O fabuloso destino do Benfica de Quique Flores

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Não estará, porventura, traçado. Segue-se uma intensa luta pela manutenção do 3º lugar. Sim. Analisando o que há para jogar, pensar em melhorar a actual posição na tabela classificativa é uma utopia. O Braga de Jesus, tem sido, ao longo de toda a prova bem mais equipa que o Benfica. Porém, nunca teve Suazo, nem Reyes.

Previsível.

Se foi notória a evolução enquanto equipa, que o Benfica sofreu até ao mês de Novembro, surgindo jogo após jogo, com novas correcções em relação ao que havia sido feito anteriormente, daí para a frente, somente uma confrangedora estagnação.

No mês de Dezembro, ficou perceptível tudo o que poderia vir a acontecer. Quique Flores não aproveitou a pausa natalícia para implementar as alterações necessárias, que pudessem conduzir a sua equipa ao sucesso. Seguiu-se o fatidico mês de Janeiro, onde para além da perda da liderança, ficou claro que só uma mudança (ou no sistema, ou nas dinâmicas) poderia tornar o Benfica uma equipa competitiva.

Quique permaneceu indiferente a todos os sinais. O caminho trilhado não se alterou. O mesmo caminho que todos haviam percebido estar condenado ao insucesso. Pós Belém, Rui Costa deveria ter actuado. Não seria tarde.

Por teimosia, ou falta de lucidez, foi Quique Flores que, preferindo manter-se fiel ao seu insípido modelo de jogo, conduziu o SL Benfica a exibições e resultados pouco condizentes com toda a qualidade individual que tem à sua mercê.

Continuidade por continuidade, quando não há evolução não faz sentido. Quando se percebe que há uma clara teimosia em forçar a acontecerem ideias que jamais resultarão no contexto do SL Benfica, a continuidade será um crasso erro.

Se pode ter sido um erro abdicar de Fernando Santos e de Ronald Koeman, uma vez que as suas equipas, apesar não terem saído vencedoras, mostraram alguns bons indícios, passíveis de serem potenciados com mais um ou dois anos de trabalho, persistir em Quique Flores é um absurdo. Flores já mostrou, não estar disponível para mudar nem um pouco o seu trajecto inicial. E também já se percebeu que aquele tipo de futebol, jamais obterá sucesso na Liga Sagres.

P.S.I – E pensar que Quique, com toda a sabedoria que tem, bem poderia ter sido o treinador que o Benfica tanto necessita. Pena a incapacidade para moldar as suas ideias à realidade vivida.

P.S.II – Alguns textos de Dezembro e Janeiro, quando se percebeu o destino do Benfica 08/09.

http://lateral-esquerdo.blogspot.com/2008/12/benfica-15-benficos-dias-de-pausa.html

http://lateral-esquerdo.blogspot.com/2009/01/quique-flores-pelo-menos-3-pontos.html

http://lateral-esquerdo.blogspot.com/2009/01/ateno-de-quique.html

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3046 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

2 Comentários

  1. Continuo a achar que o Quique tem qualidade. O jogo de ontem foi um tremenda injustiça. Mas está visto que se estamos mal alguma coisa aparece para no empurrar mais para baixo.
    Vai ser penar até ao fim…

  2. "Flores para Quique"

    É fácil perceber porque Quique Flores não triunfou no futebol português.

    O discurso elevado de um estudioso do futebol, o seu "fair-play", os seus grandes valores morais, a sua forma de estar, não se coadunam com a linguagem brejeira utilizada pelos senhores do futebol cá do burgo onde se misturam compadrios entre políticos, empresários, advogados, jornalistas, árbitros e dirigentes desportivos. Um futebol de calças na mão, endividado, que louva a desonestidade, onde a verdade desportiva é questionada e o campeão é proclamado quase por decreto.

    Os métodos inovadores no plano técnico-táctico do espanhol, na pele de um verdadeiro gentleman, amplamente reconhecidos e elogiados no seu país, não foram suficientes para o desvirtuado futebol português que realmente provou desconhecer.

    http://dylans.blogs.sapo.pt/

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