(Des)Organização ofensiva: Ronaldo e Bruno Fernandes… com papéis trocados?

A vitória portuguesa por 3-0 frente à Hungria na estreia no Europeu é uma excelente notícia, a atitude e exibição da seleção sem bola foram excelentes (principalmente na primeira parte), mas existiram problemas e dificuldades no ataque nacional que não podem ser ignorados para os próximos jogos, de grau de dificuldade ainda maior! Uma das coisas que me intrigou foi a ausência de Bruno Fernandes das zonas centrais ou mesmo laterais entre setores da Hungria. O espaço não era muito, e a tarefa era certamente complicada para Portugal, no entanto, uma equipa com a qualidade da nossa seleção tem que ter a capacidade para atrair, manipular e explorar o bloco adversário para encontrar os seus melhores jogadores em zonas perigosas.

No jogo contra a Hungria, reparei que Bruno Fernandes teve um papel um pouco diferente do normal. Andou muito por zonas avançadas, sempre colado aos defesas húngaros, tentando aparecer nas costas ou simplesmente fixar a linha defensiva para aparecer alguém no espaço entre defesas e médios. Ora, se com Jota e Bernardo Silva a aparecerem nesses espaços eu conseguisse perceber essa intenção, a verdade é que Bernardo esteve quase sempre encostado ao corredor direito, e Jota atuou também como um segundo avançado/ extremo esquerdo. Quem mais apareceu nesses espaços foi… Cristiano Ronaldo, o nosso melhor finalizador e, certamente, um dos jogadores de ataque com menor capacidade para criar em espaços curtos e conseguir sair da cabine telefónica húngara. Aconteceu muito durante a primeira parte, e mesmo na segunda parte foram esses os terrenos que Bruno e Cristiano mais pisaram, quase até aos últimos 15 minutos. Durante todo o jogo, Bruno Fernandes foi discreto com bola, mas quando apareceu de frente para o jogo, em zonas mais recuadas, foram os momentos em que Portugal mais brilhou, juntamente com Cristiano a atacar as costas da defesa adversária ou a ser uma preocupação na área húngara. Deixo então um vídeo que mostra as dificuldades que Portugal teve com bola, e como Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo pareceram ter os papéis trocados neste jogo… Intencional ou natural? Só Fernando Santos poderá dizer, mas certamente não foi o melhor jogo desta dupla de classe mundial quando estiveram em zonas que não os favorecem:

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Sobre RobertPires 69 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

1 Comentário

  1. Muito bem observado. Na primeira parte até achava que o Bruno devia sair, porque parecia ter ‘ficado em casa’ e mal tocou na bola.

    Devia certamente jogar mais atrás e ajudar na construção que é o seu forte. Isso aconteceu mais na 2º parte e aí já conseguiu criar.

    Temos de ter alguem mais fixo aos centrais. Porque na 1ºparte se o Ronaldo saia ficava lá o Bruno e não faz sentido.
    Talvez o Andre Silva a titular ajude a ter alguem mais fixe que liberta espaço para os colegas. E aí o Ronaldo pode movimentar-se mas garantimos que está sempre alguem na área para responder a cruzamentos.

    Para o próximo jogo colocaria o André e Renato de inicio com as saidas de Jota e William.

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