Liberdade e Criatividade ou Processos e Segurança?

DORTMUND, GERMANY - SEPTEMBER 19: Giovanni Reyna (BVB) cheers after scoring his team's opening goal during the Bundesliga match between Borussia Dortmund and Borussia Moenchengladbach at Signal Iduna Park on September 19, 2020 in Dortmund, Germany. Fans are set to return to Bundesliga stadiums in Germany despite to the ongoing Coronavirus Pandemic. Up to 20% of stadium's capacity are allowed to be filled. Final decisions are left to local health authorities and are subject to club's hygiene concepts and the infection numbers in the corresponding region. (Photo by Alexandre Simoes/Borussia Dortmund/Getty Images)

Na última jornada de seleções, uma jogada individual de Giovanni Reyna, jogador do Borussia de Dortmund, tem corrido as redes sociais por este mundo fora. A jogada acaba por não dar em golo ou sequer em oportunidade mas lança o debate em torno da falta das fintas e da magia individual que com o passar dos anos foram substituídas pelos processos táticos e o jogar com o máximo de segurança possível.

“Não gosto que digam que não existem jogadores criativos, sobretudo depois de fazerem 800 treinos automatizados. É muito provável que não haja jogadores criativos se tudo for automático e se dissermos a um miúdo de 15 anos que sabe driblar para não o fazer se perder a bola duas ou três vezes. Nessa idade vão perdê-la duas, três, cinco ou 10 vezes. Compreendo a preocupação com o jogo posicional, atacar os espaços. Mas acredito que os treinadores têm de ter em conta essa suposta ou real falta de criatividade. Muitas vezes as defesas são desbloqueadas por um criativo, um drible ou passe que inventa algo diferente quando tudo é monótono”Pablo Aimar

Vivemos um tempo em que o jogador desbloqueador de jogo através de um momento genial e inesperado parece escassear. Se pensarmos em génios de finta curta como Ronaldinho e depois em Di Maria e Cristiano Ronaldo nos seus inícios de carreira, conseguimos perceber para onde foi a evolução. Estes dois últimos exemplos (principalmente CR) representam como o lado tático quase apagou o lado irreverente da finta.

Giovanni Reyna, jovem de apenas 19 anos, internacional pelos EUA e jogador do Borussia de Dortmund, num único lance acabou por mostrar o melhor desse lado mágico e ao mesmo tempo mostrou o porquê dos treinadores optarem pelo passe, processos e dinâmicas para progredir no terreno e chegar ao golo.

Reyna conseguiu ultrapassar vários adversários após uma recuperação de bola na defesa. Correu metros e metros contornando adversários como se fosse fácil. Por vezes até voltando para trás e para o lado. Desgastou-se imenso, ignorou várias vezes colegas e melhores opções e acabou por não chegar sequer a criar uma real oportunidade.

Como opinião pessoal, penso que deve existir um equilíbrio. Sou um profundo admirador do jogador que finta e que dá beleza ao jogo. O jogador que faz valer o bilhete. Sou o adepto que foi a um jogo solidário em Lisboa para conseguir ver Edgar Davids, um dos reis dos anúncios míticos da Nike. Por outro lado, numa única jogada Reyna ignorou pelo menos 3 soluções melhores para que a sua seleção chegasse a um possível golo, e é assim que eu penso que há um limite.

O jogador que é genial e que fica para a história é aquele que tem todo um reportório técnico, mas que usa o cérebro para leituras a favor da sua equipa.

Sobre EdgarDavids 58 artigos
Analista de Desempenho Coletivo e Individual & Técnico de Exercício Físico.

1 Comentário

  1. Não percebo a pergunta – não dá para ter processos/segurança E criatividade/liberdade???!!!

    Que raio, ser livre é promover a insegurança??!!!, parece que o problema é mesmo este, pensar ou mesmo sugerir que são ideias incompatíveis. Isto sim, para mim é falta de liberdade, é meter o jogo nas fórmulazinhas que chateiam o Aimar. Faz-me lembrar o Brasil, onde o conceito de “equipa táctica” é sinónimo de “equipa defensiva” – são formulações que complicam tudo e que no fundo nada dizem, que não conseguem encontrar distinção entre o jogo táctico do Simeone e o jogo táctico do Guardiola.

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