muita intensidade na pressão pouco depois do meio-campo… Então não há comparação possível. Quem dera ao Ronaldo ter jogado contra a Croácia… Já estava bem mais perto dos 109 do outro.

      • Tens razão ao dizer isso da Suécia, que teve um comportamento excelente. Mas eu disse que esta seleção da Suécia era agressiva e que nos colocava muitos problemas. E não estou a ser injusto ao dizer que fomos um pouco displicentes ou menos capazes em alguns momentos neste jogo. Basta ver como os centrais procuram a profundidade para se perceber o grau de precipitação, e o atrapalhamento técnico em algumas saídas de bola na segunda parte, que de outro modo (com outro seguimento) ofereceriam outro resultado.

  2. Eu só posso falar da mimha opinião.
    Suscitei em jeito de provocação, este tema em comentários nos posts do jogo com a Croácia mas não defendi que o Ronaldo não jogue. O que quero é que 1+1 possa ser igual a 2 e não a 1,5.
    Hoje, será que só eu vi o nosso jogo emtre linhas a ser muito menos explorado?
    Ouviram a flash interview do Ronaldo? Será que só eu vejo que o auto foco subtrai foco num outro desenvolvimento da equipa?
    O tipo de posse que a equipa apresenta sem Ronaldo deveria ser possível com Ronaldo e fará muita falta para podermos dar os passos seguintes que este grupo de jogadores pode dar para, por exemplo, jogar contra França.
    Ronaldo é possívelmente o melhor finalizador da história, mas ainda condiciona demasiado o tipo de posse que temos, sendo muitas vezes eficaz a marcar, é certo, mas quando não é lá fica a equipa toda descompensada tanto no futebol como emocionalmente.
    Acho que podemos e devemos pedir mais e as críticas construtivas que se façam só podem ajudar

    • Exactamente! Eu disse o mesmo. E este até terá sido um jogo atípico na eficácia dos remates do CR. Defendo há muito que o marcador de bolas paradas deve variar, por exemplo. Creio que Ronaldo era até há pouco tempo o segundo pior batedor de livres da história do Calcio (https://www.ultimouomo.com/cristiano-ronaldo-punizioni-juve/#). Da mesma forma, a transição defensiva com Ronaldo é algo que perturba muito o corredor onde está inserido (compare-se com o jogo da Croácia, por exemplo). É um orgulho ver como Simeone trabalhou Felix, para o manter sempre concentrado na atitude defensiva.

      A posse com Ronaldo será sempre diferente porque a equipa olha sempre para ele. A precipitação em bolas longas foi tão visível neste jogo contra a Suécia… Eu gostava que Fernando Santos focasse mais a equipa e outras exibições individuais, para soltar esses pequenos génios que estão com a maturidade certa para assumirem.

      As pessoas levam a mal este tipo de críticas construtivas porque acham que estamos a falar mal do jogador ímpar da nossa Selecção. É um pouco pateta. Como também é pateta defender a exclusividade das bolas de ouro para dois jogadores nos últimos anos – arrepia ver os nomes que ficaram de fora. Mas o golo é uma…ditadura :).

      • Ser um dos piores batedores de livres do Calcio a nível de eficácia não apaga a história do Ronaldo e o facto de ser o batedor de livres com mais golos do mundo.

        • Não apaga a história do Ronaldo? Mas estamos a falar da história para quê? Isso é um problema teu de auto-estima, grave. Um dos piores marcadores de sempre de livres directos não deveria marcar sempre os livres directos. Simples.

  3. Alguém me consegue dizer de quem foi o passe que rasgou o campo para encontrar o Félix que depois da a Cristiano para marcar o segundo? É daqueles que até arrepia tamanha a dificuldade e o impacto que tem numa jogada, de resto este Portugal com Félix, Bruno, Ronaldo e Bernardo é um mimo assistir a jogos da seleção 😀

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