De Bicicleta no Adeus à Champions

Entrada muito pressionante com Otávio, Corona e Marega a cair sobre a saída dos centrais, e o trio do meio campo intenso nos duelos, recuperando bolas. Uribe e Oliveira encaixaram em Jorginho e Kanté e impediram o Chelsea de conseguir assumir a toada do jogo numa fase inicial, dando superioridade à equipa portuguesa.

Contudo, sempre sem grande processo de criação – Mérito também para o pressing dos “blues” em 5x2x3, impedindo o Porto de sair, e obrigando a equipa de Conceição a bater longo, esperando por uma segunda bola para poder iniciar construção mais alta.

A primeira parte voltou a ficar marcada por uma superioridade tática da equipa de Conceição, mesmo vendo os “blues” de Tuchel a encontrar por diversas vezes o homem livre nas costas do pressing, e pela participação com mobilidade de Otávio na frente de ataque do Porto. Deslocou-se para o espaço interior, libertando o corredor para Zaidu e esteve sempre activo em todos os momentos do jogo.

O segundo período trouxe de novo o equilíbrio como toada dominante. O Porto precisava de criar para inverter o rumo da eliminatória mas nunca foi capaz de o fazer. A presença de Kanté na equipa de Tuchel ajudou a fechar o meio campo e a transportar o jogo para uma dimensão de fecho dos espaços e primazia de sucesso no trabalho sem bola.

Esteve muito longe de ser uma partida aprazível e de nível Quartos de Final da Liga dos Campeões, mas tal deveu-se ao bom plano defensivo que ambos os treinadores traçaram que acabou por impedir o sucesso das investidas ofensivas.

Para a meia hora final e depois de bloquear sem bola o Chelsea, Sérgio Conceição lançou Taremi pelo médio Grujic, arriscando com posicionamentos mais ofensivos na procura de ser uma equipa com mais presença quer no espaço entre linhas, quer na zona de finalização – e que golo maravilhoso somou -, mas a boa e robusta organização adversária não permitiu veleidades a uma possível criação azul.

Um jogo muito embrulhado taticamente sem que qualquer dos conjuntos sentisse poder que a eliminatória estaria em causa. E o resultado apenas interessava ao Chelsea. Sai de orgulho intacto pelos dois bons jogos na eliminatória, porque bloqueou por completo sem bola os “blues” – Erros Individuais marcaram a diferença e porque voltou a vencer um gigante Europeu.

A maravilhosa bicicleta de Taremi não espelha ou personifica o jogo. Nem este teve beleza, nem sequer a velocidade de uma bicicleta. Foi sempre um jogo mais agressivo e competitivo, veloz e de entrega total, do que artístico e de pouco andamento.

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