Coração ou razão? Braga asfixiado no Estádio do Dragão.

Asfixiantes os últimos quinze minutos no campo do FC Porto.

Naturalmente que a vantagem numérica na partida e a desvantagem pontual suficientemente elevada permitia que pudesse ser uma equipa ainda mais ousada e de maior risco. E assim foi. Razão em alguns posicionamentos, mas também muito coração na forma como os miúdos foram resgatar os três pontos.

Colocou um elemento entre cada defensor do Braga, criando um 5×4 na última linha bracarense, e beneficiando da obrigatoriedade de coberturas próximas ao defensor que saía a Corona e Brahimi, porque no 1×1 eles vão passar sempre, colocou enorme vantagem numérica na grande área, onde chegava a cada instante com possibilidades de finalizar.

5-no-ataque brah felipe

E a curiosidade de ter chegado ao golo num lance que mesmo que não tenha sido pensado ao pormenor, acaba por demonstrar o que por cá se defende sobre a melhor forma de poder chegar à finalização. Bola entre linhas adversárias no corredor central, e a partir daí em função do comportamento da última linha, definir o lance. Ou com o passe de ruptura, ou continuando a progressão.

Danilo que coloca a bola entre os sectores bracarenses, e a criatividade de Jota, que surpreende a defensiva do Braga, que nunca terá imaginado sequer a possibilidade de surgir a solução que Jota descobriu. Não baixaram metros e viram-se surpreendidos com um passe na profundidade.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2941 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

5 Comentários

  1. A verdade é que essa enorme quantidade de jogadores do FCP na última linha do Braga não resultou em nenhum golo.
    Centraram muito, por cima por baixo, mas nunca conseguiram.

    O golo surgiu num lance atípico, em que a equipa do Braga estava mais subida, menos juntos, e fora das posições.
    Ou seja, parece que tiveram uma paragem cerebral e deixaram de estar nas posições que tiveram nos últimos 30 minutos de jogo.

    Parece até irónico que uma equipa que estava a aguentar o jogo recuada, com as linhas muito juntas, se deixe desconcentrar aos 94 minutos de jogo.

    A linha de quatro defesas estava com três, sendo que o do meio estava mais avançado permitindo o passe para as suas costas.
    Este lance, se mantida a linha de quatro defesas junta, não tinha acontecido.
    Ou bem que um dos médios conseguia ir pressionar o Diogo J., ou então tinham de ter feito o que fizeram quase sempre: recuar e controlar a profundidade.

    Foi um autêntico bónus, permitirem um lance destes com o jogo a acabar.

    A equipa do Braga deu um espectáculo de como defender de forma sincronizada, estiveram quase perfeitos. Borraram a pintura neste lance.

    A somar a isso, só o facto de nunca conseguirem esboçar ataques que pusessem o FCP em sentido… mas isso poderá ser explicado pelo enorme desgaste e por estarem no terreno alheio.

  2. também fiquei com a ideia de que esta “carne toda no assador” foi muito mais coração do que razão. correu bem, mas o golo surge dum lance que fugiu completamente do que vinha sendo o fcporto neste jogo. foram mais de 90 minutos a sobrecarregar as laterais e a usar e abusar de cruzamentos sem grande critério. mas o que conta são os 3 pontos, pontos esses fundamentais para não deixar fugir os adversários. é que, para a semana, há derby.

    • Isso é de uma injustiça brutal. Foi dos jogos que vi uma equipa criar mais situações de golo. MArafona fez a exibição da vida dele. Bolas nos ferros, golos anulados “por milímetro”. O Porto mereceu totalmente vencer o jogo. Atacou sempre e atacou bem, de diversas formas. Se foi maioritariamente pelos corredores faterais? Sim foi, mas é o normal que aconteça quando uma equipa encontra o corredor central totalmente fechado. Os desposicionamentos têm de acontecer pelos corredores latereais. E mesmo atacando por esses corredores o porto mostrou muitas vezes muito critério, não se limitando a despejar bolas na área, como fez por exemplo o Benfica na madeira.

  3. curioso, na primeira meia-hora de jogo não “vi” o FCPorto: até tinham medo de mexer na bola e o SCBraga trocava-a com aquela certeza de quem sabe que está melhor, mas se calhar estou a interpretar mal os sinais apresentados

  4. A indefinição sobre que tipo de acção adoptar neste lance por parte do Rosic, creio ter sido fundamental para o sucesso do mesmo por parte do Porto.

    Mas sim, já se viu mais do Porto no aspecto ofensivo, mais organização, mobilidade, melhor povoação no último terço, etc.

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