Jogar com os adversários. Por trás da finalização de classe de Carrillo.

A finalização de Carrillo é do tamanho da classe que o peruano tem. Um extremo que como poucos controla o ritmo de cada lance em que intervém. Um entendimento dos timings de cada situação quase invulgar em jogadores nascidos e criados no corredor lateral.

Há porém, todo um trabalho de qualidade imensa nas decisões que antecedem o momento da finalização. De Nélson, que continua a desequilibrar ofensivamente os jogos pelo seu critério, que associando-se a Zivkovic ultrapassa primeiro adversário. Com mais espaço ultrapassa o segundo e conduz na direcção do corredor central, tal como se impõe sempre que há espaço dentro. O timing do passe para Jonas, atraindo central ao avançado, abrindo ainda mais espaço do lado esquerdo. E o momento que permite a Carrillo surgir em 1×0. A forma como Pizzi joga com a oposição. Desde o primeiro momento que imaginou fazer a bola chegar ao peruano. Havia, porém, que lhe dar as melhores condições para poder fazer a diferença. Como? A um toque recebe e orienta corpo dentro, obrigando defesa que já adivinhava bola a entrar em Carrillo a travar / abrandar. Travou. Saiu o passe. E agora defesa a ter de voltar a “arrancar” para chegar ao peruano. E portanto, a perder tempo para se poder colocar entre bola e baliza.

Pequenos pormenores que aumentando a imprevisibilidade do caminho a tomar, porque orientou corpo para ir para a baliza, permitiu espaço para o colega.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2931 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

2 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*