Movimentos dos extremos

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Há extremos com golo. Outros há, que mesmo tendo um potencial técnico mais elevado precisam de uma carreira inteira para somar o número de golos que os primeiros cumprem numa só época.
Há um imenso número de factores que o próprio jogador não controla que condicionam o número de golos, ou o número de oportunidades em que o extremo surge em situação de finalização.
Mais do que ter maior ou menor capacidade de finalização, é a movimentação que os aproxima mais ou menos do golo.
Temos os que procuram unicamente movimentos verticais, ao longo da linha lateral, que mesmo quando recebem a bola nas costas da defesa adversária estão sempre demasiado longe da meta. É o tipo de extremo que desequilibra individualmente, mas cujas acções são vezes demais inócuas. Procuram sempre alguém na área, esquecendo que chegar ao golo é tarefa que deve ser repartida por onze. E que eles próprios não podem abster-se de nenhuma das fases do jogo.
Outros, mais astutos, jogam com a oposição. Simulam movimento para dentro para receber com mais espaço e tempo fora. Ou desmarcam-se na horizontal, ao longo da linha defensiva, beneficiando do facto de já se moverem a velocidade considerável, para chegarem primeiro que os defesas (parados), a uma bola colocada nas costas do sector defensivo adversário. Procuram movimentos interiores que lhes possibilite receber a bola entre centrais e laterais oponentes. A variedade de movimentos com e sem bola conferem-lhes uma imprevisibilidade que acaba sempre por beneficiar o jogo da sua equipa.

O primeiro tipo de extremo é vulgarmente, e bem, apelidado de extremo à moda antiga. O segundo é um jogador moderno. Independentemente do talento ou qualidade técnica de um ou outro, é o lado cognitivo que faz a diferença.
Na Liga portuguesa, há dois extremos espanhois com um potencial técnico imenso. Aquele que até aparenta maior habilidade e velocidade, e com tudo o que de subjectivo há neste tipo de comparação, tem dezaseis golos em duzentos e vinte e quatro jogos enquanto sénior. O outro já somou cinquenta e dois golos em apenas cento e noventa e quatro jogos. A diferença de rendimento de um para o outro? A tomada de decisão. Com e sem bola.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3385 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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