Este Benfica não é para velhos.

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Amesterdão, Guimarães (x2), Toronto, Albufeira, Guadiana (x2), Eusébio Cup, Taça da Liga e Campeonato Nacional. Em pouco mais de um ano, o futebol do SL Benfica de Jorge Jesus arrecadou dez troféus. Ok, os troféus de pré-época têm o valor que têm. Mas, indiciam algo. Não dúvide!

A equipa de Jesus pretende derrubar todas as premissas que se tinham por verdadeiras. Os defesas são para defender. Os avançados para marcar golos. Só se obtém profundidade com extremos, que servem para driblar e cruzar. O número dez, deve procurar incessantemente passes de ruptura. O avançado deve permanecer na área, e todas as equipas precisam de alguém que corra inúmeros kms (os carregadores de piano de Jaime Pacheco), para que os artistas possam render.

Esqueça tudo.

Não há tarefas fixas. São dez jogadores de campo, e todos podem aparecer em qualquer lado. Desde que se efectuem as necessárias compensações. É por isso que cada vez mais, é frequente vermos David Luiz sair com a bola para o ataque (Airton ou Javi ocupam o lugar ao lado de Luisão quando assim é). Quando David transporta a bola, ele não mais é um defesa central. Os centrais nesse momento são Luisão e Javi Garcia. Não há extremos? Há tantos! Saviola, Fábio, Jara, Gáitan, Amorim, Martins, Aimar. Dê-se ao trabalho de contabilizar quantos jogadores diferentes, em momentos distintos surgem a conferir profundidade e linha de passe sobre o corredor lateral. Esta mobilidade constante de toda a gente, é a mais forte arma que se pode ter, perante equipas que defendem ao homem e que não povoam o espaço defensivo à frente dos centrais.

Se pensava que a partida de Di Maria enfraqueceria o Benfica no momento ofensivo. Enganou-se. O argentino é um talento fantástico e que conseguia, por várias vezes, desiquilibrar individualmente. Porém no futebol, 11 é sempre melhor que 10+1. O que poderá ser este Benfica em termos ofensivos, agora que não tem um jogador a perder a bola dezenas de vezes por jogo?

Curtas do Guadiana

– Jara tem feito, e muito, por modificar a nossa opinião inicial. Não é forte na decisão, facto que o leva a perder inúmeras vezes os timings correctos para soltar a bola. Porém, a base está lá. É rápido, tem técnica e uma agressividade extraordinária. Nas mãos de Jesus, poderá, porque tem potencial para isso, tornar-se um caso muito sério.

– David Luiz está num momento estupendo. Cada vez mais a equipa está preparada para compensar as suas subidas, e cada vez mais, o brasileiro o faz de forma assertiva. É o primeiro avançado da equipa.

– Martins está bastante bem no momento ofensivo. Menos complicativo, também ele já entra no jogo de posse e tabelinhas da equipa. Não tem a mesma velocidade, inteligência e disponibilidade de Ramires para os momentos defensivos (seja em organização ou em transição).

– Fábio Coentrão é um desiquilibrador. Outro que sem dar muitos toques na bola, joga e faz jogar.

– Aimar e Saviola são o centro da equipa. Se dúvida, reveja os últimos 30 minutos da partida de ontem. Aqueles em que os argentinos não jogaram. É a capacidade técnica e inteligência táctica extraordinária de ambos que permite as saídas para o ataque pelo corredor central.

– O pé esquerdo de Cardozo é uma maravilha. Não só pela forma como finaliza, mas como também participa nas tabelinhas e no jogo ofensivo. Mesmo com limitações evidentes, é um jogador extraordinário e decisivo.

– Por lesão, ou não, Nico Gáitan mostrou-se pouco. Esteve bem na forma como serviu, algumas vezes, a velocidade de Fábio Coentrão.

– Airton está bem, mas Javi confere algo que o brasileiro não. A capacidade de passe do espanhol é francamente boa. É outro dos responsáveis pelos bons passes verticais a explorar, desde logo, os avançados.

Pode este SL Benfica não ser bem sucedido? Pode. Se Ramires partir, o Benfica ficará mais vulnerável em termos defensivos. Mas, que leva um grande avanço dos demais…

Sobre Paolo Maldini 3804 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

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