No meio campo é que se joga. E que médios tens tu Marco!

Este exercício é meramente especulativo. Mas o que seria do Sporting se aproveitasse todo o potencial que tem no seu meio campo? Será assim tão descabido alterar o sistema, colocando mais um médio, tendo em conta que os melhores jogadores do Sporting são de facto os médios? E sabendo-se da falta de qualidade dos extremos.

Sobre o Sporting de Marco Silva há que realçar alguns aspectos:

1) O regresso dos ataques pelo corredor central. Que curiosamente ressuscita Montero (que faz de quarto médio) e André Martins!

2) Montero ganha cada vez mais preponderância no modelo. É a primeira referência para a transição ofensiva do Sporting, bem como para retirada de pressão. Não poderia de facto cair em melhores pés, os inícios dos ataques leoninos.

3) A liberdade criativa (ao nível da tomada de decisão) que dá aos jogadores, permite-nos perceber cada vez melhor a qualidade excepcional de Montero e William, com André Martins a prometer voltar a tudo o que esperámos dele.

4) Na pressão no meio campo adversário, quando a bola entra no corredor lateral, pressiona o homem da bola e os restantes fecham os adversários. Percebe-se que o objectivo é que o adversário, sem soluções, jogue na frente sem qualidade. Mas, se alguém bate aquela contenção está imediatamente criada superioridade numérica, e os jogadores ficam demasiado longe para tapar a progressão.

5) Estranho a missão defensiva de André Martins. Quando a bola entra no meio campo do Sporting fica HxH com o médio defensivo adversário.

6) O Sporting dividiu o jogo com a Académica. Pelos erros em posse, que possibilitaram várias saídas em transição, e a expulsão de William. Derivado da falta de qualidade de alguns dos executantes. Mas, também porque a Académica dava tanto espaço que era muito complicado não cair na tentação de ir rápido para frente. Com um passe estava no meio campo adversário, com dois alguém tinha espaço para progredir contra a defesa contrária. Tivessem os executantes da maior parte desses lances sido outros (que não Adrien, Carrillo, Heldon, ou Capel) e dava facilmente para ter goleado. Assim, mais vezes a equipa se encontrou desorganizada por jogar “sempre” na vertigem, sem grandes pausas, sem tempo para se posicionar de forma adequada.

7) A equipa não estava preparada para jogar com 10 jogadores.

8) Os problemas com os centrais somados à lesão de Cédric e à expulsão de William são demasiados imponderáveis que o treinador não controla. E o que dizer do golo sofrido?

Seria interessante, dado a falta de qualidade dos centrais do Sporting, ver Rossel como central. É impossível pedir alguma coisa a Capel que não seja baixar a cabeça, correr em frente, e cruzar ou chutar. Carrillo continua inconstante, alterna entre lances de grande qualidade e lances onde decide de forma horrorosa. Montero, William e André Martins simplesmente fabulosos. Sarr, com algumas dificuldades posicionais, e em jogar com qualidade sob pressão. Preciso ainda assim de ver com mais atenção, em mais jogos.  

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3416 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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