Quero ver o jogo como tu, Xavi – Posse, jogo de posição e o homem livre

Se a maioria das crianças da minha geração cresceram (e bem) a admirar Messi, Ronaldo, etc., o meu ídolo sempre foi Xavi Hernández. Sabia que nunca seria considerado como favorito para grandes prémios de ouro à escala planetária mas isso nunca me interessou: queria ter umas botas iguais às de Xavi. Queria passar como Xavi. Queria orientar o meu corpo sem bola e virar o pescoço antes de receber como Xavi. Queria ter a capacidade de perceção do espaço em meu redor que me permitisse receber já com a próxima decisão (e as seguintes…) definida como Xavi. Queria controlar o centro do jogo com bola simplesmente pelos meus movimentos na sombra dos médios contrários como Xavi fazia. E agora, quero ver o jogo como tu, Xavi.

(O primeiro parágrafo deste artigo é uma nota pessoal do autor e como tal foi redigido na primeira pessoa)

Enquanto a Catalunha suspira pelo regresso do filho pródigo, Xavi Hernández provavelmente aguçou ainda mais o apetite dos adeptos culés num segmento em que partilha algumas das suas ideias sobre o modelo de jogo e dinâmicas do sistema em momento de organização ofensiva. Nascido e criado em La Masia sobre uma matriz identitária muito singular, essa reflete-se ainda naquilo que o agora treinador parece querer implementar nas suas equipas.

  • A ideia que sustenta o modelo – “Tenho claro em mim que a minha equipa tem de ter a bola e sofro quando não a temos, portanto faço todos os possíveis para dominar o jogo através da posse. Independentemente do sistema, o mais importante é este modelo que falámos: totalmente dominante com bola. Sou obcecado com a posse, mas não em ter bola só por ter mas para atacar, criar ocasiões e agredir o adversário”.
  • O sistema como ponto de partida – “Coloquei um sistema de 3-4-3, com dois alas bem abertos e bem profundos, em cima da linha defensiva contrária, para abrir o campo em largura e em profundidade. Os avançados interiores sempre num quadrado formado pelo lateral, central, extremo e médio contrário. E porquê 3 centrais? Se me pressionam com 2 avançados quero sair com 3 para criar superioridade. Se pressionassem com 3, adicionava mais um e faríamos 4v3. E assim constantemente porque o que busco é criar superioridades numéricas ao longo de todo o campo”.
  • Jogar é buscar o homem livre – “Com bola no guarda-redes, colocamos os alas bem largos e profundos para fixar a linha defensiva contrária. O que fazemos a seguir? Um central abre ao lado do GR, outro faz o mesmo do outro lado e um dos médios pode vir pedir por fora no corredor ou o central pode abrir por fora e o médio ir buscar perto do GR, sempre com o outro médio a assumir a posição 6. E assim provocamos um 8×6, que trabalhamos constantemente no treino. Quantos homens livres há? 2. Então temos de os encontrar e todos têm de entender onde está essa solução para bater uma pressão alta. Se não nos saltam logo à pressão e mantêm a marcação individual, o central tem de progredir para fixar um adversário e gerar situações micro de 2v1 ou apoios frontais com utilização da dinâmica do 3º jogador para deixar alguém a jogar de frente”.
  • Desmontar linhas de 5 – “Em fase criativa, os nossos avançados interiores podem rematar, ir no um contra um ou terão os diferentes movimentos que treinamos na eventualidade de lidarmos com linhas de 5: combinações curtas com o 9, movimentos de rutura do ala ou dos avançados interiores no espaço ala-central e situações de 2v1 no corredor contra o ala”.

As citações foram transcritas de um segmento da página Coaches Voice, com a presença de Xavi Hernández.

Sobre Juan Román Riquelme 75 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

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