A Contrição de Jesus: Dai-lhes carinho

Jorge Jesus pediu carinho para si e para os seus. A ausência de público estará entre um dos motivos para o mau Benfica da temporada. O efeito Responsabilidade – Motivação que este sempre confere traz indubitavelmente sensações positivas para o relvado. Sentimentos que fazem crescer ou diminuir quem galopa a onda ou a procura evitar.

Mas, essa mesma ausência de público faz-se notar também na forma como hoje a quem está no relvado é possível ouvir toda e qualquer instrução. E Jorge Jesus não tem propriamente pudores na comunicação com os seus atletas.

Não é positiva, deixa-os expostos e provavelmente com mais dúvidas do que certezas sobre o caminho a seguir. Ouvir os berros do mister, qual master de comando de PlayStation na mão a guiar todo o caminho, de comunicação negativa quando a decisão – seja com ou sem bola – foge ao que o grito indicaria, não será seguramente o carinho que quem toca na bola precisa para estar confortável e confiante.

Para os lados da Luz, a ausência de público bem que poderá ser mais do que não ter o carinho dos seus adeptos, mas passar a ter o chicote do seu treinador.

Mas, aos meninos não se pode dizer nada? Claro que pode, e deve. Porém, a comunicação para poder ser efectiva e melhorar o rendimento deve sempre respeitar uma série de regras, que convenhamos, todos sabemos que não é propriamente o que acontece quando Jesus dá uma qualquer indicação.

Ouvir as críticas, ironias do seu treinador e no tom em que são feitas, não ajudará ninguém a tornar-se melhor jogador, ou sequer a estar “levezinho” para sentir que se pode experimentar mesmo que o erro possa chegar.

Jorge Jesus com um plantel reforçado em mais de 100 Milhões está a fazer bastante pior que Bruno Lage ou Rui Vitória, dois treinadores “encostados” pelas massas, sobretudo pela falta de noção destas entre discernir o que é qualidade individual e até onde poderá ir a qualidade coletiva. O mestre da tática que há uma década atrás estava bem à frente de todos os outros, não tem hoje essa vantagem toda. Nem lá perto, diria. E sem melhorar em outros aspectos…

Dejan Savicevic
Sobre Dejan Savicevic 91 artigos
Ricardo Galeiras Treinador, apaixonado por desporto, futebol e treino. Experiência em campeonatos nacionais na formação e atualmente ativo no futebol sénior. Colaborador na área de scouting e análise de jogo, com vários treinadores e equipas do campeonato nacional da Primeira Liga. Contacto: galeiras@gmail.com

5 Comentários

  1. “Ouvir as críticas, ironias do seu treinador e no tom em que são feitas, não ajudará ninguém a tornar-se melhor jogador, ou sequer a estar “levezinho” para sentir que se pode experimentar mesmo que o erro possa chegar.”

    Claro que o jesus em toda a sua carreira nunca ajudou nenhum jogador a evoluir…

    Acredito que quem escreveu este post deve ter um vasto currículo para poder ensinar Jorge Jesus como se evolui jogadores…

    A sério vocês perderam a noção? Isto é mesmo o Lateral esquerdo?

    Volta Pedro Bouças!

    Que post ridículo e que falta de noção e humildade de quem o escreveu.

    • Revejo me completamente no post e digo te mais o pior cego aquele que não quer ver e deixo com a excelente tirada: “ O mestre da tática que há uma década atrás estava bem à frente de todos os outros, não tem hoje essa vantagem toda. Nem lá perto, diria. E sem melhorar em outros aspectos…” Nem mais! É por repostas como estás que o Benfica está como está, enfim…

  2. Este artigo é tão ridículo que até me sinto mal em recordar que um dia considerei o Lateral Esquerdo como uma das páginas mais inteligentes em Portugal. E na altura era das páginas mais inteligentes em Portugal, mas este travestismo em que se tornou é insuportável. Desde começar a apoiar a ideia que se uma equipa ganha é porque algo terá feito bem, até este tipo de argumentos impossíveis de serem debatidos (ainda me recordo quando o Pedro Bouças dizia que não queria falar de coisas como motivação e ambiente de balneários porque eram impossíveis de serem vividos e comprovados pelos autores), tem sido um descarrilar de qualidade por aí abaixo. E se é doloroso assistir a isso, não me recordo de ter tanto pesar por ver um tal atrofio noutra qualquer página.

    • Quando toca no osso, deixa de ser a dor no outro e a ser a nossa ferida, que tem sempre uma perspectiva clubitica de quem lida mal com a própria crítica. Têm dificuldade de analisar com racionalidade e lógica,
      A página está na mesma, o problema está que quem a lê, mudou de perspectiva de momento…
      Abraço LE

  3. A história da direção de orquestra está repleta de egos gigantescos que nunca erram, mas sempre dispostos a culpar os músicos; está repleta de maestros que tratam mal os músicos quando as coisas não saem exatamente como imaginaram. Assim foi nos anos 40 e 50 e talvez até mais tarde. Hoje, creio que este tipo de tratamento entre quem dirige e quem executa/interpreta deixou de existir. Deixo-vos uma pequena preciosidade de Toscanini de 1943: https://youtu.be/e89cjFuxhwk . O futebol, como uma das disciplinas mais analisadas, mais profissionalizadas, mais minuciosamente discutidas da nossa sociedade contemporânea e dispondo de recursos gigantescos tem também de evoluir nesse lado.

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