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Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

8 Comentários

  1. Bom trabalho também de quem faz a assistÊncia. Vendo que o portador da bola já tinha linha de passe sobre a sua esquerda (Com Cavani) desmarcou-se sobre a sua direita, conferindo assim duas linhas de passe distintas a quem conduzia a bola na direcção do corredor central.

  2. É de facto um belo golo. Gosto muito e raramente se vêem jogadores faze-lo. Tenho a sensação que há uns anos era mais habitual: ver jogar de cabeça ao nível do pé. PB, isso e o picar a bola por cima do guarda-redes à sua saída. O gesto com que o Saleiro marcou o golo ao Guimarães o ano passado, ou o gesto de que o Figo se usava muitas vezes para concluir um lance quando sempre que só tinha o guarda-redes pela frente.
    Não sei se há muita gente a reparar nisso mas acontece, e sendo menos frequentes isto relaciona-se com aquilo que o post anterior diz: a maioria dos jogadores hoje quer ter potência, quer ser rápido, quer ser como o Cristiano Ronaldo, e são cada vez mais deste tipo os jogadores mais facilmente promovidos ao futebol sénior, ou os que são mais elogiados, ou que são os que reúnem mais favoritismo. Ou, muito mais preocupante: aqueles de quem o público mais gosta. Isto é muito mau, quase preocupante.

    PB, sobre o que fez o portador da bola nesse lance: concordas que é uma acção individual? Isto é, não obedece a nenhuma instrução ou treino. Trata-se de um jogador que instintivamente decidiu dessa forma e fazendo uso das suas visíveis capacidades e personalidade partiu para cima da equipa adversária, deixou 1 mais 1 para trás e entregou-a de forma deliciosa ao jogador que fez a assistência para o belo cabeceamento.
    Não tenho qualquer vivência ou a mínima experiência sobre o que é treino, treinadores, fazer parte de uma equipa de futebol onde supostamente existe um sujeito que treina e orienta ou dá instruções mas tenho a sensação – porventura errada – de que a acção certa parte quase exclusivamente de quem executa, desde que esteja num meio minimamente organizado. Essa organização será muito importante claro e imagino que um dos objectivos do "treinar" seja criar hábitos e rotinas de jogo, fazer uma equipa habituar-se a fazer qualquer coisa, forçá-los a repetir para criar familiaridade num qualquer conjunto de movimentos certos mas, mas não sei PB … creio que um jogador quando é bom sabe tudo isso, e sabe-o sem precisar que lhe digam, e se uma equipa for composta por 4 ou 5 jogadores assim, o entendimento é facílimo e as coisas aparecem naturalmente bem feitas.

  3. MM, não é instinto.

    È assim que se resolvem na grande maioria das vezes (ou pelo menos é assim q se deve resolver) as situações em q temos 3 jogadores e a bola está na ala.

    O portador da bola ataca o meio e o do meio desmarca para o lado do portador da bola. Muitas vezes a desmarcação até é pelas costas.

    Falando de um campeonato como o italiano, não acredito que a movimentação tenha sido fruto do acaso… Aquilo faziam de olhos fechados os meus amadores 🙂

  4. A classe que os outros clubes não têm. E por isso a carreira do Pedro Barbosa foi aquilo que devia ter sido, porque a sua ligação e posteriores – esperemos que daqui a muitos muitos anos – eternidade e imortalidade escrever-se-ão sempre em tons de verde. E PB, tenho a certeza que o Pedro Barbosa é hoje uma pessoa muito feliz sabendo que atingiu esse estatuto. Estatuto que é comprovado e demonstrado pelo teu post, ou não escreverias dessa forma sobre um jogador que terminou a sua carreira há 10 anos, não fora ele – no teu coração, no teu mais profundo ser e virtuosa visão da vida e do futebol – imortal. E por isso PB, em última análise, são homens como tu que assegurarão esse estatuto atingido. E ele sabia-o, e foi por isso que em 1997 disse não aos Germãnicos da capital Gaulesa Paris, e foi por isso que em 1995 assinou pelos Leões de Lisboa em detrimento meia Europa que andava atrás dele, com destaque para 5 ou 6 dos melhores clubes de Espanha ou Itália, desesperados pelo seu concurso. Hoje ele é – em ti e em muitos outros, justos valiosos – eterno, infinito; propriedade cósmica e mais uma a fazer prova da ligação especial escrita para trás, e essa recompensa nunca a teria tido noutro local qualquer.
    Existem carreira ou estatuto melhor(es)? Não, porque temos de ser justos e dar graças pela felicidade do nosso Capitão.
    Era o que ele queria, foi o que quis, e é isso que tem.
    Graças a Deus por isso.

  5. Não era individualista, e ao fim ao cabo acusam-no por isso.
    Não tinha tiques de estrela, e por isso acusam-no de ser um jogador sonolento.
    Não tinha uma ambição ridiculamente desmedida, possivelmente por tratar-se de um homem de família, perfeitamente adaptado a Lisboa, ao Sporting, feliz e de bem com a vida, e por isso acusam-no de ter tido uma carreira pouco condizente com o seu valor.

    Não, porque quis a História e quiseram os Deuses que a vida e existência futebolística do nosso Pedro Barbosa só tivesse e fizesse sentido no Sporting Clube de Portugal. Estava escrito há muitos milhões de anos atrás, escreveu-o um pequeno cometa em passagem pelo nosso planeta, acredita PB, eu vi. Eu estava lá e vi, e escrevendo-o (ele, o cometa) tornou lei: há certos jogadores, com certas características, que só são certos para alguns – muito poucos – clubes. O Sporting, é um deles. E por isso PB – e tu sabe-lo bem – importa urgentemente inverter a descaracterização do Sporting iniciada pelo Paulo Bento no fatídico ano de 2005/06, e descaracterização que no último ano e meio atingiu extremos absurdos.

