Ser Cristiano Ronaldo. E relembrar a formação de hoje.

Aguento melhor a pressão e sou o profissional que sou pela vida difícil que tive…

Sair de casa com 11 anos, ir para um mundo diferente, primeiro em Lisboa, depois em Inglaterra, foi difícil

“Dos 11 aos 18 anos ganhei estabilidade. A pessoa que sou deve-se aos momentos que passei sem a minha família, momentos difíceis em que tinha que fazer tudo sozinho como um homem, ao ponto de passar a minha roupa a ferro. Nunca pensei passar a minha roupa a ferro aos 11 anos” Cristiano
Há não muito na RR uma entrevista a Aurélio Pereira, onde ele recordava um episódio na vida de Cristiano. Ronaldo passava meses a fio sem ver a família. Quando o Sporting nos nacionais defrontava Nacional ou Marítimo na Madeira, era uma alegria para o miúdo e para a sua família. Mesmo que por breves instantes saudades seriam ultrapassadas. Num das semanas que antecedeu a visita do Sporting à Madeira, depois de meses sem ver a própria família, Cristiano portou-se mal na escola. O castigo? Não foi à Madeira! Você que anda no futebol, consegue imaginar o que faria hoje um papá ou mamã de um menino com um castigo deste nível? 
Ronaldo, de uma maneira muito peculiar é apenas um exemplo que fundamenta o texto de há alguns dias atrás. “Histórias antigas e a formação de hoje“.
Hoje apetece citar grande parte do post de Dezembro
“De que serve demasiadas vezes toda a qualidade no processo treino (quando a há) se não conseguimos moldar o carácter dos miúdos? Hoje, sem a rua onde sobreviviam os mais perseverantes, estamos tantas vezes condenados a promover o desenvolvimento de quem nunca chegará lá.
Cada vez mais no futebol só aparecem “betinhos”. Não no sentido do extrato social ou da forma de vestir, mas na protecção absurda de que usufruem dos papás e mamãs, que lhes retira toda e qualquer possibilidade de se desenvolverem enquanto pessoa para jogar este jogo. “Ai que o menino levou uma canelada”. “Ai que o menino foi suplente” “Ai que o menino seguiu para a equipa B” “Ai que o menino não gosta disto ou daquilo” “Ai que o menino não pode estar frustrado e tudo tem de lhe ser dado porque é uma criança”.
O que estaremos a crescer no processo de treino e na forma como preparamos a evolução dos miúdos estará a ter correspondência na forma como lhes moldamos o carácter? Não, de todo.
Hoje parece que se formam apenas futebolistas enquanto praticantes de um jogo. Enquanto atleta, ignorado que todo o atleta é uma pessoa. Ignorando que não haverá futebolista se não tiver a personalidade necessária para o ser. 
Excepções sempre houve e haverá. Mas a convicção que o caminho certo estará sempre entre deixá-los desconfortáveis, mas ao mesmo tempo promover o tempo de empenhamento motor ao máximo e a proximidade com o jogo no treino.

Enquanto pais e mães estiverem nos treinos e nos jogos, a formação de futebolistas nunca estará a ser potenciada ao máximo.”
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3047 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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