Liga dos Campeões

Os finalistas da Final de Lisboa ofereceram-nos mais um espectáculo deplorável, na prova que se diz ser o melhor futebol da Europa. Mas hoje, como não estão na Final, já me é permitido criticar o futebol medíocre com que sempre nos brindaram. Se isso é o melhor que a Europa tem, algo de muito errado vai no futebol europeu. Como não acredito em nada disso, nem no futebol praticado por nenhuma das equipas que jogaram ontem, a minha Champions particular começa hoje.
Oblak está nas bocas do mundo por uma exibição fantástica, ontem no Calderón. O que muitos se esquecem é que Oblak ontem, era ainda mais fantástico do que hoje. Onde joga, actualmente, tem um modelo de jogo de equipa pequena cujas ideias o empurram para a baliza. Onde jogou, a jogar com ideias de jogo de um grande,  teve um modelo de jogo que o puxava para fora da baliza. E assim, era maior do que o é hoje. Tinha de estar mais concentrado nos pormenores, dominar o espaço entre ele e a última linha, saber jogar com o fora de jogo, ser imperial no espaço que a organização não ocupa na bolas paradas. E dessa forma, nunca foi obrigado a fazer mais do que uma/duas defesas fantásticas dentro dos postes, e era fora dele que era mais fundamental. Quem ainda não percebeu que Jesus está muito à frente de todos os outros no momento defensivo, e quem diz não pode ser um génio na área em que opera por falar mal português, por não ser eloquente, por ter uma imagem que não cativa, vai continuar a falar de jogos de futebol como fala o LiveScore.
António Tadeia, disse à RTP que o futebol do Barcelona o aborrecia. A desinformação que existe no futebol parte muito por aí. Por quem tem a suposta obrigação de informar. Se quem informa, como jornalista desportivo, não está preparado para exercer, qual é o critério que leva à que estes senhores, pagos e bem pagos, sejam escolhidos para que a sua opinião seja divulgada na imprensa? Gostava que alguém perguntasse ao senhor Tadeia o porquê do futebol do Barcelona ser aborrecido. Não é por isso de estranhar a minha desilusão com a conferência de imprensa de Guardiola. Perguntaram ao homem sobre Lopetegui no passado, sobre a final de 87, sobre a qualidade dos jogadores do Porto, sobre poder encontrar outro antigo companheiro de equipa na próxima fase, sobre o estado da produção de chinelos na Índia, e a sobre a plantação de Laranjas na Malásia. Futebol que é bom, zero. Ninguém foi capaz de perguntar em que sistema táctico ia jogar, de que forma é que esse sistema se iria articular por forma a anular o FC.Porto, ou de que forma se rouba a bola a uma equipa que gosta de a ter. Enfim. Interessa mesmo é saber se a temperatura do frigorífico em casa do homem é a adequada para não deixar congelar os alimentos.

“Enquanto temos a bola, temos possibilidade de atacar e o adversário não o pode fazer. Quando a temos, o problema é o que fazer com ela, onde a temos e porque a temos. É para estas questões que um treinador procura sempre respostas e tenta melhorar.
(…)
Evidentemente que, quando mais posse de bola, mais hipóteses temos de ganhar o jogo, mas o futebol não é uma ciência exacta. Temos que ser agressivos em posse e alternar o estilo de jogo ofensivo, com diferentes opções frente a diferentes adversários.
(…)
Uma evolução no futebol é que actualmente temos menos tempo e espaço com a bola. A evolução táctica e física do jogo leva a que os jogadores tenham menos tempo para decidir sobre o próximo passo, para receber, rodar e jogar. Os jogadores são obrigados a agir de forma mais rápida e precisa
(…)
Isto torna os jogadores melhores. Este não é um desporto que se possa medir em segundos ou em metros, como muitas outras modalidades. A evolução do futebol leva a que seja cada vez mais difícil jogar bem, criar espaços e reagir rapidamente. Esta é a principal luta das equipas
(…)
Pode ser negativo se tivermos a posse de bola e não soubermos o que fazer com ela. Em teoria, se uma equipa tiver 100 por cento de posse de bola não pode sofrer golos. Queremos ter a bola o mais possível, não por motivos estatísticos, mas para ganhar jogos
(…)
Em teoria, não podemos sofrer golos se mantivermos a bola durante todo o jogo, mas podemos perder com uma equipa que tenha apenas 20 por cento de posse de bola”
Lopetegui ensina-nos sobre o jogo, sobre futebol, sobre o seu futebol. Em Portugal, ninguém nunca pensou em perguntar-lhe sobre isto numa conferência de imprensa. 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2924 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*