    O Sporting não são Paulinhos Santos, Jaimes Magalhães ou Bandeirinhas.
    Nem o Sporting tem escrito nos seus genes os superficiais elementos "flash" de pseudo "estrelas" dos salões de permanentes dos melhores cabeleieiros do Corte Fiel, David Luiz, ou a – lá está – rápida e explosiva superficialidade Di Maria.
    O Sporting é classe. É Pedro Barbosa, é Balakov, é André Cruz, é Quiroga, Luisinho, Xavier, Yazalde, João Vieira Pinto, Carlos Martins ou Hugo Viana.
    Classe.

  6. PB, só uma coisa perdão: sobre o post anterior uma das características e qualidades do Pedro Barbosa que quase nunca vejo mencionada é o facto de ter-se tratado de um belíssimo jogador de equipa, colectivo, cujo jogo afirmava-se na interacção com a bola e os colegas em primeiro lugar, e numa relação exclusiva com a bola independente dos colegas, em segundo. Uma das críticas que mais fazem ao Pedro Barbosa não tem sentido nenhum, o dizer-se que com o talento que possuía a sua "determinância" ao nível da resolução de um jogo – num lance – dever ser maior. Não, porque o Barbosa era um jogador de equipa, e por isso só muito raramente ao longo da sua carreira é que o vimos resolver jogos sozinho. É costume falar-se no Pedro Barbosa em termos de um génio desaparecido, saltando depois à memória o golo contra a Holanda, o golo na Alemanha naquele jogo de apuramento para o França 98 em que o Marc Batta dá ordem de expulsão ao chorão, ou a 2 ou 3 outros lances memoráveis da sua autoria, ao longo da sua carreira. Ou seja, o enorme talento, técnica, elegância, critério e personalidade do Pedro Barbosa não é valorizado pelo que devia: para mim o Pedro Barbosa será sempre um cisne ou uma poderosa e bonita valsa do século XVII austríaca mas, tudo isso era posto ao serviço da equipa. Ele não resolvia muitas vezes porque esse elemento não lhe estava programado no gene futebolístico, era muito melhor do que isso, era de facto muito melhor. Há muitos jogadores igualmente elegantes e muito capacitados que não tendo menos talento do que o Pedro Barbosa foram ou são jogadores pouco valiosos: e aqui lembro-me do Mido por exemplo, ou do antigo franco-"escuro/mestiço" Dhorasoo, um jogador que me agradava imensamente mas … jogadores que para além da técnica, estilo e beleza na forma como tratavam a bola e o jogo, não eram úteis. O Pedro Barbosa era, era sempre útil, porque era um jogador de equipa.

  7. Hmmm, certo PB. Não sei, não faço ideia do que é ou o que se passa num treino mas se aquilo é um movimento mecânico e trabalhado, pois seja. Acredito piamente na tua palavra embora não sei … como é que um treinador pede ou ensina um jogador a – em desfavor das probabilidades – deixar por exemplo 2 adversários para trás, mas deixá-los para trás daquela forma arcaica e clássica?
    Um grupo tem 24 ou 25 jogadores. Desse grupo nem todos terão as capacidades daquele jogador que levava a bola. Como é que o treinador faz? Por exemplo, um tosco qualquer sem jeitinho nenhum mas super-sónico, ou um elemento personalizado, valioso, cumpridor, talentoso mas nem por aí além especialmente dotado, ser-lhes-ia impossível desenvolver aquela acção.
    O Moutinho não o faria por exemplo, não seria capaz.
    Nem o Cristiano Ronaldo, porque não teria a elegância. O Cristiano Ronaldo deixa muito adversário para trás mas é mais do género de faze-lo atleticamente, precisando de espaço para isso. Meter na frente e ir buscar. Não é bem assim claro porque ele é muito habilidoso mas é aquele tipo de habilidade feia, compreendes o que quero dizer? Não é aquilo que esse jogador do clip fez. O que esse do clip fez é outra coisa.

    Como é que se trabalha um movimento se ele para ser executado está dependente de uma individualidade? Individualidade aqui no bom sentido. Amanhã ele lesiona-se, como é que o treinador faz?, treina outra coisa qualquer?, fica refém de uma ausência?
    Tenho dificuldade em compreender isto. Que treino precisava o Rui Costa por exemplo? Ou o Riquelme?
    Eles sabiam o que fazer, e durante um jogo a melhor coisa a fazer podia num momento ser uma, e noutro momento outra. Perante isto, instruir para quê? Eles sabem. Encher-lhes a cabeça de instruções só atrapalharia.

    Mas PB lá está, é por isso que para se falar de algo é preciso conhecer. Eu não conheço, tu conheces. E tu podes falar de treinos e movimentos e tácticas e tudo isso, e por isso acredito piamente no que dizes.
    A única coisa que digo é … os teus amadores por exemplo, podes pegar nos 3 e dizer-lhes que aquele é o movimento certo mas, como é que sabes que 1 deles terá a capacidade de originar a acção sequer? A movimentação dos 2 da frente pode ser orientada, o local onde ela nasceu, se calhar não.
    Só isto.
    Confio estar errado, mas era só mesmo isso.
    Abraço.

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