Rinaudo e Matic versus Javi e André Santos

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Ponto prévio. No actual sistema de jogo, parece claro que Rinaudo tem de jogar sempre. A sua reactividade defensiva, e as coberturas ofensivas mais próximas da bola, que lhe permitem reagir mais rapidamente à perda, ou ligar os corredores após um passe atrasado que chegue na sua direcção, justificam-o.
Pensa-se em Matic e crê-se que poderá dar uma dimensão ofensiva ao SL Benfica que Javi não dá. É certo que defensivamente está a milhares de léguas do espanhol. Na ocupação do espaço, na imponência do jogo aéreo (situação tão importante na Liga Portuguesa, porque raras são as equipas que tentam sair a jogar) e na tomada de decisão relativa ao posicionamento ou reacção às diversas situações defensivas do jogo (como reagir quando estamos com cinco atrás da bola? ou quatro? ou apenas três?)
Porém, porque tecnicamente é dez vezes mais jogador que Javi Garcia, poderia supor-se que ofensivamente teria algo mais para acrescentar. Luis Freitas Lobo referiu-o antes de se iniciar a partida do último fim de semana. Todavia, a meio da primeira parte já tinha mudado a sua opinião.
Há jogadores assim. Porque na tomada de decisão são menos fortes que o que seria de supor, serem hábeis tecnicamente chega a prejudicá-los. Numa posição onde demasiadas vezes se exige que se mude o centro do jogo, que se retire com rapidez e assertividade a bola da zona de pressão, Matic age demasiadas vezes contranatura. Gosta de ter a bola e não se coíbe de correr com ela, procurando ele melhores soluções ofensivas, não soltando a posse enquanto não vislumbra uma linha de passe mais ofensiva. É pela sua tomada de decisão que por vezes o jogo do Benfica se torna mais lento. Não esquecendo as perdas que vai somando, por passar demasiado tempo com a bola no pé.
De Rinaudo a André Santos, o caminho é bastante próximo ao dos centrocampistas do SL Benfica.
Os traços de Rinaudo batem aos pontos André Santos. Todavia, na tomada de decisão com bola, é o argentino que tem a aprender com o português. O argentino tal como Matic, gosta demasiado da bola. Quer tê-la e conduzi-la. Quando perceber que as suas acções ofensivas de condução são estéreis, tornar-se-à mais jogador. É muito invulgar termos Rinaudo em situações de jogo em que se imponha mais de um, dois, três toques na bola. Correr com ela como o faz permite ao adversário ter mais tempo para se organizar, além de que uma possível perda poderá apanhar o Sporting desposicionado no campo de jogo.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3255 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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