PSG nas meias – Plano de jogo que segurou o campeão europeu

Com a vantagem conquistada na primeira mão em Munique, o PSG consumou a vingança da final de Lisboa eliminando os alemães (um dos grandes favoritos à vitória final da prova) apesar da derrota por 1-0 em casa nesta terça-feira. Num jogo em que se previa de algum sofrimento pelo provável caudal ofensivo do Bayern em busca dos golos que permitiriam a reviravolta na eliminatória, o plano de jogo de Maurício Pochettino permitiu garantir a solidez defensiva possível (os dois golos sofridos na primeira mão poderiam ditar a eliminação) e até criar algum desconforto à defensiva dos alemães, não alterando no entanto os grandes princípios do modelo.

Vi o jogo com tranquilidade, normal. No plano tático, continuámos fieis à nossa ideia inicial. Não mudámos o plano. Corrigimos apenas algumas coisas que nos permitiram defender melhor.”

Maurício Pochettino, no pós-jogo

Fase Defensiva

Partindo da estrutura defensiva em 1-4-4-2, as dinâmicas procuraram controlar alguns dos pontos fortes do modelo do Bayern:

  • Tentativa de bloquear o jogo de corredores dos alemães, perigoso pela capacidade da dupla lateral + extremo (dos dois lados) de carregar muito jogo pelo corredor com momentos variados de ala dentro/lateral fora ou lateral dentro/ala fora chegando um deles muitas vezes a zona de cruzamento curto perto da linha final onde surgem grande parte das assistências dos bávaros. Para tal, promoveram-se muitas situações de 2v2 nos corredores com o extremo a encurtar no lateral adversário e lateral no extremo contrário com atenção a possíveis trocas de marcação no caso de movimentos do lateral adversário em profundidade (onde passa a ser responsabilidade do lateral). Em caso de movimentos de apoio no corredor do extremo e situações de 2v1 de extremo + lateral adversário contra extremo existia aproximação do lateral para cobertura defensiva próxima.
  • Tirar protagonismo na fase de construção ao médio de maior capacidade de lançamento, gestão de ritmos de jogo e tomada de decisão (Kimmich), colocando-o sob frequente pressão frontal para não facilitar os enquadramentos do mesmo para jogo. Os dois avançados, quando incluídos na estrutura de pressão, condicionavam os centrais de dentro para fora fechando a linha de passe para o médio ou, abdicando de pressionar agressivamente os centrais, dividiam espaço fazendo com que Kimmich estivesse mesmo no meio de ambos podendo facilitar uma pressão pelo lado cego. Caso conseguisse receber, um dos dois médios agressivamente encurtava no alemão. Este sufoco de marcação fez com que muitas vezes o mesmo saísse da sua área habitual na construção de 2+1 do Bayern para fora da pressão, originando momentos de saídas a três mas com o médio mesmo mais longe do terreno onde é mais influente.
  • Compactação do bloco, com as duas linhas de quatro bem próximas, tornando os movimentos de apoio do segundo-avançado (Muller) ou do segundo médio quase impossíveis por ausência de espaço entre a linha defensiva e linha média, forçando o Bayern a jogar muito por fora do bloco em espaço exterior.

Fase Ofensiva

Em organização defensiva, os dois avançados foram muito poupados nos momentos de pressão, realizando apenas pequenos movimentos de condicionamento dos centrais e médio de construção e, mal o Bayern entrava em fase II ou III (criação e finalização), praticamente desligavam e posicionavam-se estrategicamente para a transição ofensiva e fases rápidas de organização ofensiva com solicitação da profundidade onde os alemães acabaram por sofrer muito, com algumas das melhores oportunidades do jogo a pertencerem mesmo aos parisienses.

Uma vez que, pelo contexto da eliminatória, o Bayern teria necessariamente que assumir mais riscos e passar a maior parte do tempo em organização ofensiva e provavelmente com uma transição defensiva muito agressiva sobre a zona de perda, preparar a transição ofensiva e os momentos iniciais de organização ofensiva eram essenciais para poder de alguma forma agredir a defesa com Bayern. Mbappé foi o avançado com menos responsabilidades em momento de pressão e a mantinha-se perto da linha defensiva mas sempre ativo para a necessidade de, mal haja recuperação com enquadramento, alternar os apoios para ataque à profundidade procurando as zonas cegas dos centrais (espaço central-lateral). Nesse momento a equipa procurava sair rapidamente da pressão do Bayern (muito passe a quebrar linhas e dinâmica do 3º jogador) e solicitar os seus criativos (Neymar, Draxler e Di Maria) que se associavam por dentro em corredor central com combinações rápidas com objetivo final de procurar a rutura do avançado francês. A própria matriz de passes da equipa neste jogo mostra que tanto os médios como os laterais solicitavam muito os criativos e com o jogo a centralizar muito em Neymar, um dos principais responsáveis pelas ligações na profundidade com Mbappé.

Apesar de atacar com poucas unidades (os laterais e mesmo os dois médios envolviam-se pouco em fase ofensiva, com pouca chegada), a vertigem da circulação (poucos passes, poucos jogadores a intervir na jogada mas muito passe vertical), cumprimento dos princípios (muitas situações de 4v4, 4v3, 3v3, 3v2, 2v1, etc., em espaços grandes muito bem definidas em termos de tomada de decisão do portador e dos colegas nos deslocamentos) e as características individuais (mais do que procurar superioridades numéricas, houve a procura das superioridades qualitativas com exposição dos defesas do Bayern a situações incómodas de 1v1) dos quatro da frente causaram grandes dificuldades e estiveram em alguns momentos bem perto de matar a eliminatória.

Sobre Juan Román Riquelme 63 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

2 Comentários

  1. Caro Juan Román Riquelme

    Onde esteve Lewandowski nesta eliminatória?

    Os dirigentes do Bayern Munique continuam a comer muita m…. às colheradas.

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