Equipa do Lateral Esquerdo para 2014/2015

Treinador – Jorge Jesus. Pega numa equipa em hecatombe e mesmo sem a qualidade individual do principal adversário a transforma mais uma vez num colectivo fortíssimo, candidato a todas as provas internas.
Treinador Adjunto – Paulo Fonseca. Deixa o Paços na Champions e quando sai e a luta é pela manutenção. Regressa e coloca-os novamente na luta por um lugar europeu. Não só pelos resultados, mas por mostrar mais uma vez que é possível jogar de acordo com as ideias em que ele acredita, mesmo num clube sem grandes recursos. Futebol muito positivo com e sem bola.
Treinador de Guarda Redes – Julen Lopetegui. Com a qualidade individual que tinha ao dispor deveria estar a comandar o campeonato, mas a missão era difícil. Muitos jogadores novos, país cuja realidade desconhecia, clube cuja cultura e exigência nunca tinha ouvido. Desconhecimento do contexto competitivo. Estar nessas condições e ainda assim a disputar o campeonato com Jesus deve ser reconhecido.
Sistema de jogo – 1x4x4x2 de Jorge Jesus
1 – Júlio César. Por permitir a segurança que o modelo de Jesus exige fora da baliza, e por dar a tranquilidade que os colegas da frente precisam entre os postes.
2 – Danilo. Talvez a sua melhor época em Portugal, em termos estatísticos. Participação fantástica em todos os momentos do jogo, quase sempre com grande qualidade. Do ponto de vista ofensivo, fundamental nos movimentos colectivos e no aproveitamento dos corredores laterais. Fantástico nas incursões por dentro. Pelas suas características físicas e técnicas percebe-se que está a mais no futebol português.
3 – Luisão. É o treinador dentro de campo. Entende como ninguém as ideias de jogo da equipa, e estimula os colegas ao cumprimento das mesmas com rigor. Não é normal um jogador com as dificuldades que ele tinha inicialmente evoluir de tal forma que hoje se torne uma referência absoluta e incontestável, em Portugal. Para além dos aspectos defensivos, melhorou também nos ofensivos.
4 – Marcano. Uma boa surpresa pelo que ofertou à equipa com bola. Num modelo de jogo que necessita de qualidade de passe desde os guarda redes, é o único com capacidade para executar o que lhe é pedido. Com bola, melhor que a esmagadora maioria da Liga. Defensivamente não tão bem quanto outros, mas para uma equipa que passa a esmagadora maioria dos jogos com bola é aceitável.
5 – Alex Sandro. Não só é o melhor da Liga como caminha para ser um dos melhores do mundo. Em qualidade, e em rendimento. Mais uma época tremenda, onde se nota qualidade em quase tudo o que faz. Individualmente forte em todos os aspectos. Colectivamente cumpridor do que o treinado pede. Muitos dos desequilíbrios que os extremos esquerdos do Porto foram conseguindo têm mérito das movimentações com e sem bola de Alex.
6 – William Carvalho. Não tão exuberante como na época anterior pela maior dificuldade que lhe foi criada pelo modelo de jogo, e um mau trabalho do seu companheiro de sector. Ainda assim mostrou-se à bom nível. Qualidade com bola, quer para segurar, quer para entregar. Maior consistência nos comportamentos defensivos.
8 – Oliver Torres. Passará por ele e por outros dois o futuro da criação no meio campo da selecção espanhola. Foi uma alegria constante assistir a cada toque que deu na bola, e constatar que os que diziam que lhe faltava intensidade mais uma vez o faziam por manifesta falta de conhecimento. Está, actualmente, com nível para entrar em quase todas as grandes equipas do mundo. Qualidade técnica, criatividade – inteligência -, e agressividade, fazem dele o melhor médio a jogar em Portugal.
7 – Gaitan. Precisa de estar fora para conseguir desequilibrar dentro. Não é fabuloso ao nível da tomada de decisão, mas a capacidade técnica ímpar permite criar lances geniais em quase todos os jogos que participa. Em condução, em passe, em drible, ou em combinações. Conseguiu também mostrar qualidade defensiva, e entendimento de que os momentos em que a equipa não tem a bola são tão importantes como os restantes.
11 – Nani. Pelo nível competitivo a que estava habituado, veio passear a Portugal. Golos, assistências, manutenção da bola, desequilíbrios onde não existia espaço, estímulo para os colegas descobrirem outros caminhos. Qualidade em todos os aspectos que se exigem para um jogador de alto nível. É ele o principal responsável pelo melhor momento da época do Sporting.
9 – Jackson. Desde que chegou ao nosso campeonato sempre nos habituou ao mesmo. Rendimento em todos os contextos. Em todos os jogos. Em qualquer estádio, dentro ou fora de Portugal. Qualidades físicas assombrosas, sentido colectivo único com e sem bola. Inteligência nas acções. Finalização.
MVP – 10 – Jonas. A subida de qualidade do jogo do Benfica tem muitos nomes, mas um absolutamente incontornável. Poder-se-à pensar que se fala dos golos que marcou, mas longe disso. Muito longe disso. O que falta ao jogo do Benfica é criatividade nos espaços reduzidos do corredor central, sobretudo para quem joga constantemente de costas para o golo. E Jonas veio trazer tudo isso. Capacidade para segurar, permitindo à equipa subir e ter bola nesses espaços. Agilidade para enquadrar e qualidade técnica para executar em pouco tempo, que permite à equipa ter seguimento da forma como procura construir. Qualidade na tomada de decisão, que permite à equipa criar mais situações de finalização. Inteligência na forma como procura os colegas para combinar, ou como procura os espaços para finalizar. Jonas mudou o jogo do Benfica e com isso desequilibrou o campeonato.
Suplentes – Rui Patrício, Jardel, Maxi Pereira, Michael Seri, Bernard Mensah, Brahimi, Tello
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3047 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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