Quem não quer ser resultadista?

O regresso do resultadismo / pragmatismo, na conferência de Jorge Simão pós chegada à final da Taça da Liga. Seria importante perceber no seguimento de que afirmação / questão surgiram.

Mais pragmático que eu!? Pragmatismo são números… Em números sou bom. Golos marcados, golos sofridos, pontos, títulos. Lamento, mas sou bom…”

Guardiola afirmava assim, a crítica de que não era resultadista / pragmático.

Resultadistas é o que pretendem ser todos os treinadores no futebol. Colar o pragmatismo ou resultadismo a uma ideia de jogo, como tantas vezes parece fazer-se crer, é um erro gigante.

É verdade que o crescimento dos métodos defensivos, que já por cá eram referenciados há quase uma dezena de anos, e que chegaram em força à primeira Liga nos anos mais recentes por influência grande de Jorge Jesus, têm contribuído para que cresça a percentagem de equipas que vence as partidas mesmo não as dominando. Porém, é totalmente errado a separação – Resultadismo – Ter a bola.

Afinal, salvo excepções, continuam a ser as equipas que mais e melhor a têm que continuam a vencer as provas de regularidade. E são essas as que mais valorizam os seus activos. Ninguém vai observar a forma como os jogadores correm…

As melhores equipas serão sempre as mais aptas para jogar de forma competente em todos os momentos do jogo. Sim, há que ter princípios defensivos muito claros, muito bem definidos e trabalhados. Há que saber retirar espaços e promover superioridades numéricas nos momentos defensivos. Há que ser eficaz a lidar com a regra que mais condiciona o jogo do ponto de vista táctico. A do fora de jogo, pois claro.

Porém, ser competente em todos os momentos significa também ter qualidade em organização e em transição ofensiva. E é talvez por serem estes os momentos em que a intervenção do treinador é menor, porque exigem não só o posicionamento como também a decisão e qualidade técnica dos jogadores, que tantos parecem fugir deles.

É pelo acreditar cegamente que só sendo competente em todos os momentos do jogo, se pode ser considerado de topo, que surge a ideia de uma equipa dominante com bola.

Porquê? Porque sendo competente em todos os momentos, significará que com bola, a perda não surge sem critério. O tempo com bola cresce porque na transição ser competente é perceber o momento para investir ou guardar. Ou guardar depois de investir e de se ter fechado a janela de oportunidade. É ser paciente com bola, usando-a como engodo para mover oposição. É não precipitar decisões. É jogar quase pela certa, mesmo sendo criativo.

Em suma, ser competente em tudo o que o jogo der trará uma equipa que perde pouco, e que consequentemente tem bola muito tempo. Mas, também trará uma equipa preparada para reagir à perda, e preparada para defensivamente responder aos estímulos de cada situação de jogo.

Se o “ser resultadista” evoca as equipas que abdicam do jogo com bola, que se concentram nos bons princípios defensivos e aguardam uma bola parada ou um contra ataque, como as mais próximas de vencer, tal é um erro tremendo. O Braga foi tão resultadista na meia final da Taça da Liga contra o Vitória de Setúbal quanto o não foi na Pedreira quando recebeu o Vitória de Guimarães ou o Rio Ave.

Há ter bola, há não ter bola. Ter resultados poderá encaixar em ambas. Há muitas formas de vencer de forma esporádica. Contudo, não se deve ignorar que nas provas de regularidade se contem pelos dedos de uma mão as equipas que tenham triunfado sem assumir os jogos. Que se contem pelos dedos de uma mão os jogadores valorizados em equipas cuja maior parte do tempo os seus jogadores… só correm para fechar espaços.

Sobre Paolo Maldini 3804 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

7 Comentários

  1. Outro wannabe, que nem entende o alcance das próprias palavras.

    Um resultadista que tem um rácio de vitórias inferior a 50% em toda a carreira no mínimo devia mudar de profissão. Se tudo o que faz é baseado em resultados e não os obtém…algo estará errado por princípio.

    Em Braga, onde tem recursos superiores à maioria das equipas a exigência vai subir. Outro problema que vai ter em Braga – Uma grande maioria dos jogadores , habituados a outros treinadores, não vão estar dispostos a jogar apenas um momento do jogo (abdicando da bola).

    Do pouco que vi ontem, parabéns ao Setubal pela abordagem ao jogo!

  2. Acho que António Salvador se irá arrepender pela segunda vez de ter despedido José Peseiro.

    Maus tempos se auguram em Braga e a pressão tende a aumentar, com um Vitória cada vez mais capaz e em crescente.

    Este senhor é muito cheio de si próprio.

  3. Falta imensa substância técnica em campo para justificar arrogância demonstrada fora de campo. Uma dose de realismo e bom senso seria o mais prudente nesta fase.

  4. atenção para n haver mal entendidos..

    isto n tem a ver c o Simão mas com a ideia de que resultadismo se relaciona com determinado estilo de jogo… q ainda por cima é o q ganha menos!

  5. Em relação às capacidades técnicas do Jorge Simão não me pronuncio, pois não sei avaliar isso.

    O que acho é que, desde o discurso inicial em Braga, está a ir por uma via errada. Muita arrogância, uma tentativa não muito conseguida de dar ar de super-determinado. Quando não se é verdadeiramente assim, soa a falso e a arrogante. Ou seja, está a imitar o Mourinho (mais um), com o mesmo discurso e mesma postura que este tinha quando foi para o Porto. Mas as cópias soam sempre a falso.
    Gostei particularmente da parte “nem sei quem joga amanhã”. Obviamente que ninguém acredita e muito menos resultou como forma de pressão no futuro adversário. Soou apenas a falso e a parvo. Muito incompetente será um treinador que não sabe contra quem vai jogar e muito menos estuda o adversário. Até no conflito com um jogador copiou o Mourinho.

  6. Impressionante como o sistema dominante consegue fazer com que um treinador de excelência trabalhe como um qualquer………….a dura realidade no meio onde se valoriza mais o resultado do que os meios que nos permitem chegar até eles.

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