O pragmatismo no jogo de futebol

Pep tem de ser mais pragmático. Ouve-se bastante. Na animada conversa de Thierry Henry com Pep Guardiola, o treinador espanhol explicou bastante bem o que é o pragmatismo.

Números.

Mais pragmático que eu!?… Em números sou bom. Golos marcados, golos sofridos, pontos, títulos. Lamento, mas sou bom…”

Pragmatismo. Passou a ser uma palavra quando associada ao futebol, para aquelas equipas que atacando pouco, acabam por vencer os jogos. No fundo, inventou-se uma definição para explicar algo que não se percebe. Como se parte do resultado final para se perceber o todo, nada como integrar uma nova expressão para justificar resultados que fogem à norma do que é comum.

O que falta perceber é que não se treina para ser pragmático. Porque isso não existe. Vencer consecutivamente jogos criando menos que os adversários é algo muito esporádico e unicamente explicado por factores extra jogo.

Vencer sendo pragmático no fundo é vencer com sorte. E a sorte surge, não se treina, não se entende. Acontece. Mas não dura para sempre! Portanto todas as equipa do mundo poderão ser em determinados jogos pragmáticas. Ter uma equipa que procura ser pragmática (isto é, atacar pouco, criar menos que o adversário) é o primeiro passo para o insucesso e para as derrotas. Mesmo que em algumas ocasiões a sorte bata à porta. Porque quem cria menos estará sempre mais perto de não vencer do que quem cria mais. A menos que as individualidades sejam substancialmente melhores. E ai, criar mais ainda aumentará as probabilidades de se triunfar.

Na realidade, no futebol ser pragmático será sempre ter o máximo de bola possível. Porque é com ela que se cria. Porque é tendo-a que se invalida qualquer oposição de poder criar.

Da próxima vez que observar uma equipa vencer o adversário com imensa sorte, já saberá como a explicarão. Foi pragmática. Não esqueça é que por cada vitória do “pragmatismo” há duzentas outras do verdadeiro ser pragmático!

Na liga portuguesa, os últimos classificados, tem sido bastante mais pragmático que os primeiros. Afinal criam bastante menos, tem bastante menos bola e passam a maior parte do tempo em situação defensiva. Que estranho que a classificação não reflicta o pragmatismo…

Sobre Paolo Maldini 3791 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

3 Comentários

  1. Acompanho-vos bastante e gosto muito dos vossos artigos e, apesar de na maioria concordar com eles, neste não sei se posso concordar.
    Acho que o pragmatismo associado ao futebol e de que tanto hoje se fala é uma equipa que controla o jogo com posse e tenta aproveitar os erros do adversário para marcar.
    O melhor exemplo de uma equipa pragmática, na minha opinião é o Chelsea de Antonio Conte. Uma equipa que não faz muitos golos e que aproveita cada erro do adversário para tentar finalizar.

    Continuação de um bom trabalho, cumprimentos

  2. Obviamente há a qualidade do plantel. Mas o que distingue é a auto-determinação para ser pragmático, o plano do jogo e depois conseguir sê-lo efetivamente em campo muitas vezes, fazer acontecer.
    Há uns que sim há outros que não. Conseguir fazer o que se propõe dentro de um estilo, é que diferencia.

